Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2011

"Olho para trás

e não vejo um entusiasmo, um projecto, uma manifestação qualquer desta ânsia de agitação que nasceu comigo, em que não me tenha sentido absolutamente só. E ninguém em entende. E os que não me entendem o melhor que de mim pensam é que sou um ambicioso banal atormentado por inconfessáveis vaidades. E se neste desentendimento, no qual as minhas qualidades me são muito menos perdoadas que os meus defeitos, tenho de viver sempre, eu não sinto que a vida me possa dar mais nem uma alegria nem uma compensação que me interesse. E, assim, chegado aos 35 anos sem outros horizontes, nem outra paisagem, condenado possivelmente para sempre a não realizar nunca completamente o menor dos meus desejos. Não faço ideia do rumo em que vou nem do destino para que sigo. Sei apenas que de momento me sinto absolutamente demolido. E ninguém me entende.”

Henrique Galvão, Um Herói Português, págs. 53-54

1 comentários:

Maria Flausina disse...

Já tinha alguma curiosidade em ler este livro, agora fiquei ainda mais curiosa.
Há 20 anos, para um trabalho na Universidade, "escrevemos um livro" sobre este Senhor. Apenas porque tínhamos de escrever sobre um autor pouco conhecido e nem sei como acabámos por escolher o Henrique Galvão. Depois desse trabalho é que ficámos a conhecer a sua história e só muitos anos depois (quase estes 20 que já passaram) é que comecei a ouvir falar mais nele.

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