Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012

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depois de pequenos testes aqui em casa, cheguei à conclusão que era capaz de me aguentar em pé alguns minutos, e então arrisquei ir à farmácia comprar qualquer coisa mais adequada que ben-u-ron, eu acho que ben-u-ron cura até a morte, saí e comecei a dar pequenos passos, o problema desta dor de hoje é que não me posso sentar para aliviar, fui então num semipânico de ficar com os ossos presos no meio da rua, sem me poder deitar no chão de forma discreta e sem dar nas vistas, como, apesar de tudo, consigo nesta casa que me abriga, comprei os comprimidos e decidi ir à pastelaria comprar qualquer coisa, que ainda não tinha comido nada a não ser duas maçãs, que era a única coisa que tinha em casa, derivado a ontem as pessoas do comércio não terem querido trabalhar, e quando vou a meio do caminho acontece-me o facto de ter pisado um enorme cagalhoto, ainda fresco, macio, aveludado, de tal forma que deslizei o pé para trás e esse gesto brusco provocou-me duas pontadas lacinantes nas costas, pareciam facas, era um cagalhoto imenso, imenso, que raio terá comido o bicho, há muitos anos que não pisava um cagalhoto fresco, sabes, estava a pedir um café e um pastel de nata e a perguntar-me duas coisas, como é que vou lavar os ténis se não me consigo dobrar, como é que o homem da pastelaria pode ignorar o drama que me aflige, parece-me tão óbvio que me doem as costas e que acabei de pisar um cagalhoto castanho claro, era castanho claro, esqueci-me de dizer, bom ano novo.

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