Todo o país está a perguntar isto: o que é que um snob-intratável-arrogante-aprendiz-de-pseudo-intelectualóide como eu foi fazer a semelhante festa popular? Simples, duas razões. Primeiro, a curiosidade. Diz-se que entre quatro paredes tem de se experimentar tudo (é o que se diz, hein), pois eu aprecio também estender essa filosofia à rua. Já andei nos sopapos, já cuspi na calçada e outras coisas mais, faltando-me na rua duas experiências: ser assaltado e ir a uma festa do Benfica no Marquês. Felizmente, ontem consegui cumprir um desses sonhos, faltando-me apenas um assalto. Depois, poderei morrer em paz. Se o assalto for à pistola, então, até se matam logo dois coelhos de uma só cajadada.
A segunda razão foi experimentar a máquina neste contexto nocturno de festa e multidões, um teste para o que pode surgir nos próximos tempos. Denoto bastantes olhos vermelhos em fotos tiradas ao longe (onde é que no photoshop se tira isso?) e alguns 'flocos de neve', além, e isso já previa, de algumas dificuldades em tirar fotos ao perto. Optei por comprar uma lente mais 'comprida' e isso paga-se nestas ocasiões em que não há muito espaço para recuar. Denotei os olhares pacientes de alguns benfiquistas a fazerem pose e a foto a não sair porque a máquina não conseguia focar... É o que dá ser maçarico.
Javi Garcia estava claramente com os copos. Além de ter tirado a t-shirt várias vezes (aumentei uma das fotos e reparei na pele 'irritada' do peito, talvez fruto de uma recente depilação à lâmina), passou-lhe pela cabeça atirar-se do autocarro para cima da multidão, qual estrela pop em concerto. Felizmente, o central Rodrick cumpriu o seu papel no plantel, segurando o espanhol pelas pernas e evitando assim que o Benfica tenha de ir ao mercado comprar outro trinco.
Aimar e Saviola estavam sempre juntos, como grandes amiguinhos que são. Mesmo no final do bus, estavam Nuno Gomes, Carlos Martins e Fábio Coentrão. Os três dedicaram-se à nobre tarefa de emborcar Sagres atrás de Sagres, em lata e garrafa (uma delas atirada da multidão para as mãos de Nuno Gomes). A espuma era depois atirada para cima dos índios, num ensaio do que será, naquele local, a visita papal daqui a uns dias. Os índios gostaram bastante da benção. Cardozo estava sentado na frente do autocarro com o pé esquerdo de fora - o pé direito estava a apoiá-lo na parte de dentro, cumprindo assim a sua principal função no estilo de jogo e de vida do paraguaio. David Luiz estava insuportavelmente feliz.
Vários adeptos tentaram queimar uma camisola do FC Porto, mas não conseguiram (ver uma das fotos abaixo). A falta de experiência em comemorar títulos de campeão talvez explique o sucedido. Vários isqueiros depois, longos minutos de espera, e não havia maneira de a camisola pegar uma labareda que se assemelhe, mais ou menos, às bandeiras de Israel a arder na Faixa de Gaza. Os esforços não foram muito bem sucedidos. Sugiro que para o ano tragam um frasco de álcool ou um lança-chamas.
A TSF esteve em grande forma. Apesar de ter um repórter montado num moto atrás do autocarro, a rádio às tantas não sabia a quantas andava. Poupo-te os pormenores, mas deixo-te um: a dada altura, outro repórter, este no Marquês, dizia assim: 'Bom, se calhar é melhor ir por exclusão de partes, dali da Fontes Pereira de Melo o autocarro não vem, da Augusto Aguiar não vislumbro nada, da Avenida da Liberdade não pode ser, então o autocarro deve vir da das Amoreiras, sim, deve estar a sair por ali..."
Apesar das secções dos No Name Boys de Chelas e do Casal Ventoso estarem em peso na festa, a mala que trazia às costas não sofreu nenhuma intrusão, o que me leva a acreditar no futuro destes bairros lisboetas. Entre a multidão, encontrei uma blogger, chamada não sei quê dos saltos altos, a emborcar uma cerveja em lata na rotunda do Marquês, o que não deixa de ser curioso tendo ele uma nítida afeição pelo Sporting. Mas, sendo loira, deve ser perdoada candidamente. Cometi o erro de me meter na multidão que escoltava o autocarro aos gritos, saltos e empurrões. Houve uma altura em que a força de arrastamento era de tal forma brutal que não sei como ninguém caiu. E nestas coisas já se sabe, basta cair um e está tudo fodido. Estive quase a morrer, que é que julgas?
4 comentários:
Deves ter andado a dar numa cena esquesita...eu sei que sou gira, mas sei também que sou inconfund+ivel. Eu nunca andaria a beber cerveja com os lamps, apesar de loira...calúnias. Só atravessei a avenida para vir para casa...
Pipoca: Esquesito? Não será esquisito?
Bom saber que tens consciência do que pensam de ti, porque foi mesmo isso que me veio à cabeça.
Já estou a notar melhorias :)
Abraço.
eu avisei que essa jovem era loira...
camarada sérgio, as suas bicadas estão cada vez mais subtis. continue assim.
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