Domingo, 25 de Outubro de 2009

A problemática dos jeans de homem em sociedades avançadas

Os jovens machos que vivem em países do primeiro mundo não têm os dramas dos que vivem no terceiro, não se preocupam com a fome, a guerra, a pobreza, os esgotos, os direitos, a liberdade, a tropa obrigatória, a falta de água potável, os bairros de lata, os roubos, misérias, cheiros e horrores. O que nos preocupa são outro tipo de tragédias, como ir ao dentista, cortar o cabelo ou comprar jeans, actividade a que me tenho dedicado desgraçadamente nos últimos dias.

A verdadeira chatice de comprar jeans é que parece que quem escolhe somos nós, mas não somos. Só parece. É a mesma coisa com os deputados, o presidente da república e os presidentes da junta. Somos nós que os escolhemos, mas eles foram previamente escolhidos pelos partidos. Escolhemos aquilo que antes foi escolhido por outros, sob critérios que desconhecemos.

Coisa parecida com os jeans, porque só escolhemos o que alguém desenhou antes, fazendo estes "artistas" inúmeros modelos para nos darem a ilusão de que somos livres na escolha. Dirão que sempre foi assim (pelo menos desde que os alfaiates passaram a museu e a reportagens de 15 páginas na Notícias Magazine), e devem estar correctos. Acontece que, julgo eu, antigamente a roupa de homem era desenhada por homens, parecia de homem, ou pelo menos o conceito de homem era bem menos lato do que é agora.

Com a invasão dos gays nos circuitos de moda, as coisas mudaram um pouco. Produtos que antes eram de senhora, passaram a ser usados por homens. Repare-se nos brincos: os gays começaram a usá-los e anos depois chegaram aos homens de barba rija. É o que vai acontecer com as malas. Basta andar por Lisboa para se verem já meia dúzia de larilas (e alguns metrossexuais) com elas pela mão - daqui a uns anos também estas malas de senhora (mas que as gajas e os maricas que escrevem nas revistas de moda chamam de "malas de homem") chegarão às mãos de grandes mother fuckers que eu admiro como o Petit ou o Sébastian Chabal. Isto parece-me uma tragédia.

Ou seja, o lobby gay do continente de que fala Alberto João Jardim tem alguma razão de ser. Alguma, não toda. Eu não quero saber se o tipo que governa a cidade, se este ou aquele deputado, se este ou aquele advogado, se o padeiro ou o talhante são, ou não, mariconços. Não me interessa. Agora, se o lobby gay invadiu as fábricas de jeans, aí temos um problema - na medida em que um larilas tem tendência, no exercício da sua função sindical de larilas, a fazer paneleirices.

Logo, como a escolha dos jeans nunca é, tal como acontece com os deputados, uma escolha livre, se são só os larilas a desenhá-las estamos bem fodidos, porque ou vamos comprar calças às feiras da província e à C&A (duas opções que só desejo aos meus inimigos), ou andamos aí vestidos com jeans larilas, e eu bem olho para a triste figura que os meus camaradas homens andam a fazer... Mas se lhes perguntarem se gostam destas calças amaricadas, elas dizem que adoram, são fashion e o caralho. Quando oiço isto só me apetece fazer uma alegoria tipo Ensaio Sobre a Cegueira.

Há duas ou três marcas que são excepções, como a Levi's ou a Benetton, por exemplo, não fosse o óbice de cada par de calças nestes entrepostos custar aí uns 100 euros. Ou seja, os jeans de homem estão tão raros que andam ao nível de produto de luxo, ou pelo menos fora do alcance massificado dos homens comuns que não ganham fortunas por mês. Resta-lhes, então, lojas de centros comerciais como a Pull&Bear, Zara, Springfield ou Bershka, onde campeiam a 25 euros (valor que nem dá para ir às meninas) os belos jeans 3 em 1: larilas, chungas e bimbos. Não é por acaso, tem tudo a ver com subsconsciente e o negócio: são larilas porque são larilas quem os desenha (aposto eu) e são chungas e bimbos para satisfazer o gigantesco nicho de mercado chunga e bimbo que gravita por cá.

Atenção, que eu não tenho nada contra a paneleiragem, entenda-se, por favor não me chamem homofóbico outra vez. Tem é de se ter cuidado com as pessoas que desenham os jeans que andamos a vestir. Porque o gay é (desculpem a concisão do argumento) uma gaja em corpo de homem, e isso tem necessariamente consequências na maneira como pensa, age e cria. Jeans de homem, por exemplo.
Rasgões, desenhos, bainhas viradas, envelhecimento simulado, dobras simuladas, nódoas simuladas, salpicos de tinta simulados, correntes atreladas, bolsos semi-ortogonais, bolsos descaídos, bolsos invertidos, buracos, cintura descaída, desenhos florais, cores desbotadas, costuras nos joelhos, costuras pelas coxas, bom...
... isto tudo era para dizer que o que queria mesmo era uns jeans de homem a sério. Queria comprar uns jeans fortes e com personalidade, robustos e másculos, clássicos e elegantes, depois vesti-los, passar na rua e as pessoas pararem, deliciadas, a dizer:

- Diabos me levem se não é um homem que ali vai!

12 comentários:

eu... disse...

Como tu bem disseste só tens uma hipótese: os bons velhos Levi's...
Bem gira foi a moda deste ano do lado das mulheres: os boyfriend jeans. Podias procurar nas lojas femininas, talvez tivesses sorte :)

Gingerbread Girl disse...

Jeans a sério, para homem... semi-baratos e mesmo muito giros... Pepe Jeans. Dos €80 para cima.

Jeans mesmo muito bons e com muita durabilidade, mas que só fica a bem a homens muito esguios, Gas, dos €90 para cima... uns mais XPTO são capaz de ir para os €140 +

Jeans que são uma MOCA, e muito à homem, se souberes escolher as lavagens mais simples, mas que assentam bem até a um gajo com multi fracturas expostas nas pernas... Diesel... mas isso já te custa desde 120€, aos 170€, 200€, 300€ ... e por aí fora.

Eu não estou a fazer publicidade descarada à minha loja, tanto que nem disse onde fica. ^^

Agora, for god's sakes... jeans da Berska... da Zara?!? Na valem um caralhinhº e duram meia dúzia de lavagens, já para não dizer que têm um aspecto MESMO reles.

Quanto às malinhas para gajos... na é d'homem, na é d'homem! :s


*

Icon disse...

obrigado por teres escrito aquilo que eu penso de cada vez que vou comprar calças!!!
Ainda no outro dia andava às compras e via tudo menos calças! Em cada loja que me perguntavam se não queria ver calças eu só respondia: não que não quero ficar mal-disposto!

Miss Complicações disse...

A Salsa tem calças porreiritas, e sem estarem rasgadas. Não são baratas, mas uma ida ao Frepport ou ao Csmpera aliviam a coisa.
Não penses que este é só um prolema dos homens. Eu também gosto de comprar calças sem que estas estejam rasgadas. Já que pago que venham novas.

Táxi Pluvioso disse...

Para evitar estes problemas, é que eu sou a favor de toda a gente usar saias, na Escócia fazem-no com muitos bons resultados. Quanto à mala, não há problema, o Cristiano Ronaldo já usa.

Goldfish disse...

Do que eu gosto mais é dos jeans justinhos com o entre-pernas quase nos joelhos... A versão feminina já era pouco estranha e assentava tão bem na maioria das mulheres que não se contiveram e resolveram arranjar algo ainda pior para homem! Com franqueza, há muito boa coisa por aí que nem é propriamente de maricas... é simplesmente de palhaço! E nem quem se resolva a gastar balúrdios se safa - nas lojas finas os modelitos das montras só diferem das baratuchas no preço, que o mau gosto, a estranheza e a paneleirice são as mesmas!

Princesa Amidala disse...

Como te entendo. Passo horrores com o meu J. para que ele possa comprar um par de calças não rasgadas, não desbotadas, sem marcas de lixívia ou sem rasgões ou furos.
Não é nada fácil...
E encontrar sapatos ???
Hoje em dia os alvos das marcas resumem-se a paneleiros, jogadores da bola ou homens em plena crise existencial.

Miguel disse...

Isso lembra-me a ultima vez que saí para comprar uns jeans, no Forum Almada. Verdade que depois de entrar em 4 ou 5 lojas acabei por não encontrar nada que me agradasse, antes pelo contrário. Claro que havia um ou outro que até ficavam bem, mas aí pesou o factor económico. Não irá demorar muito tempo para que compre as primeiras que me aparecerem, dada a dificuldade da escolha... desde que não sejam daquelas em que andamos de rabo ou de boxers ao léu.

Icon disse...

Pensar que durante todo este tempo eu me sentia uma ave rara por tudo o que sentia de cada vez que as minhas calças se aproximavam daquela fase em que parece que um bufo as vai desintegrar!!!
É tão bom saber que não estou sozinho nesta luta!!!
Não há por aí ninguém proactivo que queira fazer uma fábrica de calças à homem?

dulcineia disse...

esta problemática de calças de homem tem uma resolução muito fácil e que existe desde os primórdios, quase literalmente, a Levi's continua sempre a vender as famosas 501, mais macho que essas não há... agora que é preciso ter uns gluteos jeitosos para as usar, ficarem bem, e ser "de macho" isso é verdade...

acho que a problemática dos sapatos para homem é um pouco mais difícil de resolver sobretudo quando falamos de homens que não gostam dos chamados "clássicos"

ah, é tão bom ser gaja :-)

já agora, 99% das mulheres que usa calças justas afuniladas, e pior ainda dentro de botas.... não o devia fazer, não fica bem, é triste mas é verdade, e só dá pontos às mulheres que reconhecem isso e que usam roupa que de facto as valoriza... digo eu.

Anónimo disse...

Exiet ainda a Salsa! Marca portuguesa e com prémios internacionais de qualidade. preços médios (não os 100 euros da Levi's ou os 25 da Zara), há jeans gay e jeans para homens a sério. Se bem que hoje em dia também me pergunto muitas vezes o que é que um homem a sério deve ser...

A disse...

Lá estás tu: eu não te chamei homofóbico, apenas insinuei a coisa a ver o que dizias! lol

Agora isso dos jeans; deixa-me que te diga que é um bocado gay fazeres um post tão grande a falar de mariquices como isto das calças de ganga!!! Eu cá sou gaja e não uso jeans apaneleirados, e não faço posts a falar disso sequer! lol

Depois leio os comentários que abundam por aqui a falar de marcas etc... e dá-me vontade de rir, de rir à séria, porque se é das coisas que não me ocupa rigorosamente tempo nenhum é a comparar formatos, materiais, etc.
Se gosto e me fica bem, compro e ponto. Sem paneleirices, sem rasgões, sem adereços.

Sou suspeita, eu detesto fazer compras.

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