e a ela incendiei-lhe parte do cabelo quando lhe tentei acender um cigarro - de repente, numa fracção de segundo, metade da cabeleira estava bem enquanto a outra metade ardia vigorosamente em labaredas de cor amarelo claro. Mantive o sangue frio e salvei-a de morrer imolada apagando-lhe o fogo dos cabelos com fulgurantes e sucessivas chapadas na cabeça. Ficou tudo bem, excepto um ligeiro cheiro a porco.
Depois, fomos à festa de lançamento da novíssima revista Penthouse, no Silk, estabelecimento de convívio social très chic de Lisboa onde nunca tinha estado antes (que vergonha...), e onde ontem estive apesar de não ter convite, lacuna que ultrapassei ludibriando os seguranças ao colar-me a um fotojornalista meu conhecido que entretanto chegara (nem sequer me pediram carteira profissional, que por acaso não tinha trazido ontem) - o que me leva a concluir que a selecção de entradas no Silk não está a fugir ao que é habitual nestes estabelecimentos, algo semelhante aos telemóveis de última geração: começam sempre muito caros e exclusivos, mas depois vão baixando o preço e, um ano depois, ficam acessíveis a toda a escumalha, como eu.
Na dita festa, a mesma sensação escaldante e suína: muitas loiras de cabelo loiro e algumas loiras de cabelo moreno, inúmeras grandes-mamas-grandes trespassadas a meio por decotes brancos de blusas brancas, decotes tão impediosos que deixavam metade das tetas ao frio, e que frio vinha da esplanada do Silk, porra, aquele ar que vem quente do Algarve, sabes, mas que esfria no Barreiro, uma aragem gélida que tornava visível na parte de baixo dos decotes estupendos mamilos, que vinham sempre aos pares e tinham a forma de paralelepípedos engelhados, todos eles apontados contra o algodão das blusas, quase como que a querem respirar, sufocados, como quando se vêem os contornos de uma cara que está a ser asfixiada por um saco de plástico. Vi também gostosas e faladoras bocas enxertadas de carne de hambúrger e magníficas tatuagens tribais a começarem nas costas e a acabarem em espectaculares rabos empinados, suspensos no ar devido os ossos do ofício, se é que me estou a fazer entender.
4 comentários:
bela prosa, bela alegoria, mas as chapadas na cabeça da outra... não paro de rir. é que além de fácil, fútil (e fóssil?) também sou uma parva feliz :)
vida difícil a tua, realmente...
Espectáculo!! ahahah posso ser tua amiga? :oP
Eu diria que o cabelo da amiga queimadito é da falta de pratica em dar lume às srªs :)
A descrição da festa esta muito boa, gostei
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