o filme em três actos e o folhetim. Por detrás de cada um está uma maneira de ver o mundo, e Ruiz há muito que escolheu a sua. 'Acho que os filmes em três actos - aqueles que começam, desenvolvem-se e terminam em torno de um conflito central - estão demasiados impregnados de ideologia liberal. Um filme em três actos força-nos a pegar numa personagem que quer alguma coisa de concreto e que sabe o que quer - isto exclui à partida 80 por cento da população. E se essa personagem luta pelo que quer, isso ainda exclui mais gente. No final, o protagonista é alguém que corresponde a dez por cento da população', diz, rindo."
(...)
"Mas não é realizador para organizar um casting clássico. Explica o seu método: 'A coisa mais difícil para um actor é estar calado, ficar em silêncio. A pior prova numa escola de teatro é pedir a alguém 'fique aí e não faça nada'. O nada não existe. As mãos mexem sempre um pouco, ou então ficamos como se estivéssemos a guardar a bandeira nacional. Por isso, quando pedimos a um actor para não fazer nada, estamos a aprender tudo sobre ele. Conhecemo-lo pior quando está a representar do que quando não está.'"
Ípsilon, hoje.
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