de dois mil e nove, que foi um ano a merecer um claro e impedioso epitáfio, fiz alguns rascunhos, mas todos me pareceram lixo, até que fui à janela fumar, duas e meia no relógio, noite cerrada, chuva, frio, vento, e um mocho começou a piar numa árvore lá ao fundo, um mocho ainda na cidade, um mocho que é uma ave nocturna de rapina, é um assento sem costas e é um homem tristonho e misantropo, isto li eu agora no dicionário, e lembrei-me que depois do mocho piar passou um homem sozinho na rua, passou por baixo da janela a desviar-se das poças e a sacar de um cigarro de dentro do casaco,
isto sim é uma despedida condizente com o que foi dois mil e nove, é por isso que não escrevo ficção, a realidade tem arranjado sempre argumento, a realidade tem-se superado, é por isso que leio tanto, tanto, tanto, para perceber, para encaixar tudo em lógicas.
bom ano para vocês todos, especialmente para os meus, que são tantos e de quem tanto gosto.
3 comentários:
Pá, pra ti também... =)
Abraço*
Bom ano para si e, sobretudo, faça o favor de não se atrever a deixar de nos brindar com os seus sempre magnificos textos!
M.
Bom ano :)
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