
Hoje, dedicamos (nós puramente majestático) esta rubrica aos corpos. Gosto de corpos. Carne exposta é uma coisa que me satisfaz. Atente-se na foto ao lado. Trata-se de Nené, cujas piadas de ser um tipo "limpinho" o vão perseguir o resto da vida, ainda mais depois do senhor seu filho se tornar a senhora sua filha, na pessoa de Filipa Gonçalves, uma conhecida ex concursante televisiva de um programa cujo nome me assaltou a memória, mas penso ser aquele da tropa. Dizia-se que Nené não sujava os calções, acusação que muito o irritava. Primeiro, porque era sinónimo de bicheza a jogar e depois porque era sinónimo de não se esforçar em campo. A sua carreira desmente isso. Mas que tinha calções limpinhos, tinha. Vê-se aqui que era verdade. Eram tão limpinhos que até os colegas o procuravam para limpar as mãos, ao mesmo tempo que faziam um esgar de prazer, perfeitamente perceptível aqui na cabeça arqueada para trás, a boca aberta e os olhos fechados de Filipovic. Atendendo a que a foto é assinada por um tal de Manarte, penso que este "abraço" (como diz a legenda) se adequa ao contexto histórico.

Cá está. Isto nunca se faz, minha amiga. Admito que, sendo ginasta e tendo nascido com os joelhos tortos, tenha tendência pavloviana de associar o termo "fazer pose para a fotografia" com "abrir as pernas", mas, Maria José, trata-se de um jornal desportivo, ainda mais em 1983, quando havia muito pouca literatura erótica à venda nos quiosques e a Internet era uma miragem. Uma foto que esta jovem se terá arrependido de ter tirado, certamente.


Este post está imparável. Seguimos (nós majestático) a uma velocidade estonteante. Parece uma passagem de modelos. E cá está. Férias de jogadores de futebol. Anos 80, por aí, penso que 1985, que não tirei a data. Repare-se que as fotos são de Nuno Ferrari, monstro sagrado do foto-jornalismo desportivo. Isto era num tempo em que fotografar famosos na praia não era considerado jornalismo de sarjeta, como é hoje. Lembro-me, por exemplo, de ver umas páginas do Expresso, 1975, penso, por aí, com um dos Capitães de Abril fotografado na praia à socapa, a fazer ginástica de cuecas de banho, já não me lembro qual era o Capitão de Abril, ou era o Salgueiro Maia, ou o Otelo ou o João Moutinho, bom, era um deles. Atente-se na foto de nu integral do filho de Toni, com sua pilinha a dar badalo ao ritmo da oscilação da bola na areia. Eram tempos de inocência, que já se perderam. Bonito também a simplicidade das legendas: a Família Sousa, a Família Torres, a Família Toni, a Família Octávio. Gosto muito.
Vamos agora a grande velocidade para o Mundial do México de 1986, aquele onde Maradona comeu os bifes com a mão (piada que só os homens que sabem de futebol percebem). Aqui temos a descontração dos craques. Isto passa-se num tempo em que os jornalistas eram vistos como pessoas boas e os deixavam entrar em quase todo o lado.

Terminamos (nós majestático) por hoje com esta belíssima foto de Carlos Queirós de há 20 anos, com os seus famosos juniores a cobrirem a retaguarda, onde se pode descortinar João Pinto, Figo, Rui Costa, Jorge Costa e tutti quanti. Quem diria que desta piscina, onde certamente se fizeram muitas brincadeiras pueris, estava o futuro, sombrio, doloroso e grandioso, do futebol português? Ninguém diria. Tal como ninguém diria que Toni, o pretinho, se viria a tornar trolha no Luxemburgo. A vida dá muitas voltas, ainda mais debaixo de água.