Terça-feira, 23 de Março de 2010

A mulher que anda a incendiar a elite burguesa de Lisboa

chama-se Inês Fonseca Santos, é esta rapariga acima reproduzida numa das poucas fotos dela que há para roubar na Internet, de facto a Inês é muito agradável, e o que nela é ainda mais agradável, além do seu ar de francesa de França, é que a Inês é apresentadora do telejornal cultural diário da RTP 2, cujo nome se me escapa agora porque eu só vejo telenovelas, ou seja, além do seu evidente ar de tesuda (com todo o respeito), a Inês parece que lê coisas e escreve livros (Inês, eu li a tua 'Antologia do Humor Português'), inclusive é licenciada e mestrada e essas coisas que se tiram de dia, eu também gosto muito da Inês, se a visse na rua era capaz de virar o pescoço, e eu raramente viro o pescoço, o que venho aqui dizer é que a Inês, quando se desloca à casa de banho para defecar, fá-lo provavelmente acompanhada por um livro de poesia, isto a crer no que ouvi dela numa recente entrevista na rádio, mais ou menos interrogada (ela a si própria, retoricamente) por as pessoas só defecarem na casa de banho acompanhadas de um jornal (quiçá, desportivo) ou de uma revista (quiçá, feminina) e não de um Withman, um Baudelaire, um Drumond, ou, para não irmos mais longe, um Álvaro de Campos;

seja como for, quero aqui realçar que ela não dizia defecar, ela dizia 'as pessoas irem à casa-de-banho', que, como se sabe, é uma maneira chique que as pessoas chiques têm para dizer: 'as pessoas irem defecar'; ou seja, omitem a intenção e focam-se no local da intenção subentendendo a intenção pelo local em causa como se na casa-de-banho não fosse possível fazer outra coisa que não defecar, independentemente de ser com um livro de poesia ou com um jornal (quiçá, desportivo) ou com uma revista (quiçá, feminina), adiante,

eu sei que a elite masculina burguesa de Campo de Ourique e das Avenidas Novas não imagina a Inês Fonseca Santos de cuequinha (que, tenho a certeza, será de algodão puro com moranguinhos estampados) arreada no tapete oval da casa-de-banho ao mesmo tempo que as suas alvas carnes traseiras estão em contacto com o halo cerâmico Revigres, mas, a imaginá-la assim neste quadro dantesco, é sempre reconfortante saber, ainda por cima por ela, que é possível que nestas alturas difíceis da sua vida, cartase bonzinha sobre o buraco negro, Inês se socorre de um livro de poesia, sexy e levemente dependurado nos seus dedos de pianista francesa de França;

como vêem, meus amigos, nem tudo é pestilento e mau nesta vida, é o que se pode concluir de mais este episódio da vida na cidade.

6 comentários:

S* disse...

Como eu estava a dizer... é demasiada mariquice numa gaja só.

Rei da Lã disse...

Tem ar de quem sabe tratar dos pintos...

Gingerbread Girl disse...

:s

Natália Augusto disse...

:(

Ana disse...

Tu lembras-te de cada coisa... Valha-me nossa senhora...

Há gente assim, tão intelectual que até na retrete lê poesia! Já eu leio uma Cuore ou coisa que valha.

pixie disse...

chique é dizer "vou fazer pu-pu". fazer pu-pu é bom com Calvin&Hobes, Peanuts ou qualquer outra BD de tiradas curtas. tão curtas quanto o pu-pu que houver para fazer. sim, não nos queremos envolver numa ode triunfal "Hé-lá! He-hô" enquanto fazemos um breve pu-pu. acabamos a coisa e depois fica o pu-pu a ressecar enquanto nos cultivamos na retrete. não está bem. o olho não precisa de adubo. já se for uma diarreira persistente, então recomendo o livro do desassossego. em todo o caso, a inês inspira-me boas vibrações.

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