Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

Adeus, até já

Volto um dia destes - não muitos, um dia destes, só. De roupa nova, de cabeça nova.

Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Infomações úteis

Alguém veio hoje parar a este blog via Google depois de digitar no motor de busca a seguinte frase:
"mulheres que gostam de foder com negrões e apanhar ao mesmo tempo"

Pode ter havido aqui qualquer coisa que não percebi...

A box da minha TV Cabo morreu, ligo para a linha de apoio ao cliente, onde, para minha surpresa, sou atendido educadamente, o senhor constata que não tem remédio para a doença da bichana e reencaminha-me para a assistência técnica, onde voltam a ser educados, melhor: já sabem que a bichana morreu, ou seja, não preciso de explicar tudo outra vez, como é costume,

o senhor pergunta-me se o fio preto que liga à bichana está quente ou frio, vou lá com a mão, apalpo o fio e vejo que está frio, digo que está frio, o senhor pergunta-me quando tenho disponibilidade para receber um técnico em minha casa, digo que é quase total, uma vez que estou de férias, ele diz-me aguarde um momento, eu aguardo, e depois pergunta-me se quero receber um técnico ainda hoje, isto foi ontem, a um domingo, eu digo está bem, então, vaticina ele, no máximo em quatro horas está aí um técnico,

não demorou quatro horas, demorou quinze minutos, mal tive tempo de limpar a porcaria que estava debaixo do móvel da televisão, não era bem porcaria, eram restos das plantas que o gato espalha pela casa, ainda consegui limpar o pó do móvel, há pessoas que são assim, um técnico da tv cabo é como se fosse uma visita, tento ter a casa arrumada, mas como ele só vai a um sítio da casa limpo só aí, é como quando eu era miúdo e ia ao barbeiro, os pés podiam estar uma desgraça (não estavam, mas podiam), que o que interessava era ter as orelhas limpas, porque sabia que o tipo ia andar lá perto, porque é que havia de ir limpar a casa de banho se o homem só ia andar na sala?, e, aí, só naquele metro quadrado da televisão, por isso basta ter decente aquele metro quadrado, que no barbeiro eram as minhas orelhas, hão-de concordar comigo, caramba, que isto é uma boa gestão,

chegou o homem, simpático, que já vinha com a solução na mão, um novo transformador, que é o nome do tal fio preto, e depois diz-me ele, muito consternado, que tem havido outras bichanas com o mesmo problema, entretanto liga-me um senhor da tv cabo para o telemóvel a dizer: temos indicação de que já se encontra um técnico na sua residência a resolver o problema, está tudo bem, não sei se quer um cafezinho?, esta última parte sou eu a inventar, explica-me o técnico que agora a empresa o obriga a comunicar à central que entrou na residência do cliente e depois eles ligam a confirmar tudo, eu a ouvir isto e a pensar: se a empresa se dá a este trabalho é porque você ou seus colegas andaram a fazer merda, mas adiante,

o homem então troca o transformador e a bichana ressuscita, afinal o problema da minha box é que não transformava, tinha uma coisa ligada a ela que estava fria em vez de estar quente, eu acho que há por aí muita gente a precisar de um novo transformador, mas isto sou com a mania de ver metáforas em tudo o que é objecto, seja como for a tv cabo resolveu-me um problema em menos de meia hora num domingo no fim do mundo, que é mais ou menos onde moro, fiquei cá desconfiado que houve qualquer coisa que não percebi, não estou habituado a tanta eficiência neste país, ainda mais vindo de quem vem.

Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009

Post que só interessa a machos com mais de 30 anos e mesmo assim...

Tal como vos tinha dito, encontrei há dias um dos heróis da minha infância: Mr. T, o B. A. Baracus da série "Soldados da Fortuna" (ou "The A-Team", ou "Esquadrão Classe A"), que durou de 1983 a 1987. Não é o meu personagem preferido na série, mas este homem e sus muchachos obrigaram-me a muitas horas de espera em frente da televisão aí pelos meus nove, dez anos. Quem não se lembra disto?:


Já vos digo onde encontrei o Mr. T. Entretanto, para quem gostava da série e quer saber o que é feito dos seus actores, passo a informar.

O líder do grupo, George Peppard, que fazia o cinquentão John "Hannibal" Smith,...
... morreu em 1994, com 65 anos, pouco depois do fim da série.

O galã de serviço, Dirk Benedict, o Lieutenant Templeton "Faceman" Peck,...
... tem actualmente a provecta idade de 64 anos. Quando acabou as gravações foi fazer Hamlet no teatro (arrasado pela crítica). Depois, andou por aí, numa fase descendente da carreira. Realizou um filme em 2000, em 2005 entrou num filme alemão e em 2007, já sexagenário, ficou em terceiro lugar no... Big Brother das Celebridades inglês.
O maluco de serviço chamava-se Dwight Schultz, que fazia de "Howling Mad" Murdock,...
... tem hoje 61 anos.

Andou pelos filmes do Star Treck, entre outros, e teve um programa de rádio que durou até Março deste ano. O último filme que entrou é de animação e data de 2007 ("Ben 10"). Aliás, ainda trabalha em animação, com a série americana Chowder. Emprestou também a sua voz para inúmeros jogos de vídeo.

Quanto ao nosso Mr. T,...
... tem actualmente 57 anos.

Depois da série, protagonizou "T. and T.", mas sem grande sucesso. Andou pelo wrestling (a lutar e como árbitro), tornou-se "especialista" em motivação pessoal (fez várias palestras e documentários), entrou em anúncios e fez participações secundárias (muitas vezes, fazendo dele próprio) em filmes, séries e álbuns. O seu último trabalho é deste ano, um filme de animação (Cloudy with a Chance of Meatballs) onde empresta a voz.
Anteontem, apanhei o B. A. Baracus nas Televendas:



Não tenho nada contra as Televendas, é um trabalho como qualquer outro, mas não gostei de ver um dos meus heróis de infância a vender barbecues eléctricos.
Estou a ficar velho...

Quarta-feira, 19 de Agosto de 2009

Infomações úteis

Estou a ler isto:
As putas das nossas vidas dão muitas voltas...

O que hoje seria jornalismo de sarjeta, uns séculos depois é livro de História.

Fui à praia

Não gosto muito de praia, muito menos em Lisboa, ou melhor, não gosto dos esgotos domésticos e dos lisboetazinhos (com naturais excepções...) que, vindos sabe-se lá de onde, são descarregados nas areias da Linha do Estoril, depois de serem cuspidos da boca daqueles túneis que passam por baixo da Marginal,

muitas vezes, antes de saírem de casa, estes lisboetazinhos fazem cocó e chichi em casa e vão a correr para a praia de autocarro, carro ou comboio, à mesma velocidade com o seu cocó e o seu chichi, ainda quentes, se esgueiram pelos canos da cidade, ainda orvalhados pela manhã, todos eles, no fundo, lisboetazinhos e seus dejectos, desejosos de irem a banhos na Linha, partem todos do mesmo sítio, a pia, e assumem como missão de vida chegar à praia antes das dez, ainda que uns e outros escolham ruas e caminhos diferentes da cidade,

imagine, por exemplo, uma infografia de jornal em que se vê o lisboetazinho enfiado no Corsa a passar a Buraca, ao mesmo tempo que o seu cagalhoto corre a grande velocidade ali para os lados de Pedrouços, ao mesmo tempo que o chichi se espraia ainda por Queijas,

às vezes, o lisboetazinho chega primeiro que o seu cocó e o seu chichi, mas há dias em que é o cocó e o chichi que chegam primeiro à praia que o papá, especialmente se este tiver apanhado o comboio no Cais do Sodré e vier lentamente carregado de sandes.

Isto tudo para dizer uma coisa simples: ontem e hoje dei um saltinho a uma praia da Linha do Estoril.

Depois de tanto tempo (há anos que lá não ia), três constatações:

- Os corpos portugueses estão cada vez melhor trabalhados (elas; e eles também, vá)
- A chulice do parquímetro já chega à praia e um dia, se Deus quiser, há-de chegar à aldeia da minha avó.
- Em pleno Agosto, o bar da praia estava... encerrado... para descanso do pessoal.

Sábado, 15 de Agosto de 2009

Aquilo

Vou à mercearia comprar pão, entro, digo bom dia, ela não responde, sou-lhe indiferente, está a carregar nas teclas do telemóvel, que põe ao ouvido, que fica a chamar e que ninguém atende, eu fico ali à espera que ninguém atenda, é por isso que gosto de mercearias, tratam assim os clientes, não é por mal, estava mais ralada com a vida do que em me aviar seis carcaças, aliás seis bolinhas, que é o que chamam agora a estas coisas que não são redondas nem pequeninas, como é suposto serem as bolinhas,

depois, ela pergunta-me "e mais, vizinho?", e eu digo que era queijo e fiambre por favor, e ela diz "tssst, ainda agora tirei aquilo", aquilo era o queijo da máquina, diz-me sempre isto, não há sábado que lá vá que não me diga "tssst, ainda agora tirei aquilo", então ela tira aquilo do frigorífico e põe na máquina, começa a cortar fatias e fica à espera que eu diga "está bom", isto é um código que temos, na primeira vez que lá fui ela disse-me "quando estiver diga, vizinho", agora ela já sabe que tem de parar quando eu digo "está bom",

eu já sei também que tenho de dizer que "está bom" antes de estar bom, porque quando digo "está bom" ela faz-se surda e põe sempre mais duas fatias, deve ser o balanço, deve ter a mão pesada, a mão dela é como os carros desgovernados, demora dois quilómetros de fatias de queijo a parar, percebi isso no primeiro sábado que lá fui, se não perceberam vou-vos explicar como é que se percebe,

se quero dez fatias digo "está bom" quando ela chega às oito, porque, como vos digo, desconfio que não ouve bem à primeira, e é certinho, vai mais uma fatia, e vão nove, então repito "está bom", mas desta vez mais alto, e é quando ela finge que agora é que ouviu mesmo, e, veja lá, desculpe lá, já estava a meio de outra fatia, pensa ela que eu penso e não me importo, e é então mais uma, e faz as dez fatias, finalmente, "e então até amanhã, vizinho", despedimo-nos assim, os dois felizes, ela a pensar que me aldrabou duas fatias de queijo sem saber que eu é que a enganei quando disse "está bom" às oito fatias, quando na verdade o que eu queria mesmo eram dez,

no próximo sábado, se houver próximo sábado e eu ainda estiver por cá, o enredo vai ser o mesmo, as bolinhas que não são redondas nem pequeninas, o "tssst, ainda agora tirei aquilo" e as duas fatias de queijo que me fazem acreditar que sou o puto mais esperto da minha rua.

Sexta-feira, 14 de Agosto de 2009

Informações úteis

O meu anti-vírus (pelo qual paguei, e bem, original e tudo, sem ser pirateado) anda a mandar-me mensagens em rodapé a dizer que o meu computador "não está totalmente protegido". Gosto desta sinceridade. Se todos tivessem esta humildade de assumir que são uns incompetentes no que fazem...

Terça-feira, 11 de Agosto de 2009

Como anda a vida do Senhor Basílio

Relatório de novidades do meu taxista preferido:

1.
Anda metido com uma psicóloga, ou, como ele diz: "uma psicóla".

"Então quando ele me vem cá com psicocólógias...", diz.

Ainda não foram para a cama...

"... mas já a apalpei toda, mamas, tudo..."

2.
Ia andando à tareia com um colega, que se meteu à frente dele na fila.

"Mas eu virei-me para o gajo e disse-lhe: olha que te estás a meter com um saloio de tomates pesados."

O outro parece que se ficou.

3.
Está com um problema burocrático com o ninho de amor. Nem sabia que ele tinha um ninho de amor, mas tem, e ainda por cima está com um problema. Primeiro, o ninho de amor: é uma vivenda ("que é ali ao pé da sua rua, curioso", diz-me), que é de um amigo e que lha empresta. "Não tem sala, só quartos e um corredor", esmiúça. Agora, o problema: a fechadura foi mudada. "O gajo diz-me que anda desconfiado dos ladrões, mas aquilo é para me enganar, que o gajo anda agora aí com um viúva e trocou aquilo, que é para eu não lá ir..."

4.
Anda entusiasmado com uma coisa que a TMN tem, o moche, que permite chamadas gratuitas entre "moches". Liga para colega:

- Então, pá?
- Então.
- Ouviste o moche?
- Ouvi.
- Mas ouviste quando eu chamei?
- Ouvi.
- Então és moche.
- Tu também.
- Então é de borla.
- Pois é, pá.
- Então, vá. Vais almoçar?
- Vou.
- Então, até logo.
- Até logo.

De seguida, liga para uma "senhora":

- Então, querida...
- Olá.
- Estás a trabalhar?
- Estou.
- Sais cedo?
- O normal.
- Olha lá, tens moche?
- Não, podias-me carregar 15 euros...
- Tá bem... Então até logo.
- Xau...

Vira-se para mim:

- Olhem-me esta puta. Carrega-me o telemóvel...? 15 euros? Foda-se. A gaja quer moche mas eu já lhe dou o moche... Já outro dia me pediu 5 euros para comprar tabaco. Foda-se. A gaja só porque é boa acha que sou algum parvo?
- É boa?
- É, é. Só a comi uma vez, mas porra. Vim-me logo. Nem cinco minutos fiquei em cima dela. Passei-se. Porra, que boa. Mas ela ficou bem, que eu perguntei-lhe "ficaste bem?", e ela "fiquei". Hoje quero ver se vou lá outra vez. Mas se a gaja pensa que lhe vou encher 15 euros no telemóvel tá bem enganada...

Sexta-feira, 7 de Agosto de 2009

Último dia...

São duas da manhã e acabo de chegar de um jantar com as pessoas que me contrataram. Comemos num restaurante de cozinha francesa do Bairro Alto, carne deliciosa, vinho excelente. Brindámos ao futuro, fizemos planos, brindámos outra vez. Mas eu ainda não estou lá. Ainda estou aqui.

Hoje é o meu último dia neste sítio. Saio triste porque foi a minha primeira derrota profissional. Estive dois anos no “Projecto” sem nunca ter estado nele. Nunca foi o “Projecto” que gostava que fosse, nunca foi o que já foi e que tinha esperança que voltasse a ser. Saí porque perdi a esperança, saí pela mesma razão que o José Eduardo Moniz invocou esta semana para sair da TVI: voltar a sentir-se especial. Quem tem sangue vivo raramente se acomoda ao ordenado, precisa sempre de mais, precisa de desafios constantes, e precisa de se sentir respeitado, amado, especial.

Foi a minha primeira vez a chefiar. Aprendi muito, cresci. O lógico. Dos outros espero sempre o pior, por isso, se me surpreendi, foi pela positiva. Gente que escreve maravilhosamente bem, com um brilho nos olhos, honesta, dedicada, profissional, gente que me fez sentir especial, que me deu muita coisa maravilhosa, de pastilhas a sorrisos, de bolachas a cigarros, de beijos a maçãs.

Esfrangalhei as estagiárias, não lhes admiti a mediocridade, a preguiça, o desleixo, a incompetência, algumas choraram, outras viraram-se contra, mas houve quem percebesse. Dos mais velhos, apanhei o bom e o mau. Ganhei inimigos logo nos primeiros dias e sempre me orgulhei deles, alimentei-os com carinho e levei-os à rua com esmero. Foram os meus animais de estimação e, agora que me vou, temo pelo futuro deles.

É uma derrota, mas pelo menos ganhei para a vida algumas pessoas muitos especiais. Sei que posso passar sempre por cá, que vai haver sempre alguém que vai descer para me aturar um bocadinho e fumar um cigarro. Isso ninguém me tira.

Quinta-feira, 6 de Agosto de 2009

Penúltimo dia...

A mesa onde demonstrei o meu brilhantismo:
As vacas que me deram leite nestes dois anos:

Informações úteis

Nota-se que me vou embora: riem-se das minhas piadas todas, mesmo das parvas.

Quarta-feira, 5 de Agosto de 2009

Informações úteis

A notícia da minha demissão já era conhecida antes mesmo de eu a tomar.

Informações úteis

Oooops, demiti-me.

Não tem o Armstrong, mas pronto...

Estou a ver a Volta a Portugal pela primeira vez na minha vida, e logo a partir da janela do trabalho. Que pinta, hein?

Segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

Brincadeira

Diálogo no táxi hoje:

- Tá a ver aquela placa na rotunda? Aquilo só pode ser brincadeira... Viu?
- Não...
- Aquilo diz que para a direita dá para ir para X... Para X é melhor ir em frente. Aquilo só mesmo por brincadeira...
- Eu acho que é mais parvoíce...
- É brincadeira.
- É parvoíce.
- É brincadeira.
- É parvoíce.
- É brincadeira, tou-lhe a dizer.
- Pois é, é brincadeira, é...

Sábado, 1 de Agosto de 2009

Informações úteis

A minha mãe ligou-me a perguntar como estão as coisas. Fantástico, este sexto sentido...

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