e não vejo um entusiasmo, um projecto, uma manifestação qualquer desta ânsia de agitação que nasceu comigo, em que não me tenha sentido absolutamente só. E ninguém em entende. E os que não me entendem o melhor que de mim pensam é que sou um ambicioso banal atormentado por inconfessáveis vaidades. E se neste desentendimento, no qual as minhas qualidades me são muito menos perdoadas que os meus defeitos, tenho de viver sempre, eu não sinto que a vida me possa dar mais nem uma alegria nem uma compensação que me interesse. E, assim, chegado aos 35 anos sem outros horizontes, nem outra paisagem, condenado possivelmente para sempre a não realizar nunca completamente o menor dos meus desejos. Não faço ideia do rumo em que vou nem do destino para que sigo. Sei apenas que de momento me sinto absolutamente demolido. E ninguém me entende.”
Henrique Galvão, Um Herói Português, págs. 53-54
Henrique Galvão, Um Herói Português, págs. 53-54