Segunda-feira, 31 de Maio de 2010

Graças aos portugueses

neste fim de semana não gastei um tostão em alimentação. Tenho ido aos restaurantes fazer umas entrevistas e obrigam-se sempre a comer de borla. E tudo na galhofa. E hoje de manhã vou apanhar uma boleia de carro com um português, que ainda me vai deixar a usar a net na empresa dele.

Respondendo a uma pergunta de um comentário ao post anterior, os portugueses não vêm embora por duas razões: têm a família estabelecida aqui e a África do Sul ainda lhes dá muito melhores perspectivas financeiras do que Portugal, que continua atrasado como sempre. Mesmo assim, muitos foram, incluindo para Moçambique e Angola.

Ainda não fui assassinado.

Sábado, 29 de Maio de 2010

As notas na África do Sul

não têm poetas ou políticos, mas búfalos, leões e veados.

Ontem, num cruzamento, estava em num taxi e passou a frente um tipo a pé com uma metralhadora embrulhada num saco preto.

Ontem, o taxista perdeu-se em Joanesburgo e eu é que lhe estive a explicar a caminho. Perdemo-nos numa zona muito manhosa da cidade, onde hé uma rua exactamente com o mesmo nome da rua onde fica o meu hotel.

Hé portugueses por todo o lado, há nomes portugueses ao virar de cada esquina, e há bandeiras nos carros e nas casas, e há camisolas vestidas por portugueses e por sul-africanos, mesmo nas lojas da Nike o destaque é para a selecção nacional. Ontem estava a ver a ementa de pizzas para almoçar e estava lá uma `Pizza Chourico` - Portuguese Spicy Sausage. Mandei vir uma.

Ontem estive em Sandton (eles dizem Santin), que é uma zona nova da cidade, começada a ser construída há menos de vinte anos, quando os principais hotéis fugiram do centro da cidade por causa da criminalidade. É aqui que a elite sul-africana vai (há um gigantesco centro comercial) e onde os turistas ficam. Almocei na Nelson Mandela Square e vi as primeias sul-africanas bonitas.

Os sul-africanos falam um inglês quase gutural.

Estive três horas a correr os melhores hotéis de Sandton à procura de Internet sem fios. Nenhuma funcionava. E encontrar uma tomada (para carregar o computador, por exemplo) é mais difícil que encontrar um lisboeta civilizado.

Tenho observado os colaboradores FIFA sul-africanos a trabalhar e estou quase a chegar a conclusão que fazer um Mundial de Futebol em África foi uma boa piada da FIFA.São todos muito simpáticos, mas o nivel de amadorismo é gritante.

Ontem o dia correu muito mal, péssimo, uma merda. Mas acadei o dia a jantar num restaurante português muito conhecido daqui, que fica mesmo ao lado do meu hotel. Os donos são portugueses, o gerente é marroquino, os empregados são de Mocambique, Zimbabwe, África do Sul e Marrocos. Trabalham em família. Fiquei umas horas à conversa com o gerente, que me contou quase tudo sobre a vida em Joanesburgo, porque é o que os portugueses não vão embora, etc, etc. Jantei polvo à lagareiro e bebi umas Sagres. Não havia Super Bock

Não me lembro de mais coisas para contar.

Sexta-feira, 28 de Maio de 2010

Quinta-feira, 27 de Maio de 2010

Hoje, o meu pequeno almoço aqui na espelunca

foi panrico com manteiga de amendoim. Não comia manteiga de amendoim há vinte anos.

A juventude que aqui está hospedada, vinda dos quatro cantos do mundo, dedica-se a beber cerveja (isso acho bem) e a navegar na internet. E ontem vi o que tanto fazem eles na net: Facebook...

A mulher das limpezas daqui é uma mulata com um rabo arrebitado e uma pala de gaze e um penso rápido no olho.

As pessoas que estão hospedadas aqui no hostel só lavam a loiça que sujam quando está mais alguém na cozinha. Quando não está ninguém, deixam a loiça suja em cima da mesa, que alguém há-de lavar. Uma boa metáfora da natureza humana, e como as teorias igualitárias e fraternas de esquerda serão sempre um bela utopia. Digo eu.

Vi de manhã que os dois computadores ligados à net não pemitem que eu ponha lá a minha pen, muito menos ligar a net ao meu portátil. Ou seja, vou ter mesmo de ir para o centro da cidade procurar um Ritz ou um Metropolitan para roubar um bocadinho de internet sem fios.

Quarta-feira, 26 de Maio de 2010

Esta tudo bem, ja estou mais contente

Afinal, aqui esta espelunca tem uma ficha-bicha-tricha-tetricha-filha-da-puta-toda-esburacada-que-parece-um-queijo-suico-onde-se-pode-enfiar-penis-electricos-de-todos-os-feitios-e-tamanhos, esta ficha representa as Nacoes Unidas e acho isso amoroso, de modo que da para enfiar la os meus dois paus e assim dar vazao a necessidade de energia que o computador e a maquina e o telemovel necessitam para serem felizes.

Tambem ja arranjei uma toalha, mas teve de ser sob uma caucao de 5 euros, nao va alguem roubar esta linda toalha que aqui me deram.

Amanha vou dar uma volta ao bilhar grande.

A cidade armada

O titulo talvez seja exagerado, mas hoje percebi porque e que Joanesburgo e uma das cidades mais violentas do mundo. A paranoia do medo esta por todo o lado. Todas as casas tem duas portas, a da entrada e, antes desta, uma porta feita de grades de ferro. Ate as lojas mais comuns. Aqui perto do hotel ha um cabeleireiro chamado Salao Funchal, provavelmente de um portugues, aberto, mas com uma porta de ferro antes. Se nao tiveres o cabelo comprido nao entras sequer...

As casas terreas tem cercas e cercas e cercas, ha cercas e cercas e cercas por todo o lado, quase todas electrificadas, e com sinais a dize-lo claramente. Alem disso, as placas com alarme sao aos milhares e quase todas prometem uma Reaction Armed.

Ninguem aconselha a andar a pe sozinho, apesar da aparente normalidade que se ve nas ruas.

Os sul-africanos aderiram a moda das bandeiras nos carros que se viu no Euro 2004 em Portugal. Alem das bandeiras da Africa do Sul, muitos poem bandeiras dos seus paises ou de seleccoes de que gostam.

Ha mais bandeiras de Portugal em Joanesburgo do que em Lisboa. Seguramente. Estao por todo o lado. Nos carros, nas janelas, nas ruas. E veem-se muitos homens baixinhos e gordinhos, de certeza portugueses, muito longe do aspecto bisontesco dos boers e afins.

Ha mendigos estendidos na relva, trabalhadores almocam no chao, com a comida trazida de casa em tupperwares, vi um condutor de autocarro a almocar enquanto conduzia - uma mao no volante, outra no tupperware. As criancas vao a escola fardadas e ficaram muito surpreendidas quando lhe disse que em Portugal so se usam fardas em poucas escolas. Elas acharam que somos uns sortudos por podermos escolher a roupa com que vamos a escola. Conto por aqui as fotos, nao muitas, porque nao saquei muito da maquina em Joanesburgo. Va-se la saber porque.

O hotel nao tem toalhas na casa de banho, cheira a tabaco por todo o lado, a cozinha e partilhada por todos os hospedes, que lavam a loica conforme a sujam, as tomadas nao dao para o meu computador nem para os adaptadores que trouxe de Lisboa. Os pequenos pormenores continuam a infernizar-me o juizo. Agora, foi um botao da braguilha das calcas que caiu. Os outros ameacam o mesmo. Tenho uma vista soberba para Joanesburgo, mas prevejo um problema todas as manhas porque nao ha cortinas na janela. O hotel tem dois caes labradores muito bonitos que andam por aqui. Alem das cercas e dos alarmes ha muitos caes por aqui a guardar propriedades. Tambem ha muitas fotos de caes desaparecidos afixadas em postes de electricidade. Geralmente, por baixo, ha grandes folhas A3 com as manchestes do dia dos tabloides sul-africanos.

Os problemas com a internet e com as tomadas do computador estao-me a deixar apreensivo. Preciso de fazer umas fotos e mandar texto para Lisboa rapidamente e o hotel tem aqui um aviso a dizer que nao quer uploads nem downloads. Mesmo que quisesse, sem poder usar o meu computador nao posso editar fotos nem escrever textos. E preciso de vir varias vezes a internet, mas isto esta sempre ocupado, porque ninguem desgruda do hotel. Gostava de saber o que esta gente veio fazer a Joanesburgo se nao saem do hotel, mas nao ando com paciencia para conversas com estranhos. Tenho de arranjar um bom hotel internacional e montar-me na recepcao e esperar que haja internet sem fios. Enfim, tenho de me fazer a vida.

Estou aqui ha um dia e vou ficar mais quatro.

Mais de um mes num pais deste sem poder conduzir um carro e masoquismo. Sempre de um lado para o outro a pe, sempre ha procura de taxis, etc, etc.

Nao poder desabafar e dizer asneiras com alguem aborrece-me bastante.

Triste, viajar sozinho e` triste.

Cheguei a Joanesburgo e a sorte voltou a piscar-me olho

e a fugir depois, a correr tao desajeitadamente como o Tom Sawyer. Fui levantar dinheiro a um ATM do aeroporto e assim que la pus o cartao a maquina informou-me que tinha sido vitima de uma tentativa de intrusao (usou outra expressao mas agora nao me lembro qual). Assim que passou a mensagem, engoliu-me o cartao, de modo que a estadia comecou da melhor maneira... Estava sem dinheiro num pais `aborrecido`, sem cartao e acabado de chegar.

Felizmente, as seis e meia da manha o banco do aeroporto ja estava aberto. A senhora que me atendeu pegou num livro escolar rasurado em todas as paginas com centenas de contactos e ligou para alguem, que me iria resolver o problema em meia hora. Esperei e o cartao apareceu.

A menos de um mes do Mundial, algumas perguntas minhas no balcao de informacoes no aeroporto pareciam vindas de Marte. Ninguem sabe nada, ninguem sabe resolver nada, quase todos encolhem os ombros. O sistema de transporte de jornalistas do aeroporto para os hoteis nao esta a funcionar, e duvido que venha a estar, nao ha o tao falado corredor de vistos so para jornalistas. Talvez isto ainda venha a haver. Por enquanto esta tudo misturado com os fas que tenham bilhete.

Para terem uma ideia do amadorismo (apesar da boa vontade de todos) do que tenho visto ate agora, quando fui pedir a acreditacao para o evento tive (tal como os outros jornalistas) de me por na fila onde estavam tambem a pedir a acreditacao dezenas de Voluntarios, alguns dos milhares de sul-africanos que se inscreveram para participar no evento. Toda a gente e simpatica e mais ou menos acessivel, mas o nivel de profissionalismo deixa a desejar.

Vejam que quando fui pedir acreditacao fui revistado de alto a baixo e a saida foi a mesma coisa, principalmente com o que levava dentro da mochila, o que nao deixa de se estranho, uma vez que a acreditacao resumiu-se a passar por quatro salas sentado em quatro cadeiras de frente para quatro mesas onde estavam quatro funcionarios sul-africanos. O que poderia ter eu roubado nestas circunstancias e do dominio do imaginario.

Estou a escrever do hotel manhoso onde estou instalado, onde ja devem ter reparado na ausencia de pontuacao e outras coisas do teclado. Estou a escreve a pressa, porque ha mais gente na fila. O hotel, alias a pousada, esta cheia de jovens europeus, que, estranhamente, nao saem daqui. Hoje, contrariando as recomendacoes do nosso atencioso governo, fui a pe ate ao estadio Ellis Park e andei mais de quatro horas pelas ruas.

Joanesburgo `e a cidade mais estranha onde ja estive e talvez perceba porque e que esta gente nao sai do hotel.

Terça-feira, 25 de Maio de 2010

É uma da manhã e daqui a sete horas estarei acordado,

não que precise, porque o voo é só às seis da tarde, mas o voo demora doze horas e quero sentar-me no avião pedrado de sono, não vá aparecer a Cate Blachett encaixada numa farda da TAP e conseguirei o objectivo de atravessar África a dormir, mas que venha a Cate, e que venha o gordinho que tradicionalmente apanho sentado ao meu lado nestas grandes aventuras aéreas, não faz mal, faço de bicho-de-conta e adormeço como um tolinho, de boca aberta, cabeceando o ar, babando-me da boca, pés descalços, rabo vincado nas calças, calças vincadas no rabo, calças e rabo colados como macho e fêmea depois da queca, chego ao destino amanhã às seis da manhã, esperando-me um mundo novo de aventuras e contratempos, mais contratempos do que aventuras, mais azar do que sorte, já sabem o que esta casa gasta, entretanto, de manhã, esta manhã, que ainda há-de ser, porque escrevo à uma da manhã, terei de tomar várias decisões fulcrais para a minha vida futura, coisas que já devia ter decidido, mas que andei a adiar e a adiar até à última, mas que agora tem de ser, vou ter de decidir nomeadamente se levo sabonete ou gel de banho, ou os dois, se levo dois pares de ténis ou três, quantas t-shirts levo, que casacos escolho, e coisas assim,

Lisboa despediu-se de mim em grande, ontem, fundi mais uma lâmpada em casa, a décima quarta este ano, além disso, à tarde, dois balões de água entraram pela janela do quarto, devidamente aberta por mim, oportunamente apetitosa para meia dúzia de garotos a brincar a um Carnaval tardio, ou antecipado, fui à janela mas já não os vi, um dos balões rebentou contra o armário e molhou o chão, calhou bem porque precisava mesmo de o limpar, então peguei na esfregona, passei-a pelas partes molhadas e assim fica já um bocado limpo, menos sobra para hoje, o outro balão de água entrou também pela janela do quarto, mas não bateu no armário, passou pela porta, que fica no enfiamento da janela, atravessou o hall e passou a grande velocidade pela sala, indo imobilizar-se aos saltinhos nas pernas da mesa, intacto, fiquei alguns segundos à espera que a granada explodisse, mas um olhar apurado informou-me, desiludido, que não era uma granada, nem de fumo, nada, era mesmo isso, um mero balão de água que não rebentou,

vou para uma cidade tida como uma das mais violentas do mundo, mas não me assusto, apesar de, sinceramente, não me apetecer muito ser assassinado nos próximos dias, mas, olha, se for já sabes porque deixei de escrever aqui, há um blog que costumo visitar cujo dono deixou de escrever durante uns tempos, pensei que tinha acabado com o blog, mas estava apenas gravemente doente, isso fez-me pensar nisso, não é o meu caso mas há pessoas que têm blogs com milhares de visitantes, imagine-se que essa pessoa morre, o blog deixa de ser actualizado e as pessoas pensam que o dono assim quis, mas não, aconteceu que o dono morreu, e como com ele morreram as passwords não há ninguém que depois possa lá ir escrever assim um post:

'Lamentamos informar, mas este blog acabou
devido ao falecimento do proprietário.
A família.'

Quinta-feira, 20 de Maio de 2010

Os portugueses desenrascam-se bem no Mundo, e cá,

porque tudo à volta deles está feito para lhes complicar a vida, das coisas mais 'elevadas', de que me abstenho de comentar, até às mais simples, como o metro e os comboios, vê este exemplo, hoje estava em Benfica para apanhar o comboio para Sintra e ouvi a senhora do altifalante a anunciar a chegada do comboio, a senhora podia simplesmente dizer assim: 'O comboio com destino a Sintra vai dar entrada na Linha 1', não te parece simples?, claro que é, mas o que se ouve nas estações da CP é qualquer coisa como isto: 'O comboio suburbano de Lisboa, precedente de Lisboa-Rossio, com destino a Sintra, vai dar entrada na Linha 1', como?, eu, que sou inteligente, licenciado (uma coisa não implica a outra), leio livros e já andei a vadiar várias vezes pelo Terceiro Mundo, eu não consigo perceber isto à primeira, tal é o excesso de informação desnecessária e rídícula, estar em Benfica e ouvir dizer que vem aí o comboio suburbano de Lisboa é claramente uma parvoíce, a não ser que haja alguém que esteja em Benfica e ache que está na Régua, aí sim, já dá jeito saber estas coisas,

o excesso de informação é uma coisa típica de quem decide estas coisas em Portugal, sabes, no comboio para Sintra ia um casal de lésbicas italianas, a palavra 'lésbicas' é medonha aqui, atendendo a que elas eram bem giras, com aquelas estruturas faciais bem ossudas que os italianos e os gregos têm, a mais bonita foi a viagem toda a fazer uma massagem nas costas da mais feia, não era feia, era era mais feia que a mais bonita das duas, a que recebia as massagens tinha um decote agradável, de onde espreitavam umas maminhas muito interessadas na paisagem que ia correndo nas janelas, de Queluz ao Cacém, da Reboleira a Mem Martins, o que não deixa de ser curioso, a italiana não se interessava pelos subúrbios de Lisboa, mas as suas maminhas estavam bastante atentas, tinham as duas a pele branca e cabelo curto, estava a falar de quê?,

do excesso de informação, não, do défice, que é quando os tipos fazem sinaléticas e instruções que partem do pressuposto de que as pessoas já sabem, nunca ninguém lhes disse que se partem do pressuposto que as pessoas já sabem não vale a pena fazer instruções, nem estou aqui a falar daquelas placas na estrada do 'Trânsito Local', falo, por exemplo, do Metro de Lisboa, que tem bilhetes para estações que ficam em Lisboa e bilhetes para estações que já ficam fora de Lisboa, mas como é que se sabe o que é dentro e fora da cidade?, bom, uma vez que algumas estações têm nomes bastante estranhos (lá está...) temos de recorrer ao mapa da rede (perdão, o Metro chama-lhe 'Diagrama da Rede', o que além de ser um excesso de informação, me parece redundante), mas vamos a um exemplo, repara neste mapa do Metro de Lisboa, perdão, neste 'Diagrama da Rede':


Está perfeitamente identificado pelo contraste do branco com o cinzento o que fica fora de Lisboa (mas repara como o Metro não lhe chama 'Lisboa' e 'Fora de Lisboa', nomes muito mais fáceis; chama-lhe 'Coroa 1' e Coroa L', dois nomes absolutamente esclarecedores...).

Agora, lanço-te um desafio, deduzindo que não és de Lisboa e não percebes nada disto: as estações Pontinha (linha azul) e Senhor Roubado (linha amarela) ficam dentro ou fora de Lisboa? Não sabes? É normal. Neste 'Diagrama da Rede', a linha que divide Lisboa passa exactamente pelo meio destas duas estações. Assim, tens duas hipóteses: ou adivinhas ou deduzes... Isto é o exemplo típico da informação insuficiente.

Neste mesmo mapa tens outro exemplo, agora de informação em excesso. Repara que as linhas têm cores diferentes. Podiam ser chamadas simplesmente de Linha Amarela, Linha Azul e por aí fora. E são mesmo. É esse o nome por que são conhecidas. Mas se andares no Metro de Lisboa ou olhares para este mapa à esquerda em baixo, reparas que cada linha foi... rebaptizada. Uma chama-se Linha Girassol, a outra é a Linha Gaivota e por aí fora, isto com os símbolos do girassol e da gaivota e os outros espalhados depois pelo mapa, tentando o utente fazer uma associação, que se supõe imediata, entre o girassol e a cor amarela, e a gaivota e a cor azul (?) ou a caravela e a cor verde (??), ou seja, cada linha tem dois nomes, um referente à cor, outro referente a um objecto que (supostamente) simboliza essa cor, cor que depois dá nome à linha, num paranóico círculo vicioso de nomes, cores, significantes, significados, etc, etc...,

isto para não falar do nome das estações, alguns claramente a apelar à efabulação e ao espírito visionário, como a do 'Jardim Zoológico', uma coisa que fica em Sete Rios, mas a estação não se chama Sete Rios, chama-se, lá está, 'Jardim Zoológico', o que é o equivalente a uma pessoa ir a Paris e dizer 'vou ali ao Arco do Triunfo', ou seja, não se designa o local onde vamos ou onde estamos pelo seu nome, mas pelo que lá há, se não souberes o que lá há, aí, já é um problema teu.

A mesma coisa com a estação Avenida. Quem é de Lisboa sabe que é referente à Avenida da Liberdade, ou seja, se quero ir a esta avenida desço nesta estação. Quem não é de Lisboa, ou seja, quem realmente precisa deste mapa, tem mais uma vez de 'deduzir' ou 'adivinhar' que esta 'Avenida' é a Avenida da Liberdade, e não outra qualquer, das várias dezenas que a cidade tem. E este princípio do Metro é replicado em inúmeros exemplos, que se multiplicam em cada minuto, em todas as instituições, basta sair de casa, em Lisboa ou qualquer cidade do país, é por isto que os portugueses são tão desenrascados, porque vivem rodeados de portugueses, fora isso está tudo bem comigo, não te preocupes.

Terça-feira, 18 de Maio de 2010

O fenómeno 24horas, ou a Encarnação do Mal explicada às criancinhas

- Então, tudo bem?
- Tudo. Estou com um cancro, mas, fora isso, está tudo bem.
- Estás com cancro?!
- Estou. E a culpa é do 24horas.
- Do 24horas? Porquê?
- Não sei. Mas a culpa é do 24horas.
- Mas eles escreveram alguma coisa?
- Sim.
- Mas tu de qualquer maneira não ias falar disso no Expresso, ou na Sábado, sei lá?
- Ia. Por isso mesmo. A culpa é do 24horas.
- E não me digas que já puseste isso no Facebook?
- Pus... Mas foi só para os amigos, pá.
- Quantos amigos tens?
- 4500.
- Mas dizes que a culpa é do 24horas...
- Claro!
- Mas porquê?
- Porque falaram que eu tinha um cancro.
- Mas tu não ias falar na mesma? Não puseste isso no Facebook?
- Pus, mas não interessa. Aquilo não é um jornal. É uma merda.
- Porquê?
- Porque sim.
- Hum... E de resto?
- Olha, também ando à rasca de um dente...
- Isso é que é mau...
- E a culpa é do 24horas.
- Da dor de dentes?
- Claro.
- E dói-me a barriga e de certeza que a culpa é deles.
- Do 24horas?
- Claro.
- Mas porquê?
- Porque sim. Aquilo é jornalismo de sarjeta, pá.
- Pois...
- E a minha prima ontem ia na rua, vê lá tu o que lhe aconteceu, pisou um cagalhão e espatifou-se no chão.
- Coitada...
- De certeza que foi o 24horas.
- O quê...?
- Sim, sim. Foi o 24horas que pôs lá o cagalhão. Tu sabes lá do que aquela gente é capaz...
- Não acredito muito, mas pronto...
- Oh pá, a culpa é do 24horas. Não tenhas dúvidas disso.
- Mas culpa de quê? Do cagalhão ou do cancro?
- Dos dois. E da dor de barriga.
- Mas isso não terá sido de alguma coisa que comeste?
- Não, foi o 24horas. Tenho a certeza.
- Porquê?
- Porque sim.

Domingo, 16 de Maio de 2010

Na última semana em Portugal,

acaso tivesse aqui caído vindo de um tempo qualquer, vindo talvez do tempo da ditadura, ou de mais longe ainda, sentiria irresistivelmente uma sensação de familiaridade, de que tudo está igual, de que nada mudou, um par de mamas enxertadas e uma vagina pêssego bebé causa 'alarme social' e obriga a 'tomar medidas', um país e uma imprensa anestesiados pela visita do santo pastor, que caminha de costas arqueadas do peso que tomou para si de decidir dos corpos dos outros, do peso dos irmãos comedores de cus de rapazes, e um pretendente ao trono real dizendo num jornal que 'tornar obrigatório a educação sexual resume-se a dizer: forniquem à vontade', o sexo, sempre o sexo, o eterno sexo que atormenta os homens iluminados, que tapa, humilha e ridiculariza as mulheres nos livros sagrados, invejo a força e a determinação destes homens que há séculos lutam para tornar a coisa mais natural do mundo no prática mais imoral, amoral e anti-natural de todas, os problemas que suscita um músculo enfiado num buraco é para mim um mistério insondável, não sei, não entendo, preciso de ler mais para saber e entender, zoologicamente o que é que diferencia o pénis de Dom Duarte Pio na vagina de Dona Isabel de Herédia do pénis de um cão encavalitado numa cadela?, nada, interessa-lhes a sobrevivência da espécie e a perpetuação dos genes do macho, o cão quer os seus cachorros nas ruas, Dom Duarte quer os filhos a suceder no trono, nada mais há do que isto, os genes da sobrevivência e da dominação, nas galinhas, nas formigas, nos golfinhos, nos insectos, nas plantas, nos macacos, nos homens, os genes da sobrevivência e da dominação, nada mais do que isto, há milhões e milhões de anos que é assim, que se racionalize o preço do pão, entendo, que se racionalize a construção de um arranha-céus, entendo, que se racionalize a receita do cozido, entendo, custa-me entender os homens iluminados que racionalizam o sexo, a única coisa que ainda temos em comum com os cães, preciso de ler mais para perceber porque é que as religiões são tão úteis quando estamos a morrer e nos perseguem tanto quando estamos vivos.

Quinta-feira, 13 de Maio de 2010

Redundâncias

como a Fátima Campos Ferreira a fazer directos a partir de Fátima, não se trata de uma coincidência, aquilo que a jornalista (penso que ainda é) Fátima tem dito sobre a visita do Papa Bento 15+1 torna-a, quando precisamente situada em Fátima, numa redundância quase pornográfica, no sentido 'over' do termo, Fátima é Fátima, Fátima em Fátima é ainda mais Fátima, não gosto de jornalistas travestidos de relações públicas, jornalistas de causas, tese e antítese em duas pernas de cócoras, jornalistas macios e amaciadores, que conseguem entrar nas casas dos jogadores e dos 'famosos', que ganham as entrevistas exclusivas, e ganham-nas exactamente por não serem jornalistas, não gosto porque os jornalistas que andam de pé não as conseguem, exactamente por serem jornalistas, quem disse que a concorrência faz bem à imprensa enganou-se redondamente,

o Papa Bento 19-3 falou hoje contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, nisso não concordo com o Papa Bento 6+10, os maricas têm tantos direitos como os outros, até a serem gozados, como gosto tanto, Marco Martins tem um novo filme nas salas, sabes, e ainda não sei se devo cortar os pulsos ou ver um filme de Marco Martins, Pedro Costa também tem novo filme, outro que me deixa com os pulsos em suspense, corto, não corto, corto, não corto, já o Avô Cantigas tem novo CD, mas o Avô Cantigas é como o casamento entre maricas do mesmo sexo, está tudo à vontade, aí, já sabes, a minha posição é completamente contrária à do Papa Bento 9+7, hoje apanhei um taxista que dizia 'isto é que não há maneira de ir abaixo...', referia-se a um prédio, depois mais à frente: ´isto é que não há maneira de acabarem com isto...', era a Cova da Moura, mais à frente: 'isto é que não há maneira arranjarem os acessos...', felizmente o Papa Bento 16+0 está quase a ir-se embora,

Sócrates mudou de ideias e aumentou os impostos, depois de ter mudado de ideias e ter adiados as obras, Sócrates muda tanto que não sei se é burro ou se é mentiroso, mas não o censuro, com o calor gosto de cerveja, se há chuva bebo um café, as decisões importantes da minha vida (pedir uma cerveja ou um café) mudam consoante o clima, porque é que Sócrates devia governar diferente?, nisso o Papa Bento 23-7 é muito mais coerente, faça chuva ou sol os maricas não podem casar, curioso como a burrice que não muda encaixa tão bem com a burrice que muda todos os dias, Cavaco gostou muito quando o Papa Bento 4+12 repetiu os nomes dos netos conforme lhes ia dizendo, Mariana, Afonso, Manuel, e o Papa Bento 32-16 repetia 'Mariana, Afonso, Manuel...', Cavaco disse na televisão que esse foi um momento muito especial para ele, hoje no café entrou um miúdo com um cão grande e disse: 'senta', o cão sentou-se e o miúdo olhou para os presentes com a basófia que só os miúdos têm, a esse propósito, sabes, sempre quis ter um papagaio e ensinar-lhe nomes.

Quarta-feira, 12 de Maio de 2010

Vê a reformada que foi a Fátima

e 'nem uma bolha fiz', disse ela agora na televisão, eu às vezes fazia bolhas a jogar matraquilhos, sou bom nos matraquilhos, sabes, a senhora ainda não sabia dizer o que achava de Bento, porque Bento estava ainda há 'pocuxinho tempo no papado', mas gostava muito do 'papa anterior, Paulo VI', isto a mim também me acontece muito, esquecer nomes, falhar nomes, uma paródia, hoje fui cortar o cabelo e voltei a entrar num autocarro da Carris, que é uma coisa que a minha religião não me permite, todos os autocarros da Carris têm nestes dias dois corninhos à frente onde estão bandeirinhas do Vaticano ou de qualquer coisa amarela e branca, e nos visores electrónicos dizia que a Carris saúda Bento, o Bento era um grande guarda-redes do Benfica, sabes, que veio do Barreiro para jogar no Benfica e uma vez partiu uma perna num Mundial, ou antes ou lá o que é, o Bento já morreu, já este Bento ainda está vivo, a minha fé em Deus, já te contei aqui, foi por água abaixo quando ia apanhar pardais para os jardins de Campo de Ourique e não apanhava nenhum e ia pedir ajuda na Igreja de Santo Contestável e continuava sem apanhar nenhum, se Deus não me conseguia ajudar a apanhar pardais nunca me iria ajudar a ser feliz, percebi isso facilmente, o padre Borga estava na RTP a usar metáforas em tudo, da Via Verde à faina, para dizer que Deus está em todo o lado, a minha dimensão espiritual, sabes, resume-se à existência, ou não, de Super Bock no frigorífico, agora vou-te mandar uma piada ao estilo Facebook: 'sabes o que é que o Papa jantou ontem?, foi bacalhau espiritual, e de sobremesa comeu uma maminha de noviça, ahahahaaha', no Facebook tem de se pôr um 'ahahahahaha' no final, não é?, ai de quem não seja feliz hoje em dia, e pateta, é absolutamente essencial ser pateta, eu estou bem tramado, sabes, não sou feliz, nem sou pateta e quero que o Papa se dane, mas também não faço disso em drama, está-se bem, desde que haja Benfica e cerveja e bolos e café e livros estou em paz, curioso como basta tão pouco para se ter uma ilusão de paz, uma coisa que nenhuma religião consegue, todas têm mandamentos, histórias, estórias, visões da vida e da morte, etc, etc, quando para a paz, não a paz a sério, isso nunca se tem (nem vou falar aqui de felicidade...), a ilusão de paz, para se ter a ilusão de paz bastava isto aos fiéis: 'toma um bolo', ou 'queres uma cerveja?', ou 'pago-te um café à sombra', ou 'toma A Bola', e já está, parece tão simples, não tenho religião nenhuma, sabes, mas isso não significa que não faça as minhas penitências, os meus sacrifícios, um deles é ligar as televisões nestas alturas papais ou nas alturas das 'grandes causas', e assim sangro as costas, esfolo os joelhos, ligo as pálpebras às sobrancelhas com fita-cola e obrigo-me a não pestanejar, a não dormir, obrigo-me a escancarar os olhos contra a luz das multidões alienadas na vacuidade, na ignorância, na patetice, na felicidade ilusória, assim pego na faca e esgravato a espinha, assim me purifico, amén.

Terça-feira, 11 de Maio de 2010

Ainda bem que a Anita vem a Portugal esta semana,

que tinha aqui dois cestos de roupa para passar a ferro, olha, é da maneira que trago o ferro para a sala e ponho-me aqui a aviar fronhas e t-shirts que é uma limpeza, ah, que consolo que isto me dá, são umas maravilhosas tardes de paz e reflexão, Deus vos alumie o caminho, irmãos, Anita sobe o degrau, Anita desce o degrau, trálálálálá, trálálálálá, trálálálálá, Anita vai para aqui, Anita vai para ali, Anita olha, Anita ora, Anita ergue as mãos, Anita ajeita o cabelo, trálálálálá, trálálálálá, trálálálálá, Anita acena, Anita cumprimenta, Anita acena, Anita cumprimenta, trálálálálá, trálálálálá, trálálálálá, Anita come bacalhau, Anita recebe as chaves, Anita junta as mãos, Anita avança, Anita recua, Anita ora, Anita canta, trálálálálá, trálálálálá, trálálálálá...

(espero que a Anita vá à casa-de-banho, que também estou a ficar apertadinho)

Anita aterra em Lisboa, Anita pisa o tapete, trálálálálá,

Anita cumprimenta, Anita acena, Anita cumprimenta, Anita acena, Anita cumprimenta, trálálálálá, trálálálálá, trálálálálá, Anita olha, Anita ouve, Anita fala, Anita pergunta, Anita vai até ali, Anita volta até aqui, Anita sobe o degrau, Anita desce o degrau, Anita ajoelha, Anita reza, Anita cumprimenta, Anita acena, Anita cumprimenta, Anita acena, Anita cumprimenta, Anita sorri, Anita posa, Anita anda, Anita coça-se, trálálálálá, trálálálálá, trálálálálá, Anita sofre, Anita ri-se, Anita cumprimenta, Anita acena, Anita cumprimenta...

(Esperamos sinceramente que a Anita vá à casa-de-banho para também podermos ir (e que apertadinhos que já estamos...) e, de caminho, termos algumas notícias do mundo)

... Anita come bacalhau, Anita bebe sumo, Anita acena, Anita cumprimenta, trálálálálá, trálálálálá, trálálálálá, trálálálálá, Anita cumprimenta, Anita acena, Anita cumprimenta, trálálálálá, trálálálálá, trálálálálá, trálálálálá, trálálálálá, trálálálálá, trálálálálá, trálálálálá, trálálálálá, Anita cumprimenta, Anita acena, Anita cumprimenta, Anita acena...

Segunda-feira, 10 de Maio de 2010

Notas finais sobre a festa do Benfica

Todo o país está a perguntar isto: o que é que um snob-intratável-arrogante-aprendiz-de-pseudo-intelectualóide como eu foi fazer a semelhante festa popular? Simples, duas razões. Primeiro, a curiosidade. Diz-se que entre quatro paredes tem de se experimentar tudo (é o que se diz, hein), pois eu aprecio também estender essa filosofia à rua. Já andei nos sopapos, já cuspi na calçada e outras coisas mais, faltando-me na rua duas experiências: ser assaltado e ir a uma festa do Benfica no Marquês. Felizmente, ontem consegui cumprir um desses sonhos, faltando-me apenas um assalto. Depois, poderei morrer em paz. Se o assalto for à pistola, então, até se matam logo dois coelhos de uma só cajadada.

A segunda razão foi experimentar a máquina neste contexto nocturno de festa e multidões, um teste para o que pode surgir nos próximos tempos. Denoto bastantes olhos vermelhos em fotos tiradas ao longe (onde é que no photoshop se tira isso?) e alguns 'flocos de neve', além, e isso já previa, de algumas dificuldades em tirar fotos ao perto. Optei por comprar uma lente mais 'comprida' e isso paga-se nestas ocasiões em que não há muito espaço para recuar. Denotei os olhares pacientes de alguns benfiquistas a fazerem pose e a foto a não sair porque a máquina não conseguia focar... É o que dá ser maçarico.

Javi Garcia estava claramente com os copos. Além de ter tirado a t-shirt várias vezes (aumentei uma das fotos e reparei na pele 'irritada' do peito, talvez fruto de uma recente depilação à lâmina), passou-lhe pela cabeça atirar-se do autocarro para cima da multidão, qual estrela pop em concerto. Felizmente, o central Rodrick cumpriu o seu papel no plantel, segurando o espanhol pelas pernas e evitando assim que o Benfica tenha de ir ao mercado comprar outro trinco.

Aimar e Saviola estavam sempre juntos, como grandes amiguinhos que são. Mesmo no final do bus, estavam Nuno Gomes, Carlos Martins e Fábio Coentrão. Os três dedicaram-se à nobre tarefa de emborcar Sagres atrás de Sagres, em lata e garrafa (uma delas atirada da multidão para as mãos de Nuno Gomes). A espuma era depois atirada para cima dos índios, num ensaio do que será, naquele local, a visita papal daqui a uns dias. Os índios gostaram bastante da benção. Cardozo estava sentado na frente do autocarro com o pé esquerdo de fora - o pé direito estava a apoiá-lo na parte de dentro, cumprindo assim a sua principal função no estilo de jogo e de vida do paraguaio. David Luiz estava insuportavelmente feliz.

Vários adeptos tentaram queimar uma camisola do FC Porto, mas não conseguiram (ver uma das fotos abaixo). A falta de experiência em comemorar títulos de campeão talvez explique o sucedido. Vários isqueiros depois, longos minutos de espera, e não havia maneira de a camisola pegar uma labareda que se assemelhe, mais ou menos, às bandeiras de Israel a arder na Faixa de Gaza. Os esforços não foram muito bem sucedidos. Sugiro que para o ano tragam um frasco de álcool ou um lança-chamas.

A TSF esteve em grande forma. Apesar de ter um repórter montado num moto atrás do autocarro, a rádio às tantas não sabia a quantas andava. Poupo-te os pormenores, mas deixo-te um: a dada altura, outro repórter, este no Marquês, dizia assim: 'Bom, se calhar é melhor ir por exclusão de partes, dali da Fontes Pereira de Melo o autocarro não vem, da Augusto Aguiar não vislumbro nada, da Avenida da Liberdade não pode ser, então o autocarro deve vir da das Amoreiras, sim, deve estar a sair por ali..."

Apesar das secções dos No Name Boys de Chelas e do Casal Ventoso estarem em peso na festa, a mala que trazia às costas não sofreu nenhuma intrusão, o que me leva a acreditar no futuro destes bairros lisboetas. Entre a multidão, encontrei uma blogger, chamada não sei quê dos saltos altos, a emborcar uma cerveja em lata na rotunda do Marquês, o que não deixa de ser curioso tendo ele uma nítida afeição pelo Sporting. Mas, sendo loira, deve ser perdoada candidamente. Cometi o erro de me meter na multidão que escoltava o autocarro aos gritos, saltos e empurrões. Houve uma altura em que a força de arrastamento era de tal forma brutal que não sei como ninguém caiu. E nestas coisas já se sabe, basta cair um e está tudo fodido. Estive quase a morrer, que é que julgas?

Vê só quem apanhei na festa do Benfica ontem (Parte III)

Vê só quem apanhei na festa do Benfica ontem (Parte II)

Vê só quem apanhei na festa do Benfica ontem (Parte I)

arquivo

Tecnologia da Blogger.