porque tudo à volta deles está feito para lhes complicar a vida, das coisas mais 'elevadas', de que me abstenho de comentar, até às mais simples, como o metro e os comboios, vê este exemplo, hoje estava em Benfica para apanhar o comboio para Sintra e ouvi a senhora do altifalante a anunciar a chegada do comboio, a senhora podia simplesmente dizer assim: 'O comboio com destino a Sintra vai dar entrada na Linha 1', não te parece simples?, claro que é, mas o que se ouve nas estações da CP é qualquer coisa como isto: 'O comboio suburbano de Lisboa, precedente de Lisboa-Rossio, com destino a Sintra, vai dar entrada na Linha 1', como?, eu, que sou inteligente, licenciado (uma coisa não implica a outra), leio livros e já andei a vadiar várias vezes pelo Terceiro Mundo, eu não consigo perceber isto à primeira, tal é o excesso de informação desnecessária e rídícula, estar em Benfica e ouvir dizer que vem aí o comboio suburbano de Lisboa é claramente uma parvoíce, a não ser que haja alguém que esteja em Benfica e ache que está na Régua, aí sim, já dá jeito saber estas coisas,
o excesso de informação é uma coisa típica de quem decide estas coisas em Portugal, sabes, no comboio para Sintra ia um casal de lésbicas italianas, a palavra 'lésbicas' é medonha aqui, atendendo a que elas eram bem giras, com aquelas estruturas faciais bem ossudas que os italianos e os gregos têm, a mais bonita foi a viagem toda a fazer uma massagem nas costas da mais feia, não era feia, era era mais feia que a mais bonita das duas, a que recebia as massagens tinha um decote agradável, de onde espreitavam umas maminhas muito interessadas na paisagem que ia correndo nas janelas, de Queluz ao Cacém, da Reboleira a Mem Martins, o que não deixa de ser curioso, a italiana não se interessava pelos subúrbios de Lisboa, mas as suas maminhas estavam bastante atentas, tinham as duas a pele branca e cabelo curto, estava a falar de quê?,
do excesso de informação, não, do défice, que é quando os tipos fazem sinaléticas e instruções que partem do pressuposto de que as pessoas já sabem, nunca ninguém lhes disse que se partem do pressuposto que as pessoas já sabem não vale a pena fazer instruções, nem estou aqui a falar daquelas placas na estrada do 'Trânsito Local', falo, por exemplo, do Metro de Lisboa, que tem bilhetes para estações que ficam em Lisboa e bilhetes para estações que já ficam fora de Lisboa, mas como é que se sabe o que é dentro e fora da cidade?, bom, uma vez que algumas estações têm nomes bastante estranhos (lá está...) temos de recorrer ao mapa da rede (perdão, o Metro chama-lhe 'Diagrama da Rede', o que além de ser um excesso de informação, me parece redundante), mas vamos a um exemplo, repara neste mapa do Metro de Lisboa, perdão, neste 'Diagrama da Rede':
Está perfeitamente identificado pelo contraste do branco com o cinzento o que fica fora de Lisboa (mas repara como o Metro não lhe chama 'Lisboa' e 'Fora de Lisboa', nomes muito mais fáceis; chama-lhe 'Coroa 1' e Coroa L', dois nomes absolutamente esclarecedores...).
Agora, lanço-te um desafio, deduzindo que não és de Lisboa e não percebes nada disto: as estações Pontinha (linha azul) e Senhor Roubado (linha amarela) ficam dentro ou fora de Lisboa? Não sabes? É normal. Neste 'Diagrama da Rede', a linha que divide Lisboa passa exactamente pelo meio destas duas estações. Assim, tens duas hipóteses: ou adivinhas ou deduzes... Isto é o exemplo típico da informação insuficiente.
Neste mesmo mapa tens outro exemplo, agora de informação em excesso. Repara que as linhas têm cores diferentes. Podiam ser chamadas simplesmente de Linha Amarela, Linha Azul e por aí fora. E são mesmo. É esse o nome por que são conhecidas. Mas se andares no Metro de Lisboa ou olhares para este mapa à esquerda em baixo, reparas que cada linha foi... rebaptizada. Uma chama-se Linha Girassol, a outra é a Linha Gaivota e por aí fora, isto com os símbolos do girassol e da gaivota e os outros espalhados depois pelo mapa, tentando o utente fazer uma associação, que se supõe imediata, entre o girassol e a cor amarela, e a gaivota e a cor azul (?) ou a caravela e a cor verde (??), ou seja, cada linha tem dois nomes, um referente à cor, outro referente a um objecto que (supostamente) simboliza essa cor, cor que depois dá nome à linha, num paranóico círculo vicioso de nomes, cores, significantes, significados, etc, etc...,
isto para não falar do nome das estações, alguns claramente a apelar à efabulação e ao espírito visionário, como a do 'Jardim Zoológico', uma coisa que fica em Sete Rios, mas a estação não se chama Sete Rios, chama-se, lá está, 'Jardim Zoológico', o que é o equivalente a uma pessoa ir a Paris e dizer 'vou ali ao Arco do Triunfo', ou seja, não se designa o local onde vamos ou onde estamos pelo seu nome, mas pelo que lá há, se não souberes o que lá há, aí, já é um problema teu.
A mesma coisa com a estação Avenida. Quem é de Lisboa sabe que é referente à Avenida da Liberdade, ou seja, se quero ir a esta avenida desço nesta estação. Quem não é de Lisboa, ou seja, quem realmente precisa deste mapa, tem mais uma vez de 'deduzir' ou 'adivinhar' que esta 'Avenida' é a Avenida da Liberdade, e não outra qualquer, das várias dezenas que a cidade tem. E este princípio do Metro é replicado em inúmeros exemplos, que se multiplicam em cada minuto, em todas as instituições, basta sair de casa, em Lisboa ou qualquer cidade do país, é por isto que os portugueses são tão desenrascados, porque vivem rodeados de portugueses, fora isso está tudo bem comigo, não te preocupes.

6 comentários:
Ligacao Telheiras-Carnide como prioridade aos lisboetas!!
A estação Jardim Zoologico já se chamou Sete Rios...
E ainda bem que não chamaram a de Entrecampos Feira Popular... agora estavamos bem lixados!!
ora aí está um assunto que mexe comigo... é como a história do outro: "eu expilico, você só compilica"
Senhor roubado?!
Cum caraças...
Deviam experimentar ir ao Porto e andar de metro.
Acho sempre que não tenho o bilhete certo. Mas também não interessa
Concordo com tudo...
Abraços imperfeitos
Enviar um comentário