Quinta-feira, 23 de Setembro de 2010

Há muitos anos... atrás - Parte VI

Hoje, dedicamos (nós puramente majestático) esta rubrica aos corpos. Gosto de corpos. Carne exposta é uma coisa que me satisfaz. Atente-se na foto ao lado. Trata-se de Nené, cujas piadas de ser um tipo "limpinho" o vão perseguir o resto da vida, ainda mais depois do senhor seu filho se tornar a senhora sua filha, na pessoa de Filipa Gonçalves, uma conhecida ex concursante televisiva de um programa cujo nome me assaltou a memória, mas penso ser aquele da tropa. Dizia-se que Nené não sujava os calções, acusação que muito o irritava. Primeiro, porque era sinónimo de bicheza a jogar e depois porque era sinónimo de não se esforçar em campo. A sua carreira desmente isso. Mas que tinha calções limpinhos, tinha. Vê-se aqui que era verdade. Eram tão limpinhos que até os colegas o procuravam para limpar as mãos, ao mesmo tempo que faziam um esgar de prazer, perfeitamente perceptível aqui na cabeça arqueada para trás, a boca aberta e os olhos fechados de Filipovic. Atendendo a que a foto é assinada por um tal de Manarte, penso que este "abraço" (como diz a legenda) se adequa ao contexto histórico.

Cá está. Isto nunca se faz, minha amiga. Admito que, sendo ginasta e tendo nascido com os joelhos tortos, tenha tendência pavloviana de associar o termo "fazer pose para a fotografia" com "abrir as pernas", mas, Maria José, trata-se de um jornal desportivo, ainda mais em 1983, quando havia muito pouca literatura erótica à venda nos quiosques e a Internet era uma miragem. Uma foto que esta jovem se terá arrependido de ter tirado, certamente.

Este post está imparável. Seguimos (nós majestático) a uma velocidade estonteante. Parece uma passagem de modelos. E cá está. Férias de jogadores de futebol. Anos 80, por aí, penso que 1985, que não tirei a data. Repare-se que as fotos são de Nuno Ferrari, monstro sagrado do foto-jornalismo desportivo. Isto era num tempo em que fotografar famosos na praia não era considerado jornalismo de sarjeta, como é hoje. Lembro-me, por exemplo, de ver umas páginas do Expresso, 1975, penso, por aí, com um dos Capitães de Abril fotografado na praia à socapa, a fazer ginástica de cuecas de banho, já não me lembro qual era o Capitão de Abril, ou era o Salgueiro Maia, ou o Otelo ou o João Moutinho, bom, era um deles. Atente-se na foto de nu integral do filho de Toni, com sua pilinha a dar badalo ao ritmo da oscilação da bola na areia. Eram tempos de inocência, que já se perderam. Bonito também a simplicidade das legendas: a Família Sousa, a Família Torres, a Família Toni, a Família Octávio. Gosto muito.

Vamos agora a grande velocidade para o Mundial do México de 1986, aquele onde Maradona comeu os bifes com a mão (piada que só os homens que sabem de futebol percebem). Aqui temos a descontração dos craques. Isto passa-se num tempo em que os jornalistas eram vistos como pessoas boas e os deixavam entrar em quase todo o lado.
Chamo particular atenção para este detalhe, em baixo, do grande José Torres, de perna aberta, cueca bem preenchida e exposta à saciedade, bigodaça proeminente e pêlos fartos no peito. Vê-se ainda Jaime Magalhães, de cueca branca, e o outro penso ser Carlos Manuel. Todos a fazer "uma pausa nos problemas". Estão aqui expostos claramente os primórdios dos anúncios da Armani underwear, made by David Beckham e Cristiano Ronaldo, estes já com a ajuda do photoshop para preencher "conteúdos".


Terminamos (nós majestático) por hoje com esta belíssima foto de Carlos Queirós de há 20 anos, com os seus famosos juniores a cobrirem a retaguarda, onde se pode descortinar João Pinto, Figo, Rui Costa, Jorge Costa e tutti quanti. Quem diria que desta piscina, onde certamente se fizeram muitas brincadeiras pueris, estava o futuro, sombrio, doloroso e grandioso, do futebol português? Ninguém diria. Tal como ninguém diria que Toni, o pretinho, se viria a tornar trolha no Luxemburgo. A vida dá muitas voltas, ainda mais debaixo de água.

Terça-feira, 21 de Setembro de 2010

Há muitos anos... atrás - Parte V

Dezembro de1983, jornal Record, a voz da nação.

Segunda-feira, 20 de Setembro de 2010

Domingo, 19 de Setembro de 2010

Há muitos anos... atrás - Parte III

Este recorte amarelecido pelo tempo data de 1980 e diz respeito ao distinto jornal O Comércio do Porto. Tem, portanto, 30 anos. Tenho para dizer, primeiro, que, por incrível que possa parecer, antes de inventarem os computadores, as pessoas não usavam computadores, o que não deixa de ser curioso. Usavam, antes, máquinas de escrever, além, claro, de lápis n.º2. Os jornalistas também. Ora, não havendo computadores não havia tanta facilidade em emendar gralhas nos textos como eu tenho em apagar posts que me irritam (já não vou apagar estes). Bom, se ainda hoje passam gralhas nos jornais, imagine-se há 30 anos, quando os jornalistas usavam máquinas de escrever com os mesmos dedos com que antes tinham estado nos copos, sim, que antigamente os jornalistas dedicavam as suas horas livres (há quem diga que também as não livres) a embebedarem-se nas tabernas, ao contrário dos de hoje, que preferem o Facebook. É precisamente essa falta de taberna, essa falta da imprescindível dose de bagaço, que explica porque é que 95% dos jornalistas portugueses que apanhei no Mundial mais pareciam ministros - felizmente que sempre fui rapaz para se desemerdar bem sozinho, se assim tiver de ser (caso contrário, gosto muito de pedir ajuda às pessoas). Bom, vamos ao que interessa. Consegues detectar a gralha estupenda que está neste artigo? Acaso não tenhas olho de águia pesqueira, convém clicar na imagem para ler melhor. Dou uma ajuda: está logo no segundo parágrafo. Boa sorte.

Sexta-feira, 17 de Setembro de 2010

Há muitos anos... atrás - Parte II

Uma fotografia que é um mimo. Corria o Verão de 1996 quando uma ligadura com cabelo era entrevistada pela imprensa toda perante o espanto do país, atónito com o fenómeno. Mas uma observação mais atenta permite perceber que, afinal, se trata de José Mourinho, o próprio, na altura ainda tradutor ou adjunto qualquer coisa de Bobby Robson, os dois acabados de sair do FC Porto e já de malas feitas para rumarem a Barcelona. É precisamente quando vem a Setúbal empacotar os livros e dobrar as peúgas  que Mourinho se espeta na autoestrada e fica neste estado. A pancada na cabeça vai mudá-lo para sempre, tornando-o o melhor, o maior, o grande, o special one. Há dias de sorte e este acidente de carro mudou para sempre o futebol português.

Há muitos anos... atrás (redundância em homenagem à minha amiguinha Mónica) - Parte I



Maio de 1987, Estádio da Luz, tinha eu nove anos. A maior assistência de sempre num jogo em Portugal. Eu estava lá, sentado ao colo. O Benfica ganhou 3-1 ao FC Porto. Ganhou bem. Viste, Mónica? Era no tempo em que o Benfica ganhava a esse teu clube.

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