depois de sair da fnac, desço as escadas rolantes e vai à minha frente um casal cheio de sacos nas mãos, levavam também um filho, a mãe ia à frente, o pai atrás, o miúdo, pequenino, ia no meio, e o miúdo decide então escangalhar-se nas escadas rolantes ainda elas estão direitas, logo ali no início, depois começa-se a descer e o tapete passa a escada, é quando a mãe vê o puto aos coices, agarra-lhe pela perna, o pai, que vai no degrau acima, pega no puto pela camisa e fica assim o chavalo pendurado entre o pai e a mãe, uma imagem de poucos segundos, mas magnífica, puro cinema em slow motion, excelentes imagens para aqueles vídeos de casamentos e funerais em que se faz o balanço das nossas vidas com músicas de filmes de domingo à tarde,
mas depois as calças escapam-se pelos dedos da mãe e zás, a bacia do juvenil espeta-se no bico da escada, com a queda a mão do pai descola-se da camisa, mas o pai, rapidíssimo, ainda lhe agarra num braço, isto enquanto se equilibra com os sacos que leva na outra mão, chegam então as escadas ao fim, o miúdo já de pé e a chorar, olha para cima e o pai pergunta-lhe:
então, p'ra que é que foi isso?
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