de dois mil e nove, que foi um ano a merecer um claro e impedioso epitáfio, fiz alguns rascunhos, mas todos me pareceram lixo, até que fui à janela fumar, duas e meia no relógio, noite cerrada, chuva, frio, vento, e um mocho começou a piar numa árvore lá ao fundo, um mocho ainda na cidade, um mocho que é uma ave nocturna de rapina, é um assento sem costas e é um homem tristonho e misantropo, isto li eu agora no dicionário, e lembrei-me que depois do mocho piar passou um homem sozinho na rua, passou por baixo da janela a desviar-se das poças e a sacar de um cigarro de dentro do casaco,
isto sim é uma despedida condizente com o que foi dois mil e nove, é por isso que não escrevo ficção, a realidade tem arranjado sempre argumento, a realidade tem-se superado, é por isso que leio tanto, tanto, tanto, para perceber, para encaixar tudo em lógicas.
bom ano para vocês todos, especialmente para os meus, que são tantos e de quem tanto gosto.
Quinta-feira, 31 de Dezembro de 2009
Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009
Terça-feira, 29 de Dezembro de 2009
estava um homem no metro
que levava um bigode muito grande, e entre o bigode e o nariz tinha uma verruga enorme, que estava pendurada naquele poste que temos a separar as duas arcadas nasais, de baixo parecia que o homem tinha um piercing de carne tesa, já visto de cima parecia um pequenino ovo de codorniz no ninho.
Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009
ontem cheguei à pastelaria
e o tipo já estava com o palmier recheado naquelas mãos mecânicas que eles têm para agarrar nos bolos, ele tinha-me visto pelo vidro ainda eu vinha lá ao fundo na rua, o café duplo já estava quase a sair, ele começou-se a rir, discretamente, eu ri-me e disse: é isso, é isso,
houve uma fase da minha vida, aqui há cerca de três meses, em que me deu desejos de palmiers recheados, devia ser carência de qualquer coisa, o café duplo de manhã é normal, os palmiers não eram, além disso os desejos coincidiram mais ou menos com a altura em que comecei a frequentar esta pastelaria, de modo que o tipo decorou o que eu queria logo na primeira semana, e já chegámos a este ponto, ele vê-me do outro lado da rua e reserva-me logo o artigo, não vá alguma velha aparecer com ideias, eu gosto da atenção, mas vamos com calma,
eu não escolho os políticos que me governam, escolho os candidatos que antes foram escolhidos pelos partidos, sou vigiado por câmaras em quase todo o lado, o meu telemóvel tem um dispositivo que me localiza imediatamente, dos movimentos com o cartão nem se fala, andamos, como vocês sabem, a viver nestas gaiolas (e a culpa é toda nossa), gostava pelo menos de ter alguma liberdade, alguma, por mais pequena que seja, a liberdade, por exemplo, de entrar numa pastelaria e escolher um palmier ou um queque, uma queijada ou um mil-folhas,
chegar à pastelaria e vê-lo com o palmier recheado reservado para mim foi uma angústia, não tive coragem de lhe dizer 'hoje era uma torrada aparada', porque o que ele está a fazer é uma gentileza, mascarada de profissionalismo, e não quero ser ingrato, não quero que ele pense 'então, guardei-te o palmier e hoje queres uma torrada?', acho desconfortável, mas algum dia vai ter de ser, naturalmente, mas está difícil, de qualquer modo, para o caso de não me conseguir safar desta, já andei a pesquisar na zona para encontrar uma pastelaria alternativa, até porque três meses a comer o mesmo bolo aborrece-me, quem disse que a vida na cidade era fácil?,
entretanto, saí e fui ali a um quiosque de café que fica à entrada do centro comercial, tem aquelas coisas da nespresso, já que não se pode fumar lá dentro ganhei o hábito de ir buscar um café, trazer no copo de papel para a rua e prostituir um marlboro enquanto oiço música e aprecio a fauna hominídea, pois ontem nem precisei de pedir, foi só responder sim duas vezes, 'expresso forte, não é?', 'normal, não é?', ela sabia tudo, o outro sabia que bolo ia comer, esta sabia até a cor da cápsula do café, depois fui comprar frango assado (outro hábito) e a mulher fez a pergunta (retórica, claro): 'não quer molho, pois não?´,
o que eu queria mesmo era liberdade, a última vez que fiquei com os olhos marejados foi num documentário que vi há umas semanas sobre a queda do muro de berlim, com toda aquela alegria dos de leste de poderem ir para onde quisessem, a alegria dos povos que se libertam comove-me, não há alegria maior do que a da liberdade conquistada, maior do que amor, porque se não se tiver liberdade nem para escolher entre um palmier recheado e um caracol como é que se pode amar alguém decentemente?, há coisas que para mim são óbvias, mas isto sou só eu a gozar com vocês, que estiveram aqui a ler quinhentas e tal palavras sobre nada.
houve uma fase da minha vida, aqui há cerca de três meses, em que me deu desejos de palmiers recheados, devia ser carência de qualquer coisa, o café duplo de manhã é normal, os palmiers não eram, além disso os desejos coincidiram mais ou menos com a altura em que comecei a frequentar esta pastelaria, de modo que o tipo decorou o que eu queria logo na primeira semana, e já chegámos a este ponto, ele vê-me do outro lado da rua e reserva-me logo o artigo, não vá alguma velha aparecer com ideias, eu gosto da atenção, mas vamos com calma,
eu não escolho os políticos que me governam, escolho os candidatos que antes foram escolhidos pelos partidos, sou vigiado por câmaras em quase todo o lado, o meu telemóvel tem um dispositivo que me localiza imediatamente, dos movimentos com o cartão nem se fala, andamos, como vocês sabem, a viver nestas gaiolas (e a culpa é toda nossa), gostava pelo menos de ter alguma liberdade, alguma, por mais pequena que seja, a liberdade, por exemplo, de entrar numa pastelaria e escolher um palmier ou um queque, uma queijada ou um mil-folhas,
chegar à pastelaria e vê-lo com o palmier recheado reservado para mim foi uma angústia, não tive coragem de lhe dizer 'hoje era uma torrada aparada', porque o que ele está a fazer é uma gentileza, mascarada de profissionalismo, e não quero ser ingrato, não quero que ele pense 'então, guardei-te o palmier e hoje queres uma torrada?', acho desconfortável, mas algum dia vai ter de ser, naturalmente, mas está difícil, de qualquer modo, para o caso de não me conseguir safar desta, já andei a pesquisar na zona para encontrar uma pastelaria alternativa, até porque três meses a comer o mesmo bolo aborrece-me, quem disse que a vida na cidade era fácil?,
entretanto, saí e fui ali a um quiosque de café que fica à entrada do centro comercial, tem aquelas coisas da nespresso, já que não se pode fumar lá dentro ganhei o hábito de ir buscar um café, trazer no copo de papel para a rua e prostituir um marlboro enquanto oiço música e aprecio a fauna hominídea, pois ontem nem precisei de pedir, foi só responder sim duas vezes, 'expresso forte, não é?', 'normal, não é?', ela sabia tudo, o outro sabia que bolo ia comer, esta sabia até a cor da cápsula do café, depois fui comprar frango assado (outro hábito) e a mulher fez a pergunta (retórica, claro): 'não quer molho, pois não?´,
o que eu queria mesmo era liberdade, a última vez que fiquei com os olhos marejados foi num documentário que vi há umas semanas sobre a queda do muro de berlim, com toda aquela alegria dos de leste de poderem ir para onde quisessem, a alegria dos povos que se libertam comove-me, não há alegria maior do que a da liberdade conquistada, maior do que amor, porque se não se tiver liberdade nem para escolher entre um palmier recheado e um caracol como é que se pode amar alguém decentemente?, há coisas que para mim são óbvias, mas isto sou só eu a gozar com vocês, que estiveram aqui a ler quinhentas e tal palavras sobre nada.
Sexta-feira, 25 de Dezembro de 2009
maquilhado de cal,
lábios rosa ps, olhar estrábico entre a câmara e o teleponto, sócrates dirigiu-se assim ao país para a sua mensagem de natal e ano novo, garantindo energia e optimismo do governo com este olhar cansado e triste, de quem não percebe porque é que, sendo ele tão bom, ninguém o leva em ombros. ninguém o preparou para isto. estou contigo, josé. vai-te embora, não olhes para trás, deixa os ingratos falar, vai para junto de quem gosta de ti, de quem te dá festas na cara e te diz 'está bem, zézinho, está bem...' quando repetes, pela enésima vez, que estás cá para o nosso bem.
Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009
Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009
Terça-feira, 22 de Dezembro de 2009
há uma taberna
ali ao pé do martim moniz onde gosto de ir comer uma bifana, aliás, um bifinho, aliás, um lombinho, seguido de um sumol de ananás, aliás, um frisumo de ananás, a este estabelecimento vai parar todo o conteúdo dos bairros antigos de lisboa, que vem do trabalho e vai para as suas casas na almirante reis, em alfama e na mouraria, há umas semanas veio um cauteleiro ter comigo ao balcão e atirou-me com um bilhete da lotaria, atirou-o como se fosse uma beata, ficou ali o bilhete entre mim e ele, abandonado, a ver se eu o queria, eu não o queria, mas obrigado, e diz-me ele assim: tem a certeza?, tenho, tenho, olhou para o bilhete, camuflado entre guardanapos brancos com padrões de nódoas, lombinhos e taças de vinho, e disse assim: sessenta mil euros aqui em cima, pá..., com a voz arrastada, voz de descrença no futuro do humanidade, a ver se me comovia, não me comoveu, mas gostei da dramaturgia,
hoje chegou um senhor de gravata e pediu uma taça de vinho e um lombinho, disse isto pontuado com boas tardes e obrigados, e o homem do balcão muito educado também, com certeza, é para já, veio o lombinho, e disse o senhor da gravata: parta-mo ao meio, com certeza, disse o do balcão, ao que o da gravata, ao ver o que ele estava a fazer, irrompeu logo: mas parta-me na horizontal, aí pela forma do pão, pá, senão não consigo comer isso sem me cagar todo, e o do balcão disse: naturalmente,
é um sítio onde a delizadeza não tem lugar, a não ser como por cansaço, é um sítio para machos, machos que se adoram mas só têm um código de relacionamento: a chamarem nomes uns aos outros, a gritar, a fazerem gestos bruscos, mas tudo em onda de camaradagem, como convém, estava eu a falar de delicadeza, que não há, pegam nas moedas e batem com elas no balcão de alumínio, como os velhos batem as cartas,
lá do fundo um cliente pede um pastel de bacalhau, o das mesas grita bem alto: sai um pastel de bacalhau, o do balcão ouve e passa o recado, bem alto: sai um pastel de bacalhau, o destinatário é um senhor que está a cozinhar numa frigideira grande virada para a montra, está sentado num banquinho, sua muito da testa e com uma espécie de garfo dedica-se a afogar os bifinhos no molho, entretanto ouve o pedido e com o mesmo garfo dos bifinhos espeta um pastel de bacalhau e mete-o num prato, mas engana-se, era um prato muito grande, pega no pastel e aventa-o para um prato mais pequeno, aventa assim como o outro aventou a cautela, espero que saibam o que quer dizer aventar, mas tudo é calculado, parecem brutos, mas o que são é rápidos e precisos,
e então grita: olha o pastel de bacalhau, o que está ao balcão vai buscar o prato e passa ao outro colega, mas não passa em mão, põe o prato no balcão, leva o braço atrás para ganhar balanço e atira o prato, fazendo-o deslizar até à outra extremidade, assim como fazem os tipos do bares com as canecas de cerveja, houvesse aqui slow motion e ver-se-ia o pastel de bacalhau a dançar no prato, entretanto peço a conta, pago e o troco vem no pires dos tremoços, e vem o outro e grita: sai um lombinho, o que é que vai beber, amigo?, assim de bigode manhoso, e o ciclo recomeça, acho isto tudo muito bonito.
hoje chegou um senhor de gravata e pediu uma taça de vinho e um lombinho, disse isto pontuado com boas tardes e obrigados, e o homem do balcão muito educado também, com certeza, é para já, veio o lombinho, e disse o senhor da gravata: parta-mo ao meio, com certeza, disse o do balcão, ao que o da gravata, ao ver o que ele estava a fazer, irrompeu logo: mas parta-me na horizontal, aí pela forma do pão, pá, senão não consigo comer isso sem me cagar todo, e o do balcão disse: naturalmente,
é um sítio onde a delizadeza não tem lugar, a não ser como por cansaço, é um sítio para machos, machos que se adoram mas só têm um código de relacionamento: a chamarem nomes uns aos outros, a gritar, a fazerem gestos bruscos, mas tudo em onda de camaradagem, como convém, estava eu a falar de delicadeza, que não há, pegam nas moedas e batem com elas no balcão de alumínio, como os velhos batem as cartas,
lá do fundo um cliente pede um pastel de bacalhau, o das mesas grita bem alto: sai um pastel de bacalhau, o do balcão ouve e passa o recado, bem alto: sai um pastel de bacalhau, o destinatário é um senhor que está a cozinhar numa frigideira grande virada para a montra, está sentado num banquinho, sua muito da testa e com uma espécie de garfo dedica-se a afogar os bifinhos no molho, entretanto ouve o pedido e com o mesmo garfo dos bifinhos espeta um pastel de bacalhau e mete-o num prato, mas engana-se, era um prato muito grande, pega no pastel e aventa-o para um prato mais pequeno, aventa assim como o outro aventou a cautela, espero que saibam o que quer dizer aventar, mas tudo é calculado, parecem brutos, mas o que são é rápidos e precisos,
e então grita: olha o pastel de bacalhau, o que está ao balcão vai buscar o prato e passa ao outro colega, mas não passa em mão, põe o prato no balcão, leva o braço atrás para ganhar balanço e atira o prato, fazendo-o deslizar até à outra extremidade, assim como fazem os tipos do bares com as canecas de cerveja, houvesse aqui slow motion e ver-se-ia o pastel de bacalhau a dançar no prato, entretanto peço a conta, pago e o troco vem no pires dos tremoços, e vem o outro e grita: sai um lombinho, o que é que vai beber, amigo?, assim de bigode manhoso, e o ciclo recomeça, acho isto tudo muito bonito.
Domingo, 20 de Dezembro de 2009
então o benfica lá ganhou hoje a uma equipa,
quem marcou foi o saviola, eu estou apaixonado pelo saviola, já disse que o meu amor é o aimar, mas agora apaixonei-me também pelo saviola, porque o saviola é um tipo que está a 'renascer', é muito triste quando uma pessoa tem tantas qualidades e por uma casualidade do destino, por uma má opção, tomada num dia de chuva num bar de hotel, ou por ter chefes medíocres, por tudo isso, e mais outras coisas eventuais, anda meses, anos, a arrastar-se, descrente, em si e na vida e no futuro, mas depois aparecem uns tipos e dizem assim 'anda cá para o pé de nós, que a gente gosta de ti, a gente acredita em ti',
esta merda toca um gajo, foda-se, e depois o gajo aceita e ainda por cima vai trabalhar com malta igual a ele, ou então malta jovem, malta divertida, gente irreverente e irrequieta, e então esta merda é tudo um gozo danado, e nota-se no saviola que ele joga a rir, que ele está feliz, nota-se que ele se sente no meio de uma família, sente-se protegido, sente-se quente, e vê-se que ele tem umas ganas danadas de retribuir todo o amor que lhe estão a dar, eu acho isto bonito.
esta merda toca um gajo, foda-se, e depois o gajo aceita e ainda por cima vai trabalhar com malta igual a ele, ou então malta jovem, malta divertida, gente irreverente e irrequieta, e então esta merda é tudo um gozo danado, e nota-se no saviola que ele joga a rir, que ele está feliz, nota-se que ele se sente no meio de uma família, sente-se protegido, sente-se quente, e vê-se que ele tem umas ganas danadas de retribuir todo o amor que lhe estão a dar, eu acho isto bonito.
Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009
ia um casal no metro
ele era castanho escuro e ela era cor-de-rosa, eram os dois novos, ela era morena e tinha um decote muito grande, de onde, aconchegado pelo algodão, espreitava um peito anunciando calor, por cima do decote tinha uma tatuagem de uma pequena pegada de gato, depois via-se outra pegada, mas esta já estava meio coberta pela blusa, uma pegada assim desenhada de lado, já em descida lânguida pelo meio das duas maminhas, os gatos são assim, andam sempre à procura do calor,
nós todos estávamos a ver aquilo e imaginávamos até onde o gato tinha ido no corpo dela, a literatura é isto mesmo, é o gato e o peito, mas é mais, é a pegada meio descoberta, é a ilusão de haver mais, é o que está subentendido, é a promessa de um caminho para a felicidade, que neste caso só o homem castanho escuro conhecia, é nós cheios de inveja dele, e ele olhava-lhe para o peito, via as pegadas do gato, e depois levantava a cabeça e via o mapa das estações, como se uma e outra coisa fossem o mesmo, neste caso já não é literatura, é a vida, que é uma coisa, e o amor, que é outra, como dizia alguém.
nós todos estávamos a ver aquilo e imaginávamos até onde o gato tinha ido no corpo dela, a literatura é isto mesmo, é o gato e o peito, mas é mais, é a pegada meio descoberta, é a ilusão de haver mais, é o que está subentendido, é a promessa de um caminho para a felicidade, que neste caso só o homem castanho escuro conhecia, é nós cheios de inveja dele, e ele olhava-lhe para o peito, via as pegadas do gato, e depois levantava a cabeça e via o mapa das estações, como se uma e outra coisa fossem o mesmo, neste caso já não é literatura, é a vida, que é uma coisa, e o amor, que é outra, como dizia alguém.
Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009
então o di maría fez assim
ia a correr muito, muito, muito, viu que tinha um ao lado e passou-lhe a bola por baixo das pernas, depois olhou para a baliza e viu que vinha de lá um senhor com as mãos abertas para meter medo, ele pensou em chutar com o direito, mas dava-lhe mais jeito chutar com o esquerdo, quer dizer, não dava, apeteceu-lhe, então desaparafusou a perna direita, desaparafusou a esquerda, trocou as duas, atarrachou a esquerda no lado direito e rematou.
Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009
sinais dos tempos
quando a gente era criança os colegas da escola diziam assim:
- ah, eu tenho um cão muita grande!
- também eu, maior que o teu...
pelos vinte anos:
- ah e tal, eu tenho um gato muita lindo!
- eu tenho dois...
quando passamos os trinta:
- ah, eu tenho um amigo que é gay!
- boa!
- ah, eu tenho um cão muita grande!
- também eu, maior que o teu...
pelos vinte anos:
- ah e tal, eu tenho um gato muita lindo!
- eu tenho dois...
quando passamos os trinta:
- ah, eu tenho um amigo que é gay!
- boa!
Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009
passagem do tempo por um jardim de benfica
uma homenagem singela a pacheco pereira e à sua rubrica no abrupto 'passagem do tempo por um banco de jardim de s. amaro'
Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009
nas manhãs de verão no campo,
há ribeiras tão frias que as usamos como frigorifícos para as cervejas que vamos beber à tardinha, e as folhas acordam todas lambuzadas pelos caracóis, da mesma forma que há uma pessoa que eu conheço que acorda lambuzada por um gato preto, e os pardais vão para o emprego, usam as mesmas vias rápidas entre as árvores e quase chocam uns com os outros, e as pessoas estão a comer ovos mexidos com pão caseiro, e no ar cheira a café de máquina acabado de fazer, e saem fumos pelas chaminés, o gado pasta, as velhas estão na horta, os meninos acordam, o jardim tem sede e as galinhas e os coelhos tomam o pequeno almoço embrulhados uns nos outros,
o pote já fumega lentamente com o que irá ser o feijão com couves e um cheiro de enchidos do almoço, em fundo o ruído do poço de alguém que foi à água, com a pequena cobra à espreita, e nós de pijama, sem vergonha de nós de pijama, vamos até à horta ajudar a apanhar as cenouras que, mal lavadas no tanque da roupa, ainda vamos trincando só porque sim, já a imaginar se, lá para depois do meio da tarde, nos deixarão brincar às piscinas no velho tanque cheio de verdete no fundo,
é o mundo todo a renascer em cada manhã, é a morna esperança da felicidade que nos entra por dentro e sai em bafos pela boca sempre que dizemos bom dia a quem passa. mas isso é nas manhãs de verão no campo,
e de repente queremos ser muito velhos para não termos ânsias de fazer e experimentar e viver aquilo que pensamos ser vida que afinal não é, queremos ser antigos como a árvore em que nos encostamos, termos tempo para ficar parados enquanto o corpo aquece, nas manhãs de verão no campo quase que acreditamos que podemos ser eternos e que não faz mal perder horas a olhar para as formigas, mas isso é nas manhãs de verão no campo.
(post escrito a várias mãos; ver comentários)
o pote já fumega lentamente com o que irá ser o feijão com couves e um cheiro de enchidos do almoço, em fundo o ruído do poço de alguém que foi à água, com a pequena cobra à espreita, e nós de pijama, sem vergonha de nós de pijama, vamos até à horta ajudar a apanhar as cenouras que, mal lavadas no tanque da roupa, ainda vamos trincando só porque sim, já a imaginar se, lá para depois do meio da tarde, nos deixarão brincar às piscinas no velho tanque cheio de verdete no fundo,
é o mundo todo a renascer em cada manhã, é a morna esperança da felicidade que nos entra por dentro e sai em bafos pela boca sempre que dizemos bom dia a quem passa. mas isso é nas manhãs de verão no campo,
e de repente queremos ser muito velhos para não termos ânsias de fazer e experimentar e viver aquilo que pensamos ser vida que afinal não é, queremos ser antigos como a árvore em que nos encostamos, termos tempo para ficar parados enquanto o corpo aquece, nas manhãs de verão no campo quase que acreditamos que podemos ser eternos e que não faz mal perder horas a olhar para as formigas, mas isso é nas manhãs de verão no campo.
(post escrito a várias mãos; ver comentários)
Domingo, 13 de Dezembro de 2009
fui a um hospital
ter com uma amiga, cujo pai morreu, eu não sabia onde ele estava, nem onde ela estava, fui à recepção e expliquei o problema, não, não sei o primeiro nome do senhor, só sei o apelido, não conheço o senhor, aliás, só conheço a filha, vim cá para ajudar na hora da morte, é antunes, disse eu o apelido (não é, mas vamos imaginar que é), desculpe incomodá-la, a morte dos outros deve-lhe ter esfriado a paciência, eu também não sou um bicho paciente, eu percebo e perdoo, você conformou-se com as desgraças dos outros, eu conformei-me com as minhas, virou-se para trás e gritou para os colegas 'morreu algum antunes hoje?', não morreu nenhum antunes, disseram eles, eu sei que morreu, mas eles diziam que não, vá ali à urologia, que deve estar lá, disse-me a senhora, obrigado,
o segurança, perguntámos pela minha amiga, que é uma figura pública, ele sabia quem era, e disse que não a tinha visto passar, não está cá, só podem passar por aqui e eu não a vi, disse ele, e nós obrigado e boa tarde, olhei lá para o fundo e vi-a, afinal ela tinha passado por ele, afinal o antunes morreu mesmo, e está dentro do hospital, e está mesmo morto, obrigado pela ajuda da senhora da recepção e do segurança, não faz mal que vocês não consigam fazer melhor, vocês não têm culpa, fizeram-vos assim, bom natal para vocês todos,
antes de entrar, reparei num homem a ler um livro de fernando pessoa sentado em cima de um muro pequeno, tinha um jornal debaixo para não sujar as calças, um homem tão português que deve ter sido o muro a pô-lo lá, ao lado estava uma mulher velha a fumar, tão inerte que era o cigarro que a fumava, tinha o cabelo vermelho com as raízes pretas, pintou uma vez e ficou sem dinheiro, sem paciência, está à espera nos muros da cidade que o cabelo cresça para voltar a ter só uma cor, passado um bocado entrou numa furgoneta velha, bordeaux ferrujento, que se deixava conduzir por um pescador de gorro azul e colete reflector amarelo,
dentro do hospital havia um jardim muito bonito, com palmeiras muito altas, com muitos frutos espalhados pelo chão, à espera da chuva para se enterrarem no chão e florirem muito, no centro havia uma rotunda circundada por muitos bancos brancos, um deles, vi ao longe, tinha uma placa, calculei que fosse evocativa da inauguração, que falasse da construção do hospital, de há tantos e tantos anos, quem sabe as palmeiras não tinham vindo das colónias, ou pelo menos as sementes, gosto tanto de palmeiras, há um jardim na foz do porto que é o meu preferido, tem muitas palmeiras e um morro para o mar, parece os postais antigos de áfrica, apressei o andar para ler a placa, cheguei perto mas era só um papel colado a fita, já gasto de tanto tempo ali, ninguém o tirou e ali ficou a dizer 'apartamento t2 arrenda-se mobil. e equip. entrecampos, arrumação, garagem...'
havia por lá vários pilares pequenos a delimitar passeios e estacionamentos, todos de pedra, alguns em forma de sinos, outros de aspecto fálico, como os lingas de shiva, à espera de flores e de manteiga derretida, shiva deus da destruição e da criação, ao lado havia um edifício pequeno onde estavam os mortos do dia, havia um cadáver de olhos abertos, parece que o último gesto em vida foi de espanto, meu deus, que vou morrer,
foi lá um funcionário do hospital e passou as mãos pelos olhos, fechou-os com a mesma mecânica fabril com que ligou e desligou a luz, como a senhora da recepção quando perguntou se morreu algum antunes hoje, trabalhasse ela no café que havia ali ao lado e diria com o mesmo tom 'não temos coca-cola, pode ser pepsi?', 'não morreu nenhum antunes, pode ser um ferreira?', estou a escrever isto e está a dar um anúncio na televisão de um cartão de pontos que as farmácias agora têm, quanto mais o usar melhor se sente, dizia a voz, deve ser por isso também que o pai natal do jardim do hospital era insuflável,
deve ser por isso que em timor há quem acredite que os mortos fazem o caminho para a luz das trevas montados num cavalo, eu já escolhi o meu, todo preto, eu montado nele e ele a cavalgar, com a crina ao vento e os músculos pujantes e brilhantes ao sol, enquanto para trás vai deixando um rasto fumegante de excrementos.
o segurança, perguntámos pela minha amiga, que é uma figura pública, ele sabia quem era, e disse que não a tinha visto passar, não está cá, só podem passar por aqui e eu não a vi, disse ele, e nós obrigado e boa tarde, olhei lá para o fundo e vi-a, afinal ela tinha passado por ele, afinal o antunes morreu mesmo, e está dentro do hospital, e está mesmo morto, obrigado pela ajuda da senhora da recepção e do segurança, não faz mal que vocês não consigam fazer melhor, vocês não têm culpa, fizeram-vos assim, bom natal para vocês todos,
antes de entrar, reparei num homem a ler um livro de fernando pessoa sentado em cima de um muro pequeno, tinha um jornal debaixo para não sujar as calças, um homem tão português que deve ter sido o muro a pô-lo lá, ao lado estava uma mulher velha a fumar, tão inerte que era o cigarro que a fumava, tinha o cabelo vermelho com as raízes pretas, pintou uma vez e ficou sem dinheiro, sem paciência, está à espera nos muros da cidade que o cabelo cresça para voltar a ter só uma cor, passado um bocado entrou numa furgoneta velha, bordeaux ferrujento, que se deixava conduzir por um pescador de gorro azul e colete reflector amarelo,
dentro do hospital havia um jardim muito bonito, com palmeiras muito altas, com muitos frutos espalhados pelo chão, à espera da chuva para se enterrarem no chão e florirem muito, no centro havia uma rotunda circundada por muitos bancos brancos, um deles, vi ao longe, tinha uma placa, calculei que fosse evocativa da inauguração, que falasse da construção do hospital, de há tantos e tantos anos, quem sabe as palmeiras não tinham vindo das colónias, ou pelo menos as sementes, gosto tanto de palmeiras, há um jardim na foz do porto que é o meu preferido, tem muitas palmeiras e um morro para o mar, parece os postais antigos de áfrica, apressei o andar para ler a placa, cheguei perto mas era só um papel colado a fita, já gasto de tanto tempo ali, ninguém o tirou e ali ficou a dizer 'apartamento t2 arrenda-se mobil. e equip. entrecampos, arrumação, garagem...'
havia por lá vários pilares pequenos a delimitar passeios e estacionamentos, todos de pedra, alguns em forma de sinos, outros de aspecto fálico, como os lingas de shiva, à espera de flores e de manteiga derretida, shiva deus da destruição e da criação, ao lado havia um edifício pequeno onde estavam os mortos do dia, havia um cadáver de olhos abertos, parece que o último gesto em vida foi de espanto, meu deus, que vou morrer,
foi lá um funcionário do hospital e passou as mãos pelos olhos, fechou-os com a mesma mecânica fabril com que ligou e desligou a luz, como a senhora da recepção quando perguntou se morreu algum antunes hoje, trabalhasse ela no café que havia ali ao lado e diria com o mesmo tom 'não temos coca-cola, pode ser pepsi?', 'não morreu nenhum antunes, pode ser um ferreira?', estou a escrever isto e está a dar um anúncio na televisão de um cartão de pontos que as farmácias agora têm, quanto mais o usar melhor se sente, dizia a voz, deve ser por isso também que o pai natal do jardim do hospital era insuflável,
deve ser por isso que em timor há quem acredite que os mortos fazem o caminho para a luz das trevas montados num cavalo, eu já escolhi o meu, todo preto, eu montado nele e ele a cavalgar, com a crina ao vento e os músculos pujantes e brilhantes ao sol, enquanto para trás vai deixando um rasto fumegante de excrementos.
Sábado, 12 de Dezembro de 2009
ia uma cigana gorda sentada no metro,
levava um saco preto com muitas coisas lá dentro, levava também duas barrigas, a de nascença e mais outra, em forma de pneu de carne, que tem amortizado em senhas de refeição, levava também uma das mamas de fora, esprimida por um soutien branco de renda, comprado barato nos ciganos,
mais abaixo estava encavalitado um bebé, que tinha as costas apoiadas na carne materna e a cabeça pendurada pela boca, que estava aclopada no bico da teta, de onde chupava leite grátis do dia, o metro ia cheio, num mar de casacos e pastas de roda desta ilha vagabunda,
depois de atestar a barriga, o miúdo largou a mama da mãe, mas depois começou a abrir e a fechar a boca, parecia estar com espasmos de ter estado a mamar tanto, só que agora já não havia teta e parecia não ter percebido ainda, de modo que sugava ar, parecia um peixe de boca rosácea acabado de pescar, era um miúdo gordo e loiro, tinha aspecto sujo e cabia perfeitamente no saco preto que a mãe trazia de lado,
isto ainda consegui ver, porque entretanto puseram-se à frente duas estrangeiras, cada uma das suas cabeças loiras estava enfiada em bonés azuis que diziam the north face, que é uma empresa, vi no site, de equipamentos para a montanha, como os himalaias, que são uns arranha-céus que há na índia, nem por acaso atrás de mim ia sentado um indiano sikh, de turbante violeta enrolado à cabeça e barba branca pendurada da cara até ao terceiro botão da camisa,
ao pé de mim ia uma rapariga, boa vista de trás e feia vista de frente, tinha um sinal grosso em cima de uns lábios finos, as unhas pintadas de vermelho e o cabelo bem tratado, mala e ténis castanhos, perguntava ao namorado se ele achava que ela devia comprar ou não aquele telemóvel, perguntava assim, com a cabeça virada, de mãos agarradas ao ferro.
mais abaixo estava encavalitado um bebé, que tinha as costas apoiadas na carne materna e a cabeça pendurada pela boca, que estava aclopada no bico da teta, de onde chupava leite grátis do dia, o metro ia cheio, num mar de casacos e pastas de roda desta ilha vagabunda,
depois de atestar a barriga, o miúdo largou a mama da mãe, mas depois começou a abrir e a fechar a boca, parecia estar com espasmos de ter estado a mamar tanto, só que agora já não havia teta e parecia não ter percebido ainda, de modo que sugava ar, parecia um peixe de boca rosácea acabado de pescar, era um miúdo gordo e loiro, tinha aspecto sujo e cabia perfeitamente no saco preto que a mãe trazia de lado,
isto ainda consegui ver, porque entretanto puseram-se à frente duas estrangeiras, cada uma das suas cabeças loiras estava enfiada em bonés azuis que diziam the north face, que é uma empresa, vi no site, de equipamentos para a montanha, como os himalaias, que são uns arranha-céus que há na índia, nem por acaso atrás de mim ia sentado um indiano sikh, de turbante violeta enrolado à cabeça e barba branca pendurada da cara até ao terceiro botão da camisa,
ao pé de mim ia uma rapariga, boa vista de trás e feia vista de frente, tinha um sinal grosso em cima de uns lábios finos, as unhas pintadas de vermelho e o cabelo bem tratado, mala e ténis castanhos, perguntava ao namorado se ele achava que ela devia comprar ou não aquele telemóvel, perguntava assim, com a cabeça virada, de mãos agarradas ao ferro.
Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009
estou a escrever
depois de ter chegado a casa, uma da manhã, três whiskys depois, a somar a quatro imperiais antecessoras, acho que foi isso, a partir de uma certa altura, depois de bebermos a partir de uma certa conta, deixamos de ter habilitações para conduzir e para somar, mas como somar não põe em risco a vida dos outros posso somar à vontade que não vou matar ninguém, de modo que se isto estiver mal escrito é a vida, ou seja, o álcool, que é uma palavra muito engraçada porque tem acento no a quando devia ter no segundo o, a própria palavra embriaga,
o acaso do destino levou-me a sintra, mais propriamente a apanhar o comboio que vai de lisboa a sintra, que é uma coisa que fiz durante quatro anos e que não fazia há muito, entrei e comecei logo a arrasar, passo a explicar,
ia uma mulher a ler um livro branco que não tinha mais de cem páginas, ao lado ia outro que ia a ler um amarelo e mais grosso, não lhe dava mais de trezentas páginas, os dois deviam ser sindicalistas, não faço ideia se eram, mas cheiro sindicalistas a quilómetros, este tinha rabo de cavalo e um mala do caronel tapioca com um cão de peluche pendurado, mais atrás ia outro homem com uma mulher, ela ia de chapéu de chuva e ele ia a ler outro livro, este ganhava, o livro era do stieg larsson, que era um tipo dado a escrever livros com seiscentas e tal páginas, acontece que eu entrei com o '2666', que tem mil e trinta páginas, de modo que ganhei claramente este combate, ninguém tinha um livro mais grosso que o meu, eu sei, eu senti, percebi a cara de desilusão deles, mais tarde entrei noutra competição,
no fim do jantar fui à casa-de-banho urinar, que é uma palavra medonha, mas sempre é melhor que mijar, no urinol estavam duas barras de cheiro, não faço ideia como se chama aquilo, mas eram barras e cheiravam bem, pelo menos quando direccionei as quatro imperiais directamente sobre elas libertaram uma fragância agradável, o certo é que não as parti, foi aqui que entrei neste combate, porque todos os homens quando vão urinar e se deparam com barras de cheiro ou bolas de naftalina querem ser os tais, os que arrebentam com elas, as partem em duas, ou as desfazem, que é a suprema glória, não levem a mal, é o espírito de competição que está em nós,
mas é preciso ter sorte, é como a árvore das patacas da fátima lopes, ligar várias vezes até a nossa chamada corresponder ao número previamente seleccionado, com isto é a mesmo coisa, o dono do estabelecimento mete uma barra de cheiro no urinol e até ela se partir em duas é preciso que seja agredida por mais ou menos trezentos homens, e mesmo isto varia, porque depende da força do jacto e da duração, que é como quem diz se é bexiga de miúdo, jovem ou homem, bexiga cheia, média ou quase vazia, bexiga da manhã, da tarde ou da noite, bexiga de café, de sumol ou de cerveja, mas em média tens de ser o mijador número trezentos, ou por aí à volta,
mas estas barras eram recentes, devo ter sido o décimo quinto a urinar-lhe em cima, de modo que se voltar a este restaurante em janeiro tenho grandes hipóteses de ganhar isto, se o conseguir basta chegar ao balcão e dizer ao dono 'já está', e ele, em bom estilo maçónico, vai a um saco preto escondido numa prateleira, tira de lá uma taça e dá-ma, eu agradeço com um aceno de cabeça e saio discretamente, o dono pega então noutra barra de cheiro e mete no urinol, o primeiro homem que lá for percebe logo, pelo bom estado da barra, que acabou de sair o grande prémio a alguém, a vida na cidade é assim mesmo, muita tensão e competição, ligas e superligas privadas, coisas em códigos que só nós percebemos.
o que é que fui fazer a sintra? ganhar um combate, perder outro e dar mais uma pequena facada noutro, este maior do que os outros.
o acaso do destino levou-me a sintra, mais propriamente a apanhar o comboio que vai de lisboa a sintra, que é uma coisa que fiz durante quatro anos e que não fazia há muito, entrei e comecei logo a arrasar, passo a explicar,
ia uma mulher a ler um livro branco que não tinha mais de cem páginas, ao lado ia outro que ia a ler um amarelo e mais grosso, não lhe dava mais de trezentas páginas, os dois deviam ser sindicalistas, não faço ideia se eram, mas cheiro sindicalistas a quilómetros, este tinha rabo de cavalo e um mala do caronel tapioca com um cão de peluche pendurado, mais atrás ia outro homem com uma mulher, ela ia de chapéu de chuva e ele ia a ler outro livro, este ganhava, o livro era do stieg larsson, que era um tipo dado a escrever livros com seiscentas e tal páginas, acontece que eu entrei com o '2666', que tem mil e trinta páginas, de modo que ganhei claramente este combate, ninguém tinha um livro mais grosso que o meu, eu sei, eu senti, percebi a cara de desilusão deles, mais tarde entrei noutra competição,
no fim do jantar fui à casa-de-banho urinar, que é uma palavra medonha, mas sempre é melhor que mijar, no urinol estavam duas barras de cheiro, não faço ideia como se chama aquilo, mas eram barras e cheiravam bem, pelo menos quando direccionei as quatro imperiais directamente sobre elas libertaram uma fragância agradável, o certo é que não as parti, foi aqui que entrei neste combate, porque todos os homens quando vão urinar e se deparam com barras de cheiro ou bolas de naftalina querem ser os tais, os que arrebentam com elas, as partem em duas, ou as desfazem, que é a suprema glória, não levem a mal, é o espírito de competição que está em nós,
mas é preciso ter sorte, é como a árvore das patacas da fátima lopes, ligar várias vezes até a nossa chamada corresponder ao número previamente seleccionado, com isto é a mesmo coisa, o dono do estabelecimento mete uma barra de cheiro no urinol e até ela se partir em duas é preciso que seja agredida por mais ou menos trezentos homens, e mesmo isto varia, porque depende da força do jacto e da duração, que é como quem diz se é bexiga de miúdo, jovem ou homem, bexiga cheia, média ou quase vazia, bexiga da manhã, da tarde ou da noite, bexiga de café, de sumol ou de cerveja, mas em média tens de ser o mijador número trezentos, ou por aí à volta,
mas estas barras eram recentes, devo ter sido o décimo quinto a urinar-lhe em cima, de modo que se voltar a este restaurante em janeiro tenho grandes hipóteses de ganhar isto, se o conseguir basta chegar ao balcão e dizer ao dono 'já está', e ele, em bom estilo maçónico, vai a um saco preto escondido numa prateleira, tira de lá uma taça e dá-ma, eu agradeço com um aceno de cabeça e saio discretamente, o dono pega então noutra barra de cheiro e mete no urinol, o primeiro homem que lá for percebe logo, pelo bom estado da barra, que acabou de sair o grande prémio a alguém, a vida na cidade é assim mesmo, muita tensão e competição, ligas e superligas privadas, coisas em códigos que só nós percebemos.
o que é que fui fazer a sintra? ganhar um combate, perder outro e dar mais uma pequena facada noutro, este maior do que os outros.
Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009
humor negro
na sexta-feira de madrugada, numa 'inoportuna' saída nocturna, presenciei um pequeno roubo de uma imagem decorativa num presépio público numa zona dos arredores de lisboa. atendendo à imagem em si, foi serviço público que se fez. mas na basília dos mártires, em lisboa, também assaltaram o presépio no fim-de-semana, mas aqui levaram o burro. o padre, armando duarte, lamentou a situação, mas compreendeu, segundo revelou à imprensa:
'parece que há falta de burros na cidade...'
'parece que há falta de burros na cidade...'
Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009
ontem fui a um museu ao final da tarde
e fiz questão de não marcar nada para o início da noite, porque às oito e um quarto tinha bailado na tv, e meia hora depois, aí por volta das oito e quarenta e cinco, vi-me a fazer uma figura pateta, que foi sozinho numa casa a bater palmas ao saviola por causa daquela coisa que ele fez por cima de um guarda-redes vestido de preto, simpático nas suas luvas e cabelos aos caracóis, coitado, cristão entregue a leões em coliseu romano, era só para dizer que gosto de vocês, são muitos anos de tristeza e desilusão, essa parte lúdica da vida não traz comida à mesa, mas traz ao coração, e agora sim, as coisas não andam a correr bem na vida, mas sempre vos temos a vocês, podemos não ganhar nada, mas vamos de brilhozinho nos olhos, deixem-me lá fazer figuras patetas à vontade, só é pena o cardozo não ter os cabelos ao vento como o aimar.
Domingo, 6 de Dezembro de 2009
há cerca de um mês que uma aranha
muito pequenina (e provavelmente peluda) se instalou no tecto da minha casa-de-banho, mesmo por cima da banheira, pensava que o vapor dos banhos quentes de inverno lhe iriam liquefazer a cola das patas, que ela iria cair um dia, não sem antes, nesse fatídico momento, se despedir de mim, toda encharcada, enquanto girava num remoinho de água e espuma ralo abaixo, mas não, continua cá,
naturalmente que não a matei, não é por medo nem gosto, é um estar-me a borrifar mascarado de budismo tibetano (e não, não sejam precipitados, a casa onde vivo está limpíssíma, já viram este blog?, como ele é arejado e organizado?, parece que cheira a ajax floral, aprecio viver na limpeza, não pensem que moro como o unabomber, o facto de ter aranhas no tecto não é necessariamente indício de desleixo, pode ser uma opção de vida, como outra qualquer, em vez de um cacto tenho uma aranha, vou só fechar este parêntesis) e vou explicar porquê,
é certo que esta inquilina imprevista não paga renda, não faz nada em casa, não limpa, não cozinha, não lava nem passa, mas também não faz despesa, não chateia, não suja, nem faz perguntas, limita-se a estar ali, de cabeça para baixo, com a luz da lâmpada a dar-lhe por baixo, de modo a projectar no tecto uma sombra que faz dela o dobro, a ver se me assusta, aranha marketeer,
tão preguiçosa que nem pachorra teve ainda para fazer uma teia, provavelmente porque não há moscas cá em casa, não faço ideia do que anda a comer, se é muito ou pouco o certo é que não tem engordado, mantém-se pequenina há um mês, mas também pode ser daquelas que enganam, cabras de metabolistmo acelerado, aranha kate moss, aranha corpinho danone, já me preocupei com o que anda a fazer de noite, ainda bem que tenho as tostas do pingo doce trancadas a sete chaves,
percebo que não tenha ido para o quarto ou para cozinha, porque mal páro lá, mas podia ter escolhido a sala, que é onde construo o meu futuro, mas pronto, foi para a casa-de-banho, aranha voyuer, que me vê todos os dias, de manhã e à noite, no exercício escatológico das minhas alegrias e desgraças, mas já não me ralo, não me importo que ela me veja o apêndice caudal, reflectido por todos os ângulos por um espelho gigantesco, é bom voltar a partilhar esta intimidade com um ser vivo, já é um princípio de qualquer coisa,
até estou a pensar dar-lhe um nome, fazer como aqueles telefonemas nos resgates (isto tudo aprende-se com o fbi, que é uma empresa de hollywood muito conhecida que dá cursos de comportamento social que a gente compra em fascículos na fnac), dá-se logo ao pelintra o nome do refém para que ele o visualize como uma pessoa, não apenas um objecto de troca, assim será mais difícil o meliante dar um tiro na cabeça do meliado
(esta palavra inventei eu agora, tinha uma professora de semiologia que nos incentivava a inventar palavras, e eu estou cá para agradar aos semióticos, que é gente muito influente, é gente que vê mais além, um 2 que é 3, um 3 que é 1, quem já estudou semiologia sabe do que falo, temo os semióticos, diria que em terra de cegos quem tem um olho é semiótico, ou semi-óptico, para abusar do trocadilho (é que acabei de ler um livro do cabrera infante, que é dado a muitos trocadilhos e jogos de significações, e depois de ler um autor novo fico a escrever como ele, tal como em puto ia para a rua dar pontapés no ar depois de ver um filme de porrada, estas influências depois passam e voltamos a ser incaracterísticos, isto no fundo era só para dizer que consegui fazer uns parêntesis dentro de outros parêntesis, mas vá, acabou-se a palhaçada e vocês têm mais que fazer, vou primeiro fechar um), fechar o outro),
e voltar ao que interessa, que é dar-te um nome, no name spider, o ano passado estive no rio jordão e trouxe de lá água, a mesma que há dois mil anos baptizou um carpinteiro muito conhecido e que já passou debaixo de tantas pontes e por cima de tantas cabeças que vem toda castanha, mas acho um desperdício gastar água sagrada em ti, além disso também não sou cristão, façamos disto um acto simbólico, dar-te um nome rapidamente, para que veja em ti sentimentos, se não um dia acaba-se o budismo e esborracho-te com o diário de notícias, que é bom jornal para estas coisas, ao contrário do i, que, como eles dizem no slogan, é 'um jornal que não se dobra', acho isso um disparate, se é um jornal que não se dobra não serve para esborrachar aranhas, e um jornal que não serve para esborrachar aranhas mais vale estar quieto, seja como for era só para dizer isto,
que baptizei agora a minha aranha de rosalinda, só rosalinda, assim mesmo, sem pai nem mãe, vou acordar de manhã e dizer 'olá rosalinda, dormiste bem?', e à noite 'beijinho rosalinda, dorme bem, não me vás às bolachas', um dia destes vou matá-la, só vai ficar uma mancha preta, que limparei prontamente com um toalhete, mas antes disso tudo prometo que vou tratá-la bem, digam lá se os romances de amor não são assim também.
naturalmente que não a matei, não é por medo nem gosto, é um estar-me a borrifar mascarado de budismo tibetano (e não, não sejam precipitados, a casa onde vivo está limpíssíma, já viram este blog?, como ele é arejado e organizado?, parece que cheira a ajax floral, aprecio viver na limpeza, não pensem que moro como o unabomber, o facto de ter aranhas no tecto não é necessariamente indício de desleixo, pode ser uma opção de vida, como outra qualquer, em vez de um cacto tenho uma aranha, vou só fechar este parêntesis) e vou explicar porquê,
é certo que esta inquilina imprevista não paga renda, não faz nada em casa, não limpa, não cozinha, não lava nem passa, mas também não faz despesa, não chateia, não suja, nem faz perguntas, limita-se a estar ali, de cabeça para baixo, com a luz da lâmpada a dar-lhe por baixo, de modo a projectar no tecto uma sombra que faz dela o dobro, a ver se me assusta, aranha marketeer,
tão preguiçosa que nem pachorra teve ainda para fazer uma teia, provavelmente porque não há moscas cá em casa, não faço ideia do que anda a comer, se é muito ou pouco o certo é que não tem engordado, mantém-se pequenina há um mês, mas também pode ser daquelas que enganam, cabras de metabolistmo acelerado, aranha kate moss, aranha corpinho danone, já me preocupei com o que anda a fazer de noite, ainda bem que tenho as tostas do pingo doce trancadas a sete chaves,
percebo que não tenha ido para o quarto ou para cozinha, porque mal páro lá, mas podia ter escolhido a sala, que é onde construo o meu futuro, mas pronto, foi para a casa-de-banho, aranha voyuer, que me vê todos os dias, de manhã e à noite, no exercício escatológico das minhas alegrias e desgraças, mas já não me ralo, não me importo que ela me veja o apêndice caudal, reflectido por todos os ângulos por um espelho gigantesco, é bom voltar a partilhar esta intimidade com um ser vivo, já é um princípio de qualquer coisa,
até estou a pensar dar-lhe um nome, fazer como aqueles telefonemas nos resgates (isto tudo aprende-se com o fbi, que é uma empresa de hollywood muito conhecida que dá cursos de comportamento social que a gente compra em fascículos na fnac), dá-se logo ao pelintra o nome do refém para que ele o visualize como uma pessoa, não apenas um objecto de troca, assim será mais difícil o meliante dar um tiro na cabeça do meliado
(esta palavra inventei eu agora, tinha uma professora de semiologia que nos incentivava a inventar palavras, e eu estou cá para agradar aos semióticos, que é gente muito influente, é gente que vê mais além, um 2 que é 3, um 3 que é 1, quem já estudou semiologia sabe do que falo, temo os semióticos, diria que em terra de cegos quem tem um olho é semiótico, ou semi-óptico, para abusar do trocadilho (é que acabei de ler um livro do cabrera infante, que é dado a muitos trocadilhos e jogos de significações, e depois de ler um autor novo fico a escrever como ele, tal como em puto ia para a rua dar pontapés no ar depois de ver um filme de porrada, estas influências depois passam e voltamos a ser incaracterísticos, isto no fundo era só para dizer que consegui fazer uns parêntesis dentro de outros parêntesis, mas vá, acabou-se a palhaçada e vocês têm mais que fazer, vou primeiro fechar um), fechar o outro),
e voltar ao que interessa, que é dar-te um nome, no name spider, o ano passado estive no rio jordão e trouxe de lá água, a mesma que há dois mil anos baptizou um carpinteiro muito conhecido e que já passou debaixo de tantas pontes e por cima de tantas cabeças que vem toda castanha, mas acho um desperdício gastar água sagrada em ti, além disso também não sou cristão, façamos disto um acto simbólico, dar-te um nome rapidamente, para que veja em ti sentimentos, se não um dia acaba-se o budismo e esborracho-te com o diário de notícias, que é bom jornal para estas coisas, ao contrário do i, que, como eles dizem no slogan, é 'um jornal que não se dobra', acho isso um disparate, se é um jornal que não se dobra não serve para esborrachar aranhas, e um jornal que não serve para esborrachar aranhas mais vale estar quieto, seja como for era só para dizer isto,
que baptizei agora a minha aranha de rosalinda, só rosalinda, assim mesmo, sem pai nem mãe, vou acordar de manhã e dizer 'olá rosalinda, dormiste bem?', e à noite 'beijinho rosalinda, dorme bem, não me vás às bolachas', um dia destes vou matá-la, só vai ficar uma mancha preta, que limparei prontamente com um toalhete, mas antes disso tudo prometo que vou tratá-la bem, digam lá se os romances de amor não são assim também.
Sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009
Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009
Quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009
é verdade, fui ao blog do clube das virgens
que fica aqui. a falta de uma ocupação a full time neste momento leva-me a estas coisas.
fiquei logo pelo primeiro texto, que tem esta frase (os bolds são meus):
"Queria apenas acrescentar que eu não disse que queria fazer sexo em 2010...eu disse que esperava que aquele homem especial surgi-se na minha vida neste novo ano para eu finalmente conheçer o amor...mas já sabem que jornalistas dizem as coisas de maneira diferente, eu propria que estudei comunicação social no secundário aprendi isso..."
portanto, como se pode ver, esta adorável virgem procura uma pila e um corrector ortográfico. a parte da pila ela mesmo o subentende nesta conversa da virgindade. de facto, uma pessoa quando tem fome, tem duas hipóteses: ou diz
- tenho fome,
ou diz
- ainda não comi nada.
vai tudo dar o mesmo. a nossa virgem optou apenas pela segunda formulação, mas subentende-se que não desdenha a primeira (só que tem vergonha ou sabe que perde a piada se o fizer).
já a parte gramatical, ainda ninguém reparou, descobri eu agora, que sou um grande dan brown para os pormenores.
de qualquer modo, eu, como jornalista (que ainda sou), devo dizer que acho muita confusão ver uma virgem a dizer mal dos jornalistas com frases cheias de erros de português. ser atacado por uma pessoa que é, em simultâneo, virgem e linguisticamente ignorante é demais para um jornalista: parece dupla penetração, que deve ser coisa para doer um bocado, pelo menos se for à bruta, mas isso a nossa virgem não sabe, porque é virgem, ela não sabe como é com uma, quanto mais com duas, quanto mais com duas ao mesmo tempo. desculpem esta última formulação... adiante.
resumindo, virgem, empregada de escritório (diz ela no blog) e a escrever tão bem português... o que é que uma mulher destas desperta nos homens portugueses? uma grande vontade para 'falar'... veja-se alguns dos comentários no blog:
depois, há as mulheres, algumas bastante práticas:
- Tenho 48 anos e fui virgem até aos 33. Foi uma noite em que apanhei uma bebedeira tal que já não via nada... Apanhei o primeiro que vi à frente e pronto. Rebentou-me toda. Até hoje é sempre a dar-lhe. Não quero outra coisa.
ah, adoro este vernáculo hormonal.
fiquei logo pelo primeiro texto, que tem esta frase (os bolds são meus):
"Queria apenas acrescentar que eu não disse que queria fazer sexo em 2010...eu disse que esperava que aquele homem especial surgi-se na minha vida neste novo ano para eu finalmente conheçer o amor...mas já sabem que jornalistas dizem as coisas de maneira diferente, eu propria que estudei comunicação social no secundário aprendi isso..."
portanto, como se pode ver, esta adorável virgem procura uma pila e um corrector ortográfico. a parte da pila ela mesmo o subentende nesta conversa da virgindade. de facto, uma pessoa quando tem fome, tem duas hipóteses: ou diz
- tenho fome,
ou diz
- ainda não comi nada.
vai tudo dar o mesmo. a nossa virgem optou apenas pela segunda formulação, mas subentende-se que não desdenha a primeira (só que tem vergonha ou sabe que perde a piada se o fizer).
já a parte gramatical, ainda ninguém reparou, descobri eu agora, que sou um grande dan brown para os pormenores.
de qualquer modo, eu, como jornalista (que ainda sou), devo dizer que acho muita confusão ver uma virgem a dizer mal dos jornalistas com frases cheias de erros de português. ser atacado por uma pessoa que é, em simultâneo, virgem e linguisticamente ignorante é demais para um jornalista: parece dupla penetração, que deve ser coisa para doer um bocado, pelo menos se for à bruta, mas isso a nossa virgem não sabe, porque é virgem, ela não sabe como é com uma, quanto mais com duas, quanto mais com duas ao mesmo tempo. desculpem esta última formulação... adiante.
resumindo, virgem, empregada de escritório (diz ela no blog) e a escrever tão bem português... o que é que uma mulher destas desperta nos homens portugueses? uma grande vontade para 'falar'... veja-se alguns dos comentários no blog:
- contacta me oliveira_js@hotmail.com no msn para falarmos melhor bj Paulo
- Sou da tua faixa etária e sou da Margem Sul. Se quiseres falar, adiciona-me no MSN: atgiuntini@hotmail.com
- Quem quiser perder a virgindade o meu número é 963535497. Também sou virgem e quero que seja especial para mim também... :)
- ola outra vez margarida... como posso eu falar ctg criar um laço de amizade ctg? vou te deixar o meu e-mail para que possas dps adicinar no msn e falarmos se quiseres joao_pita_19@hotmail.com bjinhos do joao**
- boas se dizes que aceitas no msn entao aceita la marcobraga85@hotmail.com nao sei como tao bonita ainda virgem...
- És uma inspiração para nós. Eu tenho 20 e tb sou virgem e para um rapaz isso não é nada fácil. Espero que encontremos a pessoa certa. O meu número é o 963535497, se alguém quiser desabafar... :)
- ola gostava muito de te conheçer sou do algarve tenho 34 anos e sou solteiro sou empresario se quiseres me conheçer podemos tc do msn te dou o meu espero que me adiciona-me beijos bem fofos..eu tb sou muito romantico..pestana-paulo@hotmail.com fico a tua espera beijos
- EU SOU O JOSÉ VIVO EM CASCAIS E TE FAÇO UM PEDIDO DE CASAMENTO AQUI NESTE ESPAÇO. PENSAS SER UMA BRINCADEIRA? NÃO É!
- Mas pronto és bonita e acredito que em 2010 vais mesmo deixar de ser virgem e vais ser uma esposa e mae dedicada que fará qualquer homem feliz. Gostava de ter o prazer de falar contigo deixo-te aqui o mail paulinho_82@live.com.pt
- ola gostei muito da sua entrevista achei que teve uma personalidade bastante forte e k tem uns olhos muito giros. parabens se quizer um amigo para conversar poderá me adicionar em andre_gomes_07@hotmail.com
- sou um rapaz de 20 anos um pouco timido. fiz este mais so para te cunhecer. dp de falar.mos um pouco dou.te o meu mail real... fico a espera que me adiciones. bjao es muito linda...tudo o que alguem pode sonhar
- Penso que seja a melhor forma de manter contacto contigo,deixo aqui o meu endereço caso queiras adicionar:j.almeida.2@hotmail.com
- Na foto que visualizo no teu blog, digo-te que tas muito bonita,e por teres valores em que acreditas tambem o deves ser por dentro. Gostava de falar contigo, deixo o mail se quiseres diz algo, paulo_cintra@hotmail.com
- oi como faço para falar contigo? beijo
- teria muito prazer em falar contigo , se for possivel adiciona-me ao msn joseandre@hotmail.de
- li que ha homens que mandam contacto msn e tu respondes a todos, fiquei curioso agora em falar contigo e ver a p0essoa que ha em ti se me portar mal tu bloqueias sou o joao e o meu msn é joaoonline@hotmail.com add me :):)
- Olá...será que me poderias dar o teu contacto e remete-lo para marioaugustodias@hotmail.com ?
- Tenho 22 anos, sou licenciado em Direito. Se alguma das pessoas deste clube tiver curiosidade em me conhecer, gostaria de saber qual o melhor meio de as contactar. Saudações.
- Parabéns pelo livro e pelas fotos! Se quiseres falar um pouco o meu mail é berlindes25@hotmail.com
- Admiro-te pela forma como encaras a virgindade. Eu tambem perdi a minha virgindade só aos meus 24 anos... Fica aqui o link do meu hi5, adoraria ser teu amigo lá... beijos e fica bem http:\\lynxman_26.hi5.com
- Se quiseres podemos falar um pouco mais. O meu messenger é acfnb@hotmail.com
- margarida, adiciona-me: ratao-joao@hotmail.com não perdes nada e não te vais arrepender, prometo-te!
- olá...linda...adiciona-me no msn...manuelluis41@msn.com...até lá...beijinhos
- Gostaria de inciar uma conversa contigo por isso vou deixar o meu msn: styleeee1981@hotmail.com
- agora vejo com muita tristeza estes individuos tentar se aproximar de ti para ficarem famosos,isso n se faz,desde pedir pa namorar ctg.....issso n se faz bjs.....gostava k respondesses......o meu email e mariojulio_22@hotmail.com
depois, há as mulheres, algumas bastante práticas:
- Tenho 48 anos e fui virgem até aos 33. Foi uma noite em que apanhei uma bebedeira tal que já não via nada... Apanhei o primeiro que vi à frente e pronto. Rebentou-me toda. Até hoje é sempre a dar-lhe. Não quero outra coisa.
ah, adoro este vernáculo hormonal.
Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009
a adaptação das espécies ao meio ambiente adverso
às segundas, terças e quartas a shakira faz de loba do gerês (em época de reprodução) vestida apenas com um cinto preto, de cabelo solto e nitidamente com bicho-carpinteiro no corpo,
e às quintas, sextas e sábados vem a cimeiras em países distantes falar de crianças (das pobrezinhas, ainda por cima) vestida com camisolas de malha, de cabelo apanhado e nitidamente cansada das pernas.
é aquilo a que se chama uma lady na mesa, uma louca na cama.uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. como tudo o que é claro e sem rodeios, isto afigura-se-me agradável.
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