Segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

Adeus, minha Fantasia!

Adeus, minha Fantasia!
Adeus querida companheira, minha amada!
Vou, mas não sei para onde vou,
Nem qual será a minha sorte, nem se alguma vez nos voltaremos a ver,
Por isso, adeus, minha Fantasia!

Agora, a minha última vontade - deixa-me olhar para trás por um instante;
Cada vez mais lento e leve o tiquetaque do relógio dentro de mim,
Retirada, anoitecer, e em breve surda palpitação que pára.

Convivemos, alegrámo-nos e consolámo-nos durante muito tempo;
Foi magnífico! - Agora separamo-nos - Adeus, minha Fantasia!

Mas não me devo apressar,
É verdade que muito convivemos, dormimos, purificámo-nos, fundimo-nos num verdadeiramente;
Então, se temos de morrer, morramos juntos (sim, continuaremos a ser um),
Se a algum lado temos de ir que o façamos juntos para enfrentar o que acontecer,
Talvez sejamos mais afortunados e felizes, e aprendamos alguma coisa,
Talvez sejas tu quem me mostra agora o caminho para os verdadeiros cantos (quem sabe?),
Talvez sejas tu quem me faz girar a maçaneta da porta mortal - por isso, finalmente,
Adeus, e boa viagem, minha Fantasia!

Walt Whitman, 'Folhas de Erva', pág. 388

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