Quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2011

o maracanã do muaythai, parte dois

Bom, terminam aqui as fotos de Bangkok, para gáudio dos meus nove leitores, fartos certamente, assim como eu, que me farto rápido das coisas, para logo a seguir voltar a interessar-me por elas, e depois me fartar outra vez. Há defeitos piores...

Estamos, então, perante a segunda parte da noite no Lumpinee, um estádio de Bangkok para a prática da porrada. É um templo da modalidade, uma referência na cidade (e na região) incontornável. Na altura em que estive nesta bela localidade, não fiz perguntas nenhumas sobre o que via, não falei muito com pessoas, estava-me borrifando. Daí não saber muitos pormenores das fotos. No post anterior (clicar na etiqueta 'Bangkok' no fim do post) não sei, por exemplo, para que servem aqueles óleos que eles besutam nos lutadores. Gostava de saber, mas, sendo eu um tanso, a desilusão nunca é, portanto, uma surpresa. Eu acho que aqueles óleos devem servir para que, quando levarem um pontapé bem dado, o dito 'escorregar' no corpo do desgraçado que o leva, diminuindo a força de atrito, logo, partindo menos costelas do que era suposto. É uma explicação tuga, mas se calhar até está certa. Porque até fiquei com alguma curiosidade, abro os comentários novamente para quem souber e quiser informar (se Deus quiser e me ajudar com a sua luz, fecho-os depois outra vez).

Comecemos pelo aspecto exterior do estádio.
À volta, há várias tendas de comes e bebes. Exposto, o cartaz do dia.

Em baixo, o corredor de acesso entre o ringue e os balneários dos lutadores/casas de banhos, onde tirei as fotos do último post.


Durante os combates, uma pequena 'banda' toca uma musiquinha que nos transporta imediatamente para a Ásia e para os filmes do Bruce Lee.

Tenho alguns vídeos, mas não sei pô-los. Além disso, os lutadores fazem umas danças de 'concentração', ou 'homenagem' (ai esta ignorância...) que são um espectáculo dentro do espectáculo.
A música e as danças podem ser vistas no Youtube. Escreve, por exemplo, Lumpineee Stadium. Este é um bom exemplo:

Eis o aspecto geral do interior.
Se clicares na foto da esquerda, tirada mais perto do ringue, vê-se que é 'ordenada' e 'branca'. É mesmo. No exterior do estádio, há pessoas (voluntários? funcionários?) que encaminham os turistas para este local específico. Assim que saí do táxi apareceu-me logo um à frente (aliás, uma, branca, estrangeira). Encaminhou-me para as bilheteiras, deu-me o programa dos combates da noite, disse-me quanto custava o bilhete e adeusinho boa noite. Tudo muito profissional e eficiente. Os turistas não podem depois andar a vaguear pelo estádio - não podem ir às bancadas, ou pelo menos, não podem ir sem bilhete específico para lá. Não percebi. Acabei por ir na mesma 'passear' por lá, mas foi complicado convencer os seguranças. Na foto de baixo, já estava onde não devia, mas acabei por ir ainda para dentro da 'cerca'.
Foi nestas bancadas que tirei as seguintes fotos. São apostadores, aliás, agentes de apostas. Os apostadores são os espectadores nas bancadas. Nenhum destes agentes era simpático, e nenhum quis posar para a foto. Mas, fazendo-me de parvo (actividade em que estou cada vez mais especializado), fui apanhando-os a pouco e pouco. Posicionados geralmente à frente da multidão, os agentes de apostas carregam molhos de notas, aceitam apostas ao vivo levantando e baixando os braços, apontando tudo em tabelas e papéis. Toda a gente está de pé.
Vamos aos combates.

Em dois dos vértices do ringue fica uma pequena área reservada aos apoiantes de cada um dos lutadores, como se vê na foto abaixo.
São amigos, familiares, etc. Qualquer acção do seu lutador (por exemplo, um murro bem dado nos queixos do outro) provoca uma reacção imediata nesta claque privativa - geralmente, um sonoro "Ohhhh!!". E depois a claque do outro lado faz o mesmo. Em comum, estão sempre aos gritos, puxando pelo seu lutador, incentivando-o. É o equivalente (em magros) à Dona Dolores e à Kátia Aveiro puxando pelo Cristiano atrás de uma das balizas do Santiago Bernabéu. São ruidosos, fiéis, entusiastas, e são tudo aquilo que uma pessoa precisa na vida quando está a levar nos cornos num sítio público.

Ao lado destes camaradas, estão os treinadores. Acompanham os combates com um frenesim indiscritível. Um deles aparece no primeiro post. Levantei o rabo da cadeira reservada aos turistas e plantei-me quase debaixo deles. Ninguém me disse nada. É uma pena a máquina que tinha na altura não ser grande coisa. Mas dá para ter uma ideia. 

E agora a porrada. Mais uma vez, a gerência pede paciência no que diz respeito à qualidade fotográfica. Também só estive uma hora nos combates. Depois fui para os bastidores (que são as fotos do primeiro post).
Está tudo bem com as pessoas fotografadas.

Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011

a profundidade das caricas

Há certos(as) bloggers que são muito parecidos com o José Sócrates numa coisa. Disfarçam uma nítida improfundidade de personalidade e uma gritante falta de talento para se exprimirem pela escrita (ou oralmente), para não falar que ostentam uma elevação de espírito ao nível das solas dos sapatos, disfarçam isso, dizia, com um sólido coleccionismo de citações, de preferência em estrangeiro, mais chique, que vão buscar sabe-se lá onde. Deve haver sites só com citações, ou livros, ou coisas assim. Vão lá e consultam aquilo da mesma forma como vêem vestidos numa loja. Olha esta é boa, estava mesmo a sentir isto. Olha, este é bom, estava mesmo a precisar de um vermelho para combinar com uns sapatos que tenho lá em casa. Ou então, é o fenómeno pré-jantar à mesa do restaurante: apetece-me carne, mas não sei bem o quê - preciso de ver a lista.

Lemos o que escrevem, ouvimos o que dizem, em plena oratória de discurso, em pleno floreado de posts mimosos, e se não se estiver atento é-se capaz de ficar enebriado. Mas eu, que sou a pessoa mais esperta do Mundo, de longe, e não preciso de citar ninguém para o dizer, rio-me sempre destes(as) coleccionadores(as) de citações armados(as) em poetas. Eu percebi tudo em relação a Sócrates depois daquela célebre entrevista em que citou vinte e tal pessoas famosas. Vi logo que aquele homem não era um estadista, era um coleccionador de citações, tão eficiente e superficial como as loiras a coleccionar batons.

Segunda-feira, 7 de Fevereiro de 2011

o maracanã do muaythai, parte um


Felizmente, alguma lata sempre me assaltou nestas ocasiões e entrei nos bastidores sem perguntar se podia. Ninguém me disse nada. Foi uma das melhores coisas que vi na vida. Aqui, os lutadores preparam-se para os combates. Outros vêm deles. Espectadores, treinadores, massagistas e familiares confundem-se. O local chama-se Lumpinee e o seu site é aqui. É um estádio muito famoso na cidade (no Mundo), já tendo sido visitado até por alguns actores de Hollywood. Esta semana ainda ponho aqui algumas fotos dos combates. Não estão nada de especial - na altura, a máquina que usava era de menina. Mas dá para ter uma ideia.

Quinta-feira, 3 de Fevereiro de 2011

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