Terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Ontem, algures em Lisboa

PS: O comentário que gostaria de ter feito a esta foto, mas que fez este leitor, que veio daqui: "Parece-me muito bem! Eu próprio vou fazer uma limpeza a fundo cá em casa, pois se houver coligação com o Bloco, quero ter tudo arrumadinho e bem limpo quando me entrarem pela casa adentro e a nacionalizarem dizendo que isto é do povo, levando-me os pertences."

Este mês, algures em Lisboa

Amolador de facas e tesouras no centro de negócios da capital. Ainda me lembro como era. Hoje faz-se assim:

Domingo, 27 de Setembro de 2009

O melhor das eleições legislativas

- Camisa aberta de Portas mostra sinal em forma de medalha de forma irregular, como as moedas romanas das escavações.
- Nota-se que a malta do CDS quer comemorar à maluca como fazem os tipos do BE, mas não podem porque eles são do CDS.
- Vitorioso, Portas está nitidamente com vontade de beber uma cerveja.
- Ainda ninguém explicou porque estão tantos afros na festa do PS.
- Prevenido, Sócrates tem passado várias vezes a mão pelos cantos da boca.
- Sócrates fez beicinho a meio do discurso.
- Sócrates diz que "a abertura do PS veio para ficar".
- Sócrates começa o discurso para os jornalistas: "Saiam da frente".
- Repórter da TVI interpela apoiante do PS no Largo do Rato: "A senhora foi uma das primeiras a chegar..." A senhora interrompe: "Não, não... Aquela é que foi das primeiras. Oh, anda cá..."
- Louçã diz que é importante uma pessoa com "corenta" anos de trabalho ter descontos.
- Vê-se agora militante do BE a sorrir sem um dente de lado - o contentamento pode dever-se ao facto de a sede do BE esta noite ser na Faculdade de Medicina Dentária.
- Há gays com bandeiras, perdão, há bandeiras com arco-íris na sede do PS.
- Ana Drago foi para a TVI com uma blusa de cor de mosca-varejeira.
- Miguel Sousa Tavares conseguiu agora estar cinco segundos sem esganar o lábio superior direito.
- Todos os dirigentes do PSD dizem que amanhã começa a campanha das Autárquicas, que é como quem diz "esqueçam esta merda das Legislativas, vamos para casa depressa, que amanhã é que é a sério".
- Ana Lourenço (SIC) e Lurdes Baeta (TVI) ganham estas eleições por maioria.
- Teresa Caeiro tem o peito cheio de sardas.
- Bernardino Soares, do PCP, aparenta estar aborrecido.
- António Costa diz que vitória do PS foi "suada".
- Repórter da SIC diz que há festa do PS na paragem do autocarro 758.
- Maria José Nogueira Pinto reage à derrota do PSD: "Vamos lá ver, o que é uma derrota?".
- Rodrigo Guedes de Carvalho diz que o colega Bento Rodrigues está "constantemente a trabalhar; e que muito se trabalha aí..."
- Rodrigo Guedes de Carvalho e repórteres da SIC explicam resultados às pessoas da única maneira que eles entendem: "PS vai à Liga dos Campeões, PSD na pré eliminatória, BE e CDS vão à UEFA e CDU desce de divisão".
- Sempre guardião, Manuel Alegre diz que esta derrota do PSD depois de ter ganho as Europeias é "um problema para a democracia."
- Rodrigo Guedes de Carvalho diz a Pedro Mourinho para começar "a apertar os números". Pedro Mourinho cerra os olhos e obedece.
- Deus Pinheiro diz que não está com "ar fúnebre" e enfatiza arqueando a barriga para a frente com as mãos nos bolsos e um ligeiro salto.
- O PS canta vitória e o caso não é para menos: perdeu votos, perdeu deputados e perdeu a maioria absoluta.
- Marcelo Rebelo de Sousa diz que "é fundamental saber quem ganha".
- Rodrigo Guedes de Carvalho apresenta ao país a previsão da abstenção e a sua barba nova de três dias.
- Marcelo engata Judite de Sousa em directo: "Quando a câmara passou para si, a sensação que fiquei é que se apagaram as luzes, tal o seu brilho natural..."
- Portas chega à sede do CDS, não ouve uma pergunta dos jornalistas e diz "ãããhhh?".
- Sócrates diz que se atrasou porque foi "abordado por transeuntes..."
- Manuela Ferreira Leite enganou-se na fila de voto.
- Manuela Ferreira Leite precisou das duas mãos para pôr o boletim na urna.
- Manuela Ferreira Leite conjugou uma mala Louis Vuitton com um casaco de surfista evocativo da Califórnia - dizia Redondo Beach 516 Pacific Coast- Fan Club. A marca é Dismero, algo do género chic sportswear.
- Manuela Ferreira Leite foi votar exactamente com a mesma roupa que usou há três dias numa arruada.
- Mário Soares estava impecavelmente penteado.
- Seguranças de Cavaco Silva ajeitaram-lhe o tapete à saída da escola onde votou.
- Cavaco Silva levou gravata verde escura com bolinhas verde claras.
- Cavaco Silva diz para os portugueses "fazerem um esforço" e irem votar.
- Enquanto falou aos jornalistas, Cavaco Silva mostrou a língua 8 vezes.
- Louçã não se importou de votar num stand - diz que "o importante é que haja mesas de voto."
- Louçã levou uma camisa que, tal como ele, já foi revolucionariamente muito branca há muitos anos.
- Durão Barroso disse que veio, mais uma vez, votar ao seu país. "Que é Portugal", elucidou.
- Quando se dirigiu para a mesa de voto, Manuel Alegre desapertou o botão do casaco.
- Atrás de si, na fila para votar, Santana Lopes tinha um mitra vestido com um fato-de-treino.
- Repórter da SIC no Porto diz que "bamos ber" como vão ser estas eleições.
- Tal como nas últimas eleições, o repórter da SIC em Bragança começou a sua peça a tranquilizar o país, garantindo que "não há incidentes em Bragança".
- O mesmo repórter disse que não se lembra "do tempo que fazia no dia das últimas eleições há quatro anos."
- Repórter da SIC em Portalegre garante que "eucaristia dominical não tem feito concorrência com as eleições".

Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

Os direitos dos trabalhadores determinados

Eu nunca estou doente. Não sei o que é um hospital, não conheço marcas de comprimidos, nada me dói, de nada de queixo, nunca faltei ao trabalho, excepto devido a imprevistos pessoais, e esses dias foram sempre queimados com folgas em atraso e férias, ou seja, tenho o cadastro limpo, mas já vim trabalhar com grandes constipações, febres, dores de dentes, cansaço extremo, com os olhos a "sangrar" de tanto trabalhar em frente a um computador.

Ando no mercado de trabalho há sete anos. E tenho visto muitas doenças, ainda agora esta semana vi duas, uma já aconteceu, a outra está a acontecer agora, teatro do bom, conto mais à frente.

Regral geral, são ataques súbitos que acontecem depois de um raspanete, grandes tragédias em que o estômago é o alvo preferencial, porque o estômago está no domínio insondável das tripas e dos ácidos - "dói-me o estômago", mas tu estás bem, "mas dói-me muito", pronto, está bem - dores que começam à sexta e acabam ao domingo à noite, numa precisão matemática que me leva a julgar a medicina uma ciência exacta, para não falar dos filhos, miúdos de aço, excepto às sextas e segundas, dias em que se tornam frágeis criaturas com doenças arreliadoras, e depois vêm os esgotamentos...

ah, os esgotamentos, adoro um bom esgotamento, a palavra parece gerúndio, coisa continuada no tempo, tem a vantagem de dar muito tempo de baixa, mas requer uma teatrilização prévia de vários dias, porque é suposto um esgotamento não se apanhar assim como quem apanha um choque eléctrico, caso contrário até parecia que se estava a fingir, começa-se com um ligeiro toque ao patrão, em conversa, como quem não quer a coisa, "estou tão cansada...", "dói-me tudo...", é o primeiro passo, depois andamos de cabeça baixa, tristes, sem falar muito, estamos a "esgotar", coisa que exige uma concentração absoluta, uma gargalhada não contida e lá se vão por água abaixo dias e dias de bateria baixa,

ah, adoro assistir a isto, porque inventar uma dor qualquer no barriga é do domínio dos cobardolas, teatrilizar um esgotamento à frente de todos, vários dias a fio, é de artista de cinema, por isso digo que quem me tira um esgotamento a decorrer tira-me tudo.

Sábado, 19 de Setembro de 2009

As putas

Ah, as putas, que putas que são as putas, que puta que é aquela que usa mini-saia, puta, puta, puta, a mostrar o rabo assim, deve ser puta, quer dormir com este, com o chefe e com o meu homem, se é que já não dormiu, a puta, e o perfume, perfume de puta, decote de puta, lábios de puta, pés de puta, fio-dental de puta, são todas putas, estas putas,
eu não, eu não sou puta, sou a única, por isso sou pobrezinha, não tenho grandes empregos, grandes ordenados, mas pelo menos sou honrada, não sou como essas putas que andam aí, grandes putas, que falam como putas, olham à puta, fumam como as putas, putas, putas, putas, cuecas de puta, pernas de puta, sapatos de puta, filhas da puta, que se maquilham como putas, cuidam-se como as putas, fodem com os homens que deviam ser nossos, mas que não são, porque eles gostam é de putas, putas, putas, e eles também as acham umas putas, principalmente aquelas, as putas, que não se deixam foder por eles, os homens, e assim estas putas são putas para todos, excepto para elas mesmas, as putas, e para os que as fodem, ah, grandes putas, tão diferentes de mim,

eu não tenho tempo para o cabeleireiro, não tenho a vida dessas putas, trabalho muito, tenho filhos, uma casa para cuidar, ah, se eu soubesse o que sei hoje, mas fui estúpida, fui burra, mas fui honrada, não me deitei com ninguém, não sou como essas putas, que chegaram onde chegaram porque são umas putas, de certeza que foi,

sim, as putas que andam aí em grandes carrões, sempre de férias, filhas da puta, vidas de putas, dançam à puta, riem-se com dentes de putas, bebem bebidas de putas, em copos de putas, com unhas de putas, todas umas putas, estas putas, eu tenho princípios, não sou como vocês, que são todas umas grandes putas.

Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

Pergunta do mês

O facto de eu mandar para o lixo todas as moedas de 1 e 2 cêntimos que apanho faz de mim um homem
a) rico,
b) estúpido ou
c) prático,
na medida em que estas moedas não servem para nada, nem para esmolas (demasiado ofensivo) nem para as máquinas de tabaco e dos bilhetes do metro (que não as aceitam)?

Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

Uma mulher e dois gatos aninhados à espera que a tempestade passe

Lisboa acordou hoje a cheirar a ferrugem, começou a trovejar às sete da manhã e cheirava-me a enxofre, aliás eu acho que me cheirava a enxofre, no fundo isto tudo é sinestesia, eu nem sei o que é enxofre, muito menos ao que cheira, mas é o mais parecido que associo ao Diabo, à Grande Besta, que parece que esta manhã veio tomar a cidade,

havia raios, mas não havia chuva, a minha mãe dizia que as trovoadas secas são as piores, nunca explicou porquê, eu um dia também hei-de dizer estas coisas aos meus filhos, olha que as trovoadas secas são as piores, e depois não explico,

havia uma mulher e dois gatos aninhados numa casa à espera que os trovões passassem, foi a pensar neles que acordei, logo a seguir veio a chuva, e depois o cheiro a terra, mas havia qualquer coisa que não estava bem, havia sol, chuva e raios ao mesmo tempo no mesmo local, pareceu-me um congresso de sindicato, a mim não me aborrecem as tempestades, preocupam-me mais os outros, como a mulher com os dois gatos aninhados, de resto a chuva altera-me a rotina, obriga-me a saltar as poças, a calcular distâncias entre toldos, tudo o resto é bom,

principalmente, desculpem o cliché, do cheiro da terra molhada, nasci e cresci rodeado de terra por todos os lados, lembro-me sempre disso nestas manhãs, porque é nestas alturas que os caracóis lambuzam as folhas de combustível e as formigas-de-asa levantam voo para serem comidas pelos pássaros.

Domingo, 6 de Setembro de 2009

Infiltrado entre laranjinhas

Por um acaso do destino estive na quinta-feira numa acção de campanha do Santana Lopes (cruzes, credo...). Eu estava a mascar pastilha, que, a dada altura, me começou a aborrecer. Peguei na pastilha e enfiei-a numa lata de Cola-Cola que estava abandonada numa mesa. Dois minutos depois, chegou um tipo, pegou na lata e começou a beber dela. Como a pastilha já não tinha sabor, é possível que não tenha reparado, mas quero aqui pedir desculpa ao laranjinha, foi sem querer. Da próxima vez, não deixe latas de Coca-Cola por aí à toa.

A talhe de foice, constatei que havia um militante social-democrata com as sobrancelhas depiladas e lambidas a gel e que Pedro Granger (que estava a ser apresentado como Mandatário de Juventude de Santana Lopes) chegou meia hora atrasado, apesar de usar dois relógios.

Além disso, informo que a presidente da Concelhia de Lisboa da Juventude Popular (do CDS-PP), de seu nome Raquel Paradela,

arrancou suspiros entre os presentes devido à sua mini-saia de ganga Tommy Hilfiger, que mostrava umas pernas levemente beijadas pelo sol, ao mesmo tempo que realçava um carismático rabinho, devidamente empinado por umas elegantes socas pretas, cuja marca não consegui descortinar. Um mimo de miúda (ainda por cima discursa bem, realce-se) apesar da visível sudação dos seus belos (deduz-se) sovacos.

Sexta-feira, 4 de Setembro de 2009

Informações úteis

Estou cá desconfiado que em todas as redacções deste país há sempre um veterano rezingão, zangado com tudo e com todos, excepto com ele próprio e com os que lhe sorriem a tudo, porque, lá está, é um veterano.

Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

Como uma tragédia nunca vem só...

Regressado das suas férias, Senhor Basílio, meu taxista preferido, vem em grande forma. Recordo às senhoras mais uma vez que, como é habitual, trata-se de uma conversa de homens, logo, algumas passagens são de algum mau gosto. O primeiro tema da conversa versa sobre a vida sexual de um colega (também pelos 50 anos), que faz o outro turno com o carro.

- O gajo agora anda a tomar uma merda...
- Viagra?
- Não. (mostra-me uma caixa de comprimidos, cujo nome não decorei) Foda-se... Eu já lhe disse que um dia ainda lhe dá uma coisa, mas o cabrão diz que só toma metade. Eu já perguntei a um tipo da farmácia e é verdade. Você toma metade disto e não há problema nenhum. (Exemplifica com o punho erguido, a golpear o vazio) Fica com um pau do caralho! E as gajas até ficam malucas.
- Hum...
- Este meu colega é um fodilhão... O gajo agora usa uma merda, que são umas argolas. Você mete aquilo (mostra-me com um dedo) enrolado no caralho, o caralho entra, a mola vai juntando e quando tiver tudo enfiado a mola vibra. As gajas até se passam.
- Hum... E consigo, como andam as coisas?
- Olhe, cá vamos andando... Sempre de olho...
- Então, quem é agora?
- Quem? Sei lá... Eu agora ando a foder três gajas... Não, (abre a mão, levanta os dedos e fecha o polegar) são quatro! A Alda, a filha da cabeleireira, a Carla e uma tipa ali de Vale de Nogueira. Quatro gajas! E todas casadas! Foda-se... E em casa não fodo nada, hein... Nada!
- E a psicóloga?
- Eh pá, e é mais essa, mas essa ainda não fodi-la. A gaja está hoje na praia... Mandei-lhe agora uma mensagem: “vê lá não queimes o berbigão, que é pa não ficar todo preto...” Eu é logo assim, pá. Sabe o que é que a gaja me disse ontem?
- Não.
- Que foi mordida por uma abelha. Eu perguntei-lhe se não ficou nada inchado... Que queria aquilo tudo bom... Quer ver a mensagem que ela me mandou ontem? (Mostra-me o telemóvel, onde diz “Dorme bem. Beijos. Porta-te mal.”)- Mas isto não é nada de mais...
- É, mas viu a fotografia que tava com a mensagem? (Na verdade, era uma imagem desenhada de uma mulher mística, só com asas, sentada num rosto grande em forma de lua a meditar) Não vê que a mulher está nua? Foda-se... Estas gajas são fodidas.
- Pois... E então essas férias?
- Oh pá, sabe lá o que me aconteceu...
- O quê? Ficou onde?
- Em Albufeira. Fiquei num T0 que nem sofás tinha. Paguei 500 euros por oito dias, hein...
- E depois?
- Ia à praia todos os dias. Aquilo era só descer e andar um bocado. Ia ali para uma parte onde há um pontão, com os miúdos todos a saltar lá de cima das rochas. E eu fui saltar também!
- Boa...
- Saltei e um dia ponho-me depois ali ao lado a ver aquilo. Aparecem-me duas espanholas... Eu começo a olhar para elas, elas para mim, e uma das gajas começa a mexer aqui em baixo. E a puta mostra-me a pentelheira, e a rir-se com a outra! Foda-se...
- Que idade tinham?
- Sei lá, eram novas. Vinte e tal anos
- E depois?
- Eu viro-me para elas e digo-lhes mesmo assim, em português e tudo: “És mesmo boa! Levava-te ali para as rochas e fodia-te toda.” Eu sou assim, um descarado, pá. E as gajas começam-se a rir e a brincar uma com a outra...
- E depois?
- Levanto-me, vou em direcção às rochas a dizer “anda, anda”. E elas foram atrás!
- E depois?
- Quando chegamos ali no meio das rochas, num sítio que ninguém vê, as gajas começam a dizer “não, não”. Porra... Eu ainda tiro o caralho para fora dos calções, “anda, anda", e elas “não, não”.
- Hum...
- Acabámos por combinar encontrarmo-nos no dia seguinte ali, nas rochas, às seis da tarde.
- E foram?
- Eu fui. Mas quando lá cheguei aquilo estava cheio de polícia e de bombeiros. Os gajos andavam lá a ver a praia e as falésias porque foi no dia em que caiu lá aquilo na Maria Luísa. Que ganda azar...
- Pois, lá se foi a espanhola...
- Oh caralho, pois foi.

Terça-feira, 1 de Setembro de 2009

arquivo

Tecnologia da Blogger.