aqui há tempos, num post que surpreendeu o Pacheco Pereira e o José Mário Silva, disse que a família real de França (diz-se que é "do Mónaco", mas é só para parecer chique) era a minha preferida, o Rui Ramos e a Maria Filomena Mónica (com quem, aliás, ontem sonhei que tinha um caso sexual) vieram logo a coiso dizer que eu me estava a revelar uma desilusão, "pensava que só lias filósofos dinamarqueses", disse logo o Rui na sua habitual crónica no Expresso, onde, aliás, tem uma foto com o cabelo substancialmente mais comprido e a cara mais bolachuda do que na foto que aparece esta semana na Sábado, "está tudo bem?", perguntou depois a Maria Filomena num post-scriptum (por falar nisso, para dizer a expressão 'por exemplo' a Maria Filomena usa as iniciais 'v.g.', de 'verbi gratia', que é 'por exemplo' em latim ou lá o que é, deve ser por isso que a acho linda, e daí a ter sonhos é um saltinho) também na sua crónica no mesmo pasquim, pasquim, esse, diga-se, que estava a ser lido por um velho num canto esconso do centro comercial Turim ontem quase à meia noite, local onde me desloquei para ver um concerto de malta amiga depois de ter estado a comer um magnum amêndoas, um prego e meio, dois panachés, um rol, um pires de caracóis e um pires de tremoços (estes dois ítens comidos a meias com uma pateta amiga que fez questão de pagar a conta, dizendo depois: 'pagas as bebidas no concerto', e eu claro que disse 'está bem', bem sabendo que não se ia beber nada no concerto, como não se bebeu),
"está, está tudo bem", respondi à Maria Filomena Mónica por sms, "não contes ao António, beijos", concluí, aliás, Maria Filomena, eu sigo tanto este assunto que nem sabia que o dono da minha família real preferida ia casar no sábado, e até foi uma estupidez não ter sabido, é que, por razões técnico-tácticas, passei a tarde de sábado em casa; mas derivado ao facto de já ter ido comprar super bocks minis, nem sequer liguei o televisor, que por acaso está agora no chão, com o rabo empoleirado no degrauzinho da lareira e uns jornais à frente a equilibrar, isto porque o móvel estava a criar barriga, e fiquei com medo que se partisse e tal, tenho de comprar, lembrei-me agora, toalhetes para os vidros, um esfregão de lava-loiça, um pacote de coisos e frango, então já estive a ver alguns jornais estrangeiros e tal e depois apareceram algumas coisas em alguns blogues e no facebook, e por causa do que se diz fui ver fotos e vídeos no youtube, e parece que a Charlene estava triste, ou lá o que é, isto porque não se ria, ainda chegaram ao ponto, como já li por aí, e ouvi hoje de manhã quando fui buscar as calças à costureira (mandei pôr umas bainhas e ontem tive uma paragem massoencefálica quando ela me perguntou se queria as bainhas originais ou não, eu disse as originais, tungas, burro, onze euros, as não originais são cinco, isto é a diferença entre duas linhas amarelas cozidas nas bainhas (as originais) e duas linhas amarelas cozidas nas bainhas (as não originais), ou seja, paguei mais seis euros por duas linhas amarelas cozidas nas bainhas que nem o Moita Flores conseguia discernir a diferença entre as originais e as da costureira do Fonte Nova, nem que tivesse o Hernâni Carvalho e o Amaral (falta-me aqui um nome) a abaná-lo com folhas de bananeira e tanga branca, como faziam em Roma), então a Charlenne (?) não ria no altar e compararam-na com a bifa da Kate com o outro (falta-me aqui um nome também) aqui há umas semanas, ou seja, estão a comparar dois pós-adolescentes-ingleses-com-conta-aberta-em-Albufeira-para-esturricar-as-contas-dos-pais com uma alemã-branca-criada-na-África-do-Sul-e-já-com-trinta-e-tal-anos-depois-de-ter-sido-nadadora-olímpica-o-que-como-se-sabe-é-fodido e um francês-de-cinquenta-e-tal-anos, ou seja, comparar um par de ingleses com um par composto por uma alemã-boer e um francês-careca é como comparar uma brasileira assanhada nos classificados do Correio da Manhã com um português educado,
simples, discreto, civilizado, a descascar nêsperas, assim como me vejo amiúde, rir é então a marca desta malta de agora, rir, rir, rir, expressar, já a Kate, coitada, a outra, a mãe da Maddie, era culpada porque não chorava, andamos, portanto, assim, uma pessoa não ri e parece que há ali qualquer coisa de errado, eu estive aqui a ver as fotos e os vídeos do casamento da família real da França e acho-os adoráveis, como sempre, já to disse, não por serem acolhedores, mas, pelo contrário, por aquele ar de serem intocáveis, inalcançáveis, de ninguém lhes pedir cigarros na rua, e a Charlene, ou Charlotte, como é que se chama a noiva?, chiça, aquela cara debaixo do mosquiteiro Armani onde a enfiaram é uma das imagens do século, eu sou bom nestas coisas das fotos do ano, ou fotos do século, a de uma princesa num conto de fadas que não ri, provavelmente porque se sente esmagada, agora perguntas-me: 'aquela cara é o quê?, não sei, o que sei é que é muito mais, ou pode ser muito mais, do que 'é a de alguém que está triste', uma afirmação que devia merecer, de quem a profere impunemente, uma pena máxima de três anos a ler o que o arquitecto Saraiva escreve, ouvir as piadas do Nuno Markl, ou aturar a Penélope Cruz e os filmes do Almodóvar,
quem se facilita a si próprio analisando estados de espírito pelo vislumbre, ou não, de dentes, não passa de uma serenela andrade com a tensão sexual do josé carlos malato, que tenta em todas as emissões do seu programa deixar o corpo de homem para se tornar numa reformada.