Voltemos, então, a falar de futebol, assunto de que não falo aqui há muito, mais propriamente a esta rubrica, que me tornou famoso no meu prédio (quem não sabe o que é, basta clicar na etiqueta 'Futebol' no fim do post). Hoje trago coisas ligadas à família, apenas e só porque está a chover lá fora.

Record, quase há trinta anos, Março de 1982. O país era ainda largamente conservador. Mulheres a conduzir era não só um perigo, como uma certa raridade. Daí talvez que uma mulher a abrir nas estradas nacionais 'sem complexos' tenha até merecido manchete do Record, naquele que terá sido caso único na história dos jornais desportivos para este desporto. A apimentar o caso, o facto de a maluca ser francesa e um 'borracho', o que provocou 'actos de cavalheirismo' em alguns concorrentes. Uma manchete que deu certamente tesão a milhares de portugueses.

Verão de 1989, A Bola. Uma primeira página revista Caras, com direito a espectacular título, "Ai meu S. Futebol Casamenteiro." Trata-se dos casamentos de Toni e Rui Barros com as respectivas mulheres, sendo que neste último caso, o jornal, numa muito subtil piada, chama "casalinho", fazendo, obviamente, alusão à baixa estatura de Rui Barros e sua consorte. As duas molduras dão o toque final a uma primeira página comovedora.

Junho de 1987 e eis um dos meus títulos preferidos de sempre (também gosto muito do "petiscou caracoletas" no ante-título), não só pelo conteúdo, como pelo estilo telegráfico 'Eu Tarzan, Tu Jane, 18 anos, Ermesinde!' - responsabilidade do jornalista d'A Bola, certamente, que, diga-se, aparece ao lado do entrevistado numa das fotos, uma mania que havia na altura, que se perdeu um pouco, mas que voltou agora em força. Diga-se que a 'piada' de Futre com os "únicos" sete clubes em que estava interessado constitui uma daquelas alturas em que uma pessoa mais vale estar calada - recorde-se que ele acabou por ir para o Atl. Madrid. Mas um homem com aqueles óculos escuros não vê bem as coisas.

Numa das edições anteriores desta rubrica, já tinha falado de José Mourinho. Eis o pai, Félix Mourinho, em 1980 - há 30 anos. Da próxima vez que falarem do estilo de José Mourinho, lembrem-se destas imagens (três iguais em contra-espelho naquilo que é uma espectacular paginação) e digam lá se esse estilo pode ou não ser herdado.

Este recorte é muito antigo. Não sei a data porque tive aqui uma falha a catalogá-lo. Mas é antigo, hein? Bom. É uma reportagem com Venceslau Fernandes, grande ciclista, que comemora 45 anos (ah, afinal, é fácil saber o ano deste recorte). O engraçado disto é, obviamente, a foto com as duas filhas - uma delas é, nem mais, a futura campeã mundial Vanessa Fernandes. Se o jornalista soubesse...

Por falar nisso, veja-se este Record de Janeiro de 1983 com 'Os Pastilhas' - um nome que ficaria muito conhecido. Exactamente por isso parei nesta página. Reparei na foto, no ano e lá está, na legenda: "De pé, Luís Filipe, Inácio, Assis..." Quem é este Luís Filipe? É nem mais que Luís Filipe Madeira Caeiro Figo com onze anos. O jornalista nunca poderia imaginar que, numa banal reportagem num banal clube da Cova da Piedade, iria dar de caras com um puto que, anos mais tarde, ser tornaria o melhor jogador do mundo. Há tanta coisa que a gente só percebe anos mais tarde...
Tinha aqui mais coisas, mas isto já está a ficar muito longo. Voltarei.
3 comentários:
adoro jornais velhos. o patrocinador do record para a cobertura do rallye de portugal é um programa. belíssimo post, viva a hemeroteca
sim, mas se estivesse melhor organizada e os empregados fossem mais 'pró-activos' e simpáticos (principalmente os do andar de baixo), seria melhor ainda...
abraço
Não há dúvida que a Bola é o único jornal cultural português, e agora até o Teixeira Pinto lá escreve.
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