e a fugir depois, a correr tao desajeitadamente como o Tom Sawyer. Fui levantar dinheiro a um ATM do aeroporto e assim que la pus o cartao a maquina informou-me que tinha sido vitima de uma tentativa de intrusao (usou outra expressao mas agora nao me lembro qual). Assim que passou a mensagem, engoliu-me o cartao, de modo que a estadia comecou da melhor maneira... Estava sem dinheiro num pais `aborrecido`, sem cartao e acabado de chegar.
Felizmente, as seis e meia da manha o banco do aeroporto ja estava aberto. A senhora que me atendeu pegou num livro escolar rasurado em todas as paginas com centenas de contactos e ligou para alguem, que me iria resolver o problema em meia hora. Esperei e o cartao apareceu.
A menos de um mes do Mundial, algumas perguntas minhas no balcao de informacoes no aeroporto pareciam vindas de Marte. Ninguem sabe nada, ninguem sabe resolver nada, quase todos encolhem os ombros. O sistema de transporte de jornalistas do aeroporto para os hoteis nao esta a funcionar, e duvido que venha a estar, nao ha o tao falado corredor de vistos so para jornalistas. Talvez isto ainda venha a haver. Por enquanto esta tudo misturado com os fas que tenham bilhete.
Para terem uma ideia do amadorismo (apesar da boa vontade de todos) do que tenho visto ate agora, quando fui pedir a acreditacao para o evento tive (tal como os outros jornalistas) de me por na fila onde estavam tambem a pedir a acreditacao dezenas de Voluntarios, alguns dos milhares de sul-africanos que se inscreveram para participar no evento. Toda a gente e simpatica e mais ou menos acessivel, mas o nivel de profissionalismo deixa a desejar.
Vejam que quando fui pedir acreditacao fui revistado de alto a baixo e a saida foi a mesma coisa, principalmente com o que levava dentro da mochila, o que nao deixa de se estranho, uma vez que a acreditacao resumiu-se a passar por quatro salas sentado em quatro cadeiras de frente para quatro mesas onde estavam quatro funcionarios sul-africanos. O que poderia ter eu roubado nestas circunstancias e do dominio do imaginario.
Estou a escrever do hotel manhoso onde estou instalado, onde ja devem ter reparado na ausencia de pontuacao e outras coisas do teclado. Estou a escreve a pressa, porque ha mais gente na fila. O hotel, alias a pousada, esta cheia de jovens europeus, que, estranhamente, nao saem daqui. Hoje, contrariando as recomendacoes do nosso atencioso governo, fui a pe ate ao estadio Ellis Park e andei mais de quatro horas pelas ruas.
Joanesburgo `e a cidade mais estranha onde ja estive e talvez perceba porque e que esta gente nao sai do hotel.
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