Segunda-feira, 22 de Março de 2010

Estava eu hoje a travar conhecimento com uma cerveja

ali para os lados da Baixa de Lisboa, quando vem um cego a bater com a bengala e a apregoar 'olhó 69! quem quer o 69?!", vem um grupo precisamente composto por menos de seis velhos e velhas e mais de quatro velhos e velhas e pedem uma quantia precisa algures entre duas cautelas e quatro cautelas do 69, depois uma das velhas pede o 27 e o cego faz ali em meia dúzia de minutos dez, vinte, trinta euros, uma das velhas voltou para trás e pediu para trocar uma nota de vinte, então o cego foi ao bolso, acariciou os mamilos das notas, detectou as de dez e deu duas à velha, que em troca lhe deu uma de vinte, isto vi eu, já o cego, como não vê, para se certificar que a velha não estava aprofundar ainda mais o handicap que ele tem para a vida na cidade, apalpou o mamilo da nota de vinte e viu logo que era uma nota de vinte, e assim ficou tudo bem entre estas pessoas de verdade, ao meu lado estava um bêbedo a falar com os pombos, vinha um pombo e ele dizia assim: 'eehhh...!', que é como quem diz 'eh, tás cá hoje?', depois o pombo comia uma migalha e o bêbedo ria-se 'ahahaha!', que é como quem diz 'és cá um sacana, não tens remédio!', depois ia a passar ali em baixo e estavam dois bêbedos, um dizia para o outro: 'Acham que estou morto! Olha, pelo menos fiquei sem dívidas...', o outro ria-se, ando absolutamente fascinado com as pessoas que se põem atrás dos políticos quando eles falam para as câmaras, não me interessa o que os políticos dizem e a cara que fazem e os truques que usam, só fico vidrado nos que estão atrás, tenho de perceber melhor aquilo, estive constipado, mas agora já estou bem, obrigado.

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