tenho constatado ultimamente que parece ter-se implantado nos passeios lisboetas a actividade lúdica de certas pessoas de apanhar os cocós dos seus cães com sacos de plástico, mas tudo, diga-se, ainda muito envergonhado, com as pessoas a olhar o tipo a apanhar a poia do chão e com o cão de volta, todo pimpão (ou não tivesse acabado de se aliviar). estas cenas ainda feitas com pouca naturalidade fazem-me lembrar os primeiros tempos dos telemóveis quando alguém atendia no autocarro. bom, adiante.
antes de aflorar (por acaso vou mesmo falar de flores) o tema, devo referir que eu nunca toquei num cagalhoto de cão com as mãos, a não ser acidentalmente em brincadeiras de criança, mas foram sempre aqueles cocós já em forma de pilha alcalina, escondidos na relva, meio brancos e a desfazerem-se, ou seja, sequinhos, nem cheiro tinham.
nunca toquei com a mão num cagalhoto ainda húmido e quente, acabado de sair do recto de um pantufas, o máximo que toquei foi com a sola do sapato, que, como se sabe, é uma pele que a gente usa nos pés muito mais grossa do que a das mãos exactamente para prevenir este tipo de coisas que há nas nossas cidades. se fosse no campo, as formigas e as moscas devoravam tudo tão bem que depois lá no sítio nasciam muitos cogumelos, que as velhas apanham e usam nas compotas, agora nas cidades não há este tipo de fauna em quantidade devida.
daí que, nas cidades, os cagalhotos de cão não terem hipóteses de serem reciclados pela natureza. ou vêm os almeidas varrer ou vão agarrados nas nossas solas. o que quero aqui dizer é que esse transporte nos nossos sapatos é inútil, ao contrário do que se passa na natureza, onde, por exemplo, há o caso de algumas sementes que caem das árvores para os rios e mares e são transportadas para muito longe pelas correntes para colonizar outros sítios,
outro exemplo da natureza, que vem mais ao caso, é o daquelas plantas que abrem as pernas para serem fodidas pelos pássaros, deixam-se comer nos lupanares que montam nos galhos, ao mesmo tempo que, sub-repticiamente, injectam nos pássaros uma espécie de laxante ao retardador, os pássaros comem a flor e, umas horas depois, dão-lhes umas dores de barriga tais que cagam as sementes nos sítios para onde entretanto voaram, daí a lógica do laxante ao retardador, não fazia sentido o pássaro comer a semente e cagá-la logo ali ao lado, resumindo, o objectivo da planta é usar o sistema digestivo dos piu-pius como agente polinizador, isto aprendi tudo no bbc vida selvagem,
como os cagalhotos de cão não têm sementes é inútil o seu transporte nos nossos sapatos, ou seja, se o nosso cão se aliviou na avenida da liberdade não vale a pena limpar a sola no rossio porque não vai nascer lá nenhuma árvore de fruto. portanto, é inútil pisar merda de cão, além de que não cheira bem nem dá bom aspecto.
eu aprovo bastante esta técnica de levar o cão à rua e o dono apanhar-lhe o cocó, o que não deixa de ser irónico sobre o papel do homem, supostamente o chefe do cão, ou seja, o homem passou a ser o melhor amigo do cão e não o contrário, como se ensinava às crianças, eu se tivesse um tipo a apanhar-me os cagalhotos também o designaria de meu melhor amigo.
o que me faz impressão é que os saquinhos que os lisboetas andam a usar serem aqueles normalíssimos, que usamos no supermercado para meter as laranjas e os pimentos, aqueles saquinhos muito fininhos e transparentes.
então, o cão expulsa a sua poia e o dono agacha-se e vai lá com a mão enfiada no saquinho, agarra no cagalhoto, aconchega-o com a mão, sente-lhe o calor, tentando não o esborrachar, e zás, está pescado. isto parece-me um nojo. é óbvio que entre o cagalhoto e a mão há a intermediação do saco, mas, atendendo a que estes sacos são tão fininhos... aliás, estou a escrever isto e está-me a vir ao nariz o cheiro a merda, se bem que, diga-se, por trás desta capa de durão, eu sou um grande sentimental e tenho um forte impulso paternal,
se um dia tiver um cão, vou naturalmente repetir o ritual do saquinho, mas não farei como estes lisboetas insensíveis, à procura do caixote de lixo mais próximo assim que pegam no excremento, eu farei isso também, mas antes vou olhar para dentro do saco e vou analisar o cocó, dando-lhe também um ligeiro aperto com os dedos, tudo para aquilatar da saúde do meu bóbi, afinal era assim que a minha mãe fazia quando me assoava, olhava sempre para a cor e para a consistência do meu ranho, e como eu posso dizer que fui bem educado pela minha mãezinha, vou aplicar a mesma receita quando tiver um cão, porque a saúde do nosso corpo reflecte-se sempre na merda que dele expulsamos.
4 comentários:
A tua sorte é mesmo teres um gato, limpinho e tal.
Mas subscrevo a última afirmação.
ora cá está um post escatológico que me tirou o resto da vontade que tenho (e a que estava quase, quase a aderir)de ter um cão...
:)
obrigada gárgula
acho que o vou mostrar a uma pessoa que eu cá sei para ter uma casa dogfree...
Navegante
é bom voltar a ler posts assim...pure and simple.
Ainda bem.
Sergio
LOL adorei
Estes posts é que me fazem vir a este Blog.
Desculpa lá a pergunta, mas qdo cagas e te limpas, não olhas para a merda que fazes? Ah pois é...
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